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Brent sobe 4% a US$ 112,96, maior nível desde maio; EUA tiram diplomatas da Arábia Saudita

Aramco evacua sede em Dhahran após ataques houthis; no reino, ataques mataram três, e o Reino Unido amplia patrulhas com caças Typhoon.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 5 min de leitura

Atualizada 24/10, 11:39 · A coalizão liderada pela Arábia Saudita disse ter destruído, neste sábado (24), também dois mísseis balísticos houthis lançados em direção a Taif e Yanbu, além do míssil contra Riad já registrado.

Dois caças Typhoon estacionados na pista da base aérea RAF Coningsby, no Reino Unido, vistos de longe.
Foto: Mark Holland / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Reino Unido ampliou nesta quarta (21) as patrulhas aéreas da Força Aérea Real (RAF) sobre a Arábia Saudita, um dia depois de anunciar que usaria caças Typhoon em missões defensivas no reino. A decisão veio após novos ataques dos houthis a instalações de energia sauditas, que se somaram aos ataques a petroleiros perto do Estreito de Hormuz. Na noite de quarta, um ataque ao aeroporto de Dammam matou uma pessoa e feriu oito.

Os Estados Unidos ordenaram que funcionários diplomáticos não essenciais e seus familiares deixem a Arábia Saudita. O Brent subiu 4% na quinta (22) e fechou no maior nível desde maio. Na abertura do pregão asiático desta sexta (23), o barril era negociado a US$ 112,96, com leve recuo, e seguia a caminho da terceira semana seguida de alta. A Saudi Aramco, estatal saudita de petróleo, ordenou na quinta a evacuação de sua sede em Dhahran, segundo a Reuters.

Quadro: Brent sobe 4% a US$ 112,96, maior nível desde maio; EUA tiram diplomatas da Arábia Saudita
Entenda em um quadro · Bairrista

Os Typhoon vão proteger cidades sauditas e infraestrutura crítica contra ataques aéreos. Londres também enviará um avião de transporte A400M para movimentar material de defesa dentro do reino, além de assessores militares para apoiar oficiais sauditas. O Ministério da Defesa britânico não informou quantos caças nem quantos assessores participam, nem o prazo das missões.

Para o leitor gaúcho, o impacto é indireto: o anúncio não envolve o Brasil. Mas os ataques à infraestrutura saudita empurram para cima os preços de petróleo e gás, o que encarece combustíveis, diesel e fertilizantes usados no RS, com reflexo no custo do agro, dos fretes e do transporte. Na manhã de quinta (22), o petróleo WTI subia 1%, a US$ 98,12, e o preço do gás natural liquefeito (GNL) na Ásia passou de US$ 30.

Petróleo saudita no alvo

Na segunda (19), o porta-voz militar houthi, Yahya Saree, disse ter atingido uma instalação da Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah, os aeroportos de Riad e Abha e uma base em Khamis Mushait. A Arábia Saudita não confirmou os ataques, e não há detalhes independentes sobre danos. Os houthis também atingiram um prédio administrativo da Aramco em Dhahran, e na quinta a empresa evacuou a sede da cidade. A coalizão saudita respondeu e bombardeou um depósito de petróleo perto de Sanaa, no Iêmen.

Na quarta (21), duas pessoas morreram quando as defesas sauditas interceptaram um drone perto do campo de petróleo de Shaybah.

Neste sábado (24), a coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou que suas defesas aéreas interceptaram e destruíram um míssil balístico lançado pelