Cerca de 100 protestam no TSE contra suspensão de vídeo de Lula sobre caso Ana Clara
Liminar de Mendonça, a pedido de Flávio Bolsonaro, barra anúncios pagos na Meta a dois dias do segundo turno; a UBM fala em censura.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Cerca de 100 pessoas protestaram nesta sexta (23) em frente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. O ato foi contra a decisão do ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte. Ele suspendeu o impulsionamento pago de um vídeo da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, sobre o caso Ana Clara. A liminar foi assinada na quarta (21).
A ordem atinge a propaganda paga nas redes, e não o vídeo em si. Mendonça mandou a Meta Brasil suspender o impulsionamento de posts da campanha de Lula que ligam o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula, ao caso. A decisão sai a poucos dias do segundo turno, marcado para este domingo (25), em que o eleitor gaúcho escolhe o presidente.
Multa é de R$ 10 mil por novo anúncio
A liminar mandou suspender os impulsionamentos pagos de 10 anúncios relacionados ao vídeo. Lula e a coligação também ficaram proibidos de pagar para divulgar de novo o mesmo vídeo ou versões substancialmente idênticas. Para cada novo impulsionamento, a multa é de R$ 10 mil.
A decisão veio após Flávio entrar com ação contra Lula e a coligação Brasil Pronto pra Mais. Ele alegou que a campanha pagou para ampliar o alcance do vídeo no Facebook e no Instagram. Segundo a defesa de Flávio, os anúncios custaram entre R$ 5,5 mil e R$ 7.296 e alcançaram cerca de 1,79 milhão de contas.
O fundamento é o uso de impulsionamento pago para difundir propaganda eleitoral negativa. Mendonça escreveu que não se identifica conteúdo promocional autônomo da candidatura de Lula. Para ele, a mensagem se dirige à crítica e à desqualificação do adversário. O ministro também afirmou que a ação não define se as afirmações sobre o caso ou sobre a atuação de Flávio são verdadeiras.
UBM chama decisão de censura
A presidente da União Brasileira de Mulheres (UBM), Maria das Neves Filha, disse que a decisão configura "censura". "Devemos denunciar essa censura flagrante à nossa democracia", afirmou, e disse que a entidade tomará as medidas cabíveis. Ela lamentou que a decisão tenha saído no último dia útil antes da votação.
Flávio atuou na defesa do PM em 2024
Ana Clara tinha 5 anos e morreu em 2021 numa comunidade de Niterói (RJ), atingida por um tiro de fuzil disparado por um soldado da PM. Em 2024, Flávio participou da defesa do policial e assinou recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar evitar que ele fosse a júri popular. No debate da TV Band, ao ser questionado, Flávio disse que o exercício da advocacia não pode ser criminalizado e que o acusado não pode ser condenado antes do julgamento.
Quem quiser acompanhar o caso pode ver as decisões no site do TSE (tse.jus.br).
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