Centro Jacobina, de São Leopoldo, faz 20 anos com 5.479 atendimentos a mulheres em 2025
Cidade completa nesta quarta (21) um ano sem feminicídio, e o serviço atende sem exigir boletim de ocorrência.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

O Centro Jacobina, serviço municipal de atendimento a mulheres vítimas de violência em São Leopoldo, completou 20 anos nesta segunda (19). Os atendimentos passaram de 1.880 em 2024 para 5.479 em 2025, alta de mais de 190%, segundo a coordenadora do Centro, Patrícia Oliveira.

A mulher não precisa apresentar boletim de ocorrência para ser atendida. O Centro funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. A cidade completa nesta quarta (21) um ano sem registro de feminicídio.
Alta reflete divulgação, diz a Sepom
A secretária municipal de Políticas para as Mulheres (Sepom), Amanda Homem, atribui o aumento à divulgação do serviço e à busca ativa de vítimas. Patrícia disse que a pergunta sobre uma possível alta da violência sempre aparece.
Entre as ações estão o projeto Sepom nas Escolas e o Sepom das Empresas, voltado a conscientizar homens. Há ainda blitzes no trânsito e o Mulheres em Ação, grupos de conversa nos territórios.
Toda segunda-feira, a equipe busca boletins de ocorrência para procurar mulheres que precisam de ajuda, mas não chegaram ao serviço por conta própria.
Criado meses depois da Lei Maria da Penha
O Centro nasceu em 2006, poucos meses após a aprovação da Lei Maria da Penha, já ligado à administração municipal por meio das políticas para as mulheres. Desde então, atende as vítimas no primeiro contato.
"São 20 anos de inúmeras histórias, inúmeras dores e recomeços", afirmou Patrícia. Ela disse que muitas mulheres chegam sem identidade e sem autoestima e encontram "uma recepção humanizada, acolhedora e sem julgamentos".
Desafio é fazer o serviço ser conhecido
Parte da população ainda desconhece que o município oferece o atendimento, dizem a coordenadora e a secretária. Patrícia afirmou que isso ficou claro ao intensificar a divulgação, principalmente nos bairros periféricos.
Amanda disse que o principal desafio é fazer as mulheres conhecerem o Centro. "Muitas mulheres que nos acessam ainda não romperam o ciclo, porque precisam de ajuda para isso. E nós estamos ali para dar essa ajuda", afirmou.
Homens em medida protetiva participam de grupo
São Leopoldo tem cerca de 700 medidas protetivas ativas. A experiência mostrou à equipe que acolher a mulher não basta. "Aquele homem vai repetir a prática da violência com a próxima companheira", explicou Patrícia.
O município mantém o Grupo de Reflexão, realizado no Fórum, com companheiros e ex-companheiros sujeitos a medidas protetivas ativas.
Segundo a Prefeitura, o conjunto das ações contribuiu para a cidade deixar a posição de vice-campeã em feminicídios, ocupada em 2024, quando registrou quatro casos.
A rede de apoio inclui ainda a Delegacia da Mulher, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Judiciário. Amanda disse que, se preciso, a equipe vai à delegacia ou ao hospital fazer o primeiro atendimento.
Serviço
Centro Jacobina: Rua Lindolfo Collor, 918, Centro, São Leopoldo. Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia. Não é necessário apresentar boletim de ocorrência.
Perguntas frequentes
Preciso fazer boletim de ocorrência para ser atendida no Centro Jacobina?
Não. A mulher não precisa apresentar boletim de ocorrência para ser atendida.
Qual o horário de atendimento do Centro Jacobina?
De segunda a sexta, das 8h às 17h, sem fechar ao meio-dia.
Onde fica o Centro Jacobina em São Leopoldo?
Rua Lindolfo Collor, 918, Centro, São Leopoldo.
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