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MundoPolíticaAfeta o RSUrgente

Catar condiciona mediação à reabertura de Ormuz; Irã diz que EUA não negociam a sério

Uma embarcação pegou fogo a 117 km de al-Faw, no Iraque; o Brent fechou a sexta (23) a US$ 116,72 e a AIEA diz não poder verificar 440 kg de urânio enriquecido iraniano.

Por que afeta o RS: Alta do petróleo decorrente de uma escalada com o Irã pode elevar preços de combustíveis e custos de transporte no Rio Grande do Sul.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 11 min de leitura

Atualizada 27/10, 23:22 · A China anunciou que enviará em breve um enviado especial ao Oriente Médio, e os houthis informaram novos ataques contra a Arábia Saudita.

Foto: Trump diz que EUA podem atacar o Irã neste domingo ou fechar acordo
Foto: The White House / Wikimedia Commons (Public domain)

Delegações da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão se reuniram com autoridades iranianas em Teerã na segunda (26), segundo dois funcionários regionais citados pela Associated Press, e concordaram em manter o diálogo. Autoridades iranianas, porém, acusaram os EUA de não levar as negociações a sério. O objetivo dos mediadores é evitar a retomada de confrontos entre Irã, Israel e Estados Unidos. Foi o primeiro contato de alto nível entre os países desde o início da guerra, que se espalhou para a Arábia Saudita e o Iêmen. A pauta inclui o conflito no Iêmen e os ataques houthis à Arábia Saudita.

Nesta terça (27), o Catar, que media a disputa com o Paquistão, afirmou que o Irã precisa demonstrar boas intenções para a mediação avançar. Doha pediu que Teerã pare de ameaçar países do Golfo e reabra o Estreito de Ormuz.

No mesmo dia da reunião em Teerã, os houthis disseram ter atacado o aeroporto de Riade e estações de bombeamento de um oleoduto saudita. Riad não confirmou os ataques de imediato.

Para quem abastece o carro ou depende de frete no Rio Grande do Sul, o ponto sensível é o petróleo, que já vinha em alta antes dessas falas. O barril do Brent fechou a sexta (23) em US$ 116,72, com alta de 3,13% no dia. É o maior valor do contrato de dezembro desde abril. O preço do barril pesa no diesel e na gasolina que chegam às bombas e nos custos do transporte de cargas.

Sauditas, turcos e paquistaneses conversam em Teerã

A Arábia Saudita afirmou que as delegações querem reduzir as tensões e promover a estabilidade regional. Além de evitar nova rodada de ataques entre Irã, Israel e EUA, as conversas tratam da guerra no Iêmen e dos ataques dos houthis a instalações sauditas. Esses ataques estão entre os fatores que o mercado de petróleo acompanha desde a semana passada.

Depois do encontro, os representantes dos três países concordaram em manter o diálogo com os iranianos. Em Teerã, autoridades acusaram Washington de não levar a sério as negociações. Segundo a Reuters, um funcionário iraniano afirmou que o programa nuclear não foi discutido na reunião com os três países.

AIEA pede acesso a Isfahan e diz não poder confirmar desvio nuclear

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, disse nesta terça (27) ao Conselho de Segurança da ONU que a agência não pode confirmar que nenhum material nuclear sob salvaguardas foi desviado no Irã. Também não consegue dizer se todo o material nuclear iraniano sob salvaguardas foi declarado. As inspeções presenciais não foram retomadas depois dos ataques israelenses e americanos a instalações nucleares, de mais de um ano atrás.

A agência pediu acesso a instalações iranianas, incluindo a de Isfahan. Segundo Grossi, a AIEA não tem acesso nem às informações necessárias para verificar o material declarado pelo Irã, entre ele 440 quilos de urânio altamente enriquecido. A falta de verificação amplia a incerteza sobre o programa nuclear iraniano em meio à guerra regional.

Catar põe Ormuz como condição para a mediação andar

Catar e Paquistão atuam como mediadores entre Washington e Teerã, com apoio de Arábia Saudita e Turquia. Em declaração nesta terça (27), o Catar disse que o avanço das conversas depende de um gesto iraniano: o fim das ameaças a países do Golfo e a reabertura do Estreito de Ormuz.

A navegação em Ormuz afeta o transporte mundial de petróleo. Uma interrupção prolongada tende a empurrar o preço internacional do barril e, com ele, o dos combustíveis e do frete no RS.

China vai enviar emissário ao Oriente Médio

A China anunciou nesta terça (27) que enviará em breve um enviado especial a países do Oriente Médio e regiões próximas para promover o diálogo e reduzir tensões. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse que Pequim está preocupada com a expansão do conflito para o Chifre da África e o Mar Vermelho.

