Chefe do Exército britânico diz que população terá de debater sacrifícios por defesa
Pesquisa Ipsos mostra que 48% dos britânicos não pegariam em armas pelo país, mas 51% apoiam gastar mais com as Forças Armadas.
Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 10:58 · 3 min de leitura

O chefe do Estado-Maior do Exército britânico, general Sir Roly Walker, disse que os britânicos terão em breve de discutir com franqueza os sacrifícios necessários para priorizar defesa e segurança. A declaração foi feita a 700 soldados em Catterick Garrison, na Inglaterra, da 1ª Divisão do Reino Unido. O Forces News, da rede de rádio e TV das Forças Armadas britânicas (BFBS), publicou o discurso na quinta-feira (15).

Walker afirmou que os dias em que o país não precisava pensar em travar uma guerra acabaram. Segundo ele, cabe aos políticos explicar à população onde estão os riscos. "Eles vão tentar explicar aos nossos cidadãos que eles precisam consentir com sacrifícios para priorizar defesa e segurança", disse o general. Walker não anunciou serviço militar obrigatório nem planos imediatos de mobilizar civis.
Metade não pegaria em armas, mas maioria quer gastar mais
A fala ocorre na semana em que o instituto Ipsos divulgou, em 14 de outubro, uma pesquisa sobre o tema. Entre os entrevistados, 48% disseram que não há situação em que pegariam em armas; 36% afirmaram que há circunstâncias em que o fariam. Os 16% restantes não souberam responder.
Metade dos britânicos (51%) acha que o gasto com defesa deve subir, mesmo que isso signifique mais endividamento, impostos mais altos ou cortes em serviços públicos. O índice subiu 6 pontos desde junho de 2026. Outros 25% querem manter o nível atual e 12% preferem reduzir.
Entre os que defendem o aumento, 37% preferem pagar a conta com cortes em outras áreas do orçamento, e 36%, com mais impostos para todos. A pesquisa ouviu 1.090 adultos britânicos entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2026. Foi feita online, com entrevistados de 18 a 75 anos.
Caroline Paskell, diretora de pesquisa da Ipsos no Reino Unido, afirmou que metade dos britânicos apoia mais gastos. Segundo ela, o humor do público fica dividido diante das escolhas para financiar a expansão. Hamish Mundell, pesquisador associado do Royal United Services Institute (Rusi), disse que o levantamento não indica que o país seria incapaz de mobilizar-se num conflito. Para ele, há que tomar cuidado para não confundir o que as pessoas dizem em tempo de paz com o que fariam numa emergência nacional.
Governo busca dinheiro antes do orçamento de 28 de outubro
O financiamento da defesa virou um dos principais dilemas do governo trabalhista. O ministro das Finanças, John Healey, está sob pressão para achar dinheiro antes do seu primeiro orçamento. Ele precisa fechar um buraco de quase 5 bilhões de libras nos gastos previstos para defesa. O orçamento está previsto para 28 de outubro.
Em setembro, na conferência do Partido Trabalhista em Liverpool, o ministro da Defesa, Wes Streeting, disse que investir mais em defesa exige escolhas e concessões. Ele rebateu críticos da direita ao afirmar que um país não se fortalece empobrecendo seu povo. O governo não respondeu diretamente às declarações de Walker.
Outros chefes militares, como o marechal do ar Sir Rich Knighton, chefe do Estado-Maior da Defesa, têm sido cada vez mais enfáticos sobre o papel da população contra ameaças externas. O discurso de Walker também ocorre em meio ao temor de que a guerra na Ucrânia alcance outros países da Europa. Autoridades europeias dizem que a Rússia planeja ataques, o que Moscou nega.
O próximo passo é o orçamento de 28 de outubro, quando Healey deve detalhar como o governo pretende bancar o aumento dos gastos com defesa.
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