O anúncio vem depois das reuniões de sauditas, turcos e paquistaneses com os iranianos em Teerã. O Mar Vermelho é rota de petróleo e de comércio entre a Ásia e a Europa, e qualquer perturbação ali chega ao frete e aos custos de transporte no RS.

Rezaei leva a Khamenei Ormuz e as condições para encerrar a guerra

O chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã, Mohsen Rezaei, reuniu-se nesta terça (27) com o líder supremo, Mojtaba Khamenei. O encontro ocorreu um dia depois das conversas com os mediadores em Teerã. A mídia estatal iraniana informou que a pauta incluiu o controle do Estreito de Ormuz e as condições de Teerã para encerrar a guerra.

Ormuz é o corredor por onde passa boa parte do petróleo do Golfo. Qualquer decisão sobre o controle da passagem mexe no preço do barril e, por consequência, no diesel e no frete no RS.

Embarcação pega fogo perto do Iraque

A UKMTO, órgão britânico que monitora a segurança do comércio marítimo, informou que uma embarcação pegou fogo a cerca de 63 milhas náuticas (117 km) a sudeste de al-Faw, no Iraque. A UKMTO não informou a causa do incêndio nem a situação da tripulação.

O episódio ocorre na região do Golfo, por onde passa boa parte do petróleo que abastece o mundo. Qualquer incidente nessas rotas entra na conta do risco que o mercado aplica ao barril, e esse risco chega ao diesel e ao frete no RS.

Houthis dizem ter atacado Riade e oleoduto; Egito autoriza apoio militar

Os houthis, grupo do Iêmen alinhado ao Irã, reivindicaram na segunda (26) ataques ao aeroporto de Riade, capital saudita, e a estações de bombeamento de um oleoduto do país. Nesta terça (27), o grupo anunciou novos ataques contra a Arábia Saudita. Os oleodutos sauditas fazem parte da rota de escoamento do petróleo do reino, o que explica a atenção do mercado.

O Parlamento do Egito autorizou apoio militar à Arábia Saudita, caso o governo saudita solicite. A medida amplia o número de países que podem entrar diretamente no conflito.

ONU pede "máxima contenção" e reabertura de Ormuz

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu "máxima contenção" e soluções diplomáticas na segunda (26), durante visita ao Cairo. Ele alertou que uma nova escalada entre Irã e EUA pode tirar a situação regional de controle.

Guterres também cobrou a restauração dos direitos de navegação no estreito de Ormuz e em Bab el-Mandeb, dois corredores importantes para o comércio global. Qualquer restrição nessas rotas pesa no petróleo e no frete, e chega ao diesel e aos custos de transporte no RS. Sobre Gaza e a Cisjordânia, o secretário-geral criticou restrições à ajuda humanitária, expansão de assentamentos e aumento da violência.

Trump diz que não haverá ataque neste domingo

No sábado (24), segundo a Al Jazeera, Trump afirmou que Washington poderia ter de "terminar o serviço" ou fechar um entendimento maior com os iranianos. Perguntado sobre a proximidade de um ataque, irritou-se e não confirmou se havia decisão tomada. "Você acha mesmo que vou dizer se vou fazer isso?", respondeu a jornalistas. Ele acrescentou que há a possibilidade de um ataque e também a de um "acordo grande e bonito". Trump repetiu que o Irã quer negociar, mas questionou se Teerã cumpriria o que fosse combinado.

Depois, Trump disse que não haveria ataque ao Irã no domingo (25). Ele não anunciou prazo nem ultimato formal. A Casa Branca e o Departamento de Estado não divulgaram comunicado confirmando preparativos para uma ofensiva.

A fala contrasta com declarações anteriores. Ele havia dito nas redes sociais que não atacaria o Irã de novo antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Cresce no Irã e fora dele o temor de que EUA ou Israel retomem os ataques antes ou logo depois das eleições em Israel, nesta terça (27), e nos EUA, em 3 de novembro.

Teerã ameaça energia, bases e cabos submarinos

Em atualizações publicadas no domingo (25), autoridades iranianas ameaçaram atingir alvos de energia e civis caso os EUA ataquem o país. Teerã também voltou a ameaçar bases e aliados dos EUA e citou possíveis ataques a cabos submarinos no Estreito de Ormuz. A ameaça amplia o alcance do conflito para além do campo militar. A cobertura internacional também relata alertas de possível escalada envolvendo países do Golfo e forças alinhadas ao Irã.

Irã diz que mensagens seguem por intermediários

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou no domingo (25) que mensagens continuam sendo transmitidas aos EUA por intermediários. Segundo ele, a diplomacia não está descartada. De acordo com a Associated Press, as negociações estão paralisadas há semanas.

Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reiterou que o Irã ou aliados poderiam tentar um ataque antes da votação desta terça (27).

Hezbollah se prepara há três meses para retomar combates com Israel

O Hezbollah, grupo armado do Líbano alinhado ao Irã, se preparou nos últimos três meses para uma possível retomada das hostilidades com Israel, segundo fontes de segurança libanesas ouvidas pela Reuters. O grupo teria recebido dezenas de milhões de dólares do Irã e estaria reforçando estruturas de comando, estoques de explosivos e drones.

A pausa nos combates entre Israel e Hezbollah começou em junho. A ofensiva israelense anterior no Líbano matou mais de 4 mil pessoas e deslocou cerca de um quarto da população do país, segundo a reportagem.

Um novo conflito no Líbano abriria mais uma frente na guerra regional. Isso pesa nos mercados de energia, o canal pelo qual a guerra chega ao diesel e ao frete no RS.

EUA mandam terceiro porta-aviões e milhares de militares

Segundo reportagem da Associated Press publicada no domingo (25), os EUA deslocam para a região um terceiro porta-aviões e milhares de militares. Trump prometeu "terminar o trabalho" no Irã. Os iranianos, de acordo com a AP, se preparam para a possibilidade de retomada de uma guerra em larga escala.

EUA reforçam alerta e reduzem equipes em embaixadas

O governo americano elevou o nível de alerta de segurança de funcionários no Oriente Médio e reduziu o pessoal de embaixadas e consulados, segundo autoridades dos EUA citadas pelo New York Times na segunda (26). A medida está ligada a informações de inteligência sobre possíveis ataques contra cidadãos americanos. Não há detalhe sobre quais postos tiveram corte de equipe nem sobre quantos funcionários foram afetados.

A decisão se soma ao envio do terceiro porta-aviões e indica que Washington trata como real o risco de retaliação na região.

Irã diz ter derrubado drone americano em Bandar Abbas

Forças iranianas afirmaram ter abatido um drone dos EUA do tipo LUCAS sobre Bandar Abbas, cidade portuária no sul do Irã, no domingo (25). A informação foi divulgada pela agência semioficial Tasnim e atribuída à Reuters. Não houve confirmação independente.

O episódio soma um incidente direto entre forças dos dois países à troca de ameaças e eleva o risco de escalada militar numa região central para o comércio de petróleo.

Bloqueio naval aperta a economia iraniana

O bloqueio naval americano restringe as exportações de petróleo do Irã e aumenta a pressão sobre a economia do país. De acordo com a AP, alimentos básicos também ficaram mais caros desde o início da guerra.

Pezeshkian culpa Washington

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, atribuiu aos EUA a ruptura das negociações de um acordo provisório, mas defendeu que Teerã continue buscando um entendimento. Em comentários exibidos pela TV estatal, ele disse acreditar que "temos de ir e concluir" o acordo.

Pezeshkian afirmou que o líder supremo mandou os negociadores fecharem o acordo, mas que os americanos "quebraram as regras do jogo" e atrapalharam as conversas.

Mercado olha o risco no Golfo

A alta do Brent na semana vem de uma soma de fatores. No acumulado da semana até sexta, o Brent de dezembro subiu 6,24%. Analistas também acompanham os ataques dos houthis, do Iêmen, a instalações civis e petrolíferas da Arábia Saudita.

Para o banco ING, os preços refletem mais o risco de novas interrupções do que a oferta atual, já que os fluxos de petróleo do Golfo seguem resilientes. A ameaça iraniana a instalações de energia, a presença militar crescente perto de Ormuz e o apelo da ONU pela reabertura das rotas mexem justamente nesse risco: ataques à infraestrutura do Golfo, como o oleoduto saudita citado pelos houthis, podem provocar novas perturbações no mercado mundial e encarecer combustíveis e frete no RS.

Os números de petróleo acima são do fechamento de sexta (23), anteriores às falas de Trump e de Baghaei, à ameaça de Teerã, ao relato do drone, à ida das delegações a Teerã, à reivindicação dos houthis e ao incêndio da embarcação perto do Iraque.

A Petrobras não divulgou avaliação sobre o efeito da escalada nos preços do diesel e da gasolina no Brasil.

Datas que contam

Israel vota nesta terça (27), e os americanos vão às urnas nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro. A questão iraniana está no centro da campanha nos EUA, e o mercado de petróleo segue atento a qualquer sinal de ataque ou de acordo antes dessas datas.

Atualização: Entraram no texto o anúncio da China de que enviará em breve um enviado especial ao Oriente Médio, com a preocupação de Pequim com o Mar Vermelho e o Chifre da África, e os novos ataques anunciados pelos houthis contra a Arábia Saudita.

Saber mais: fontes consultadas (23)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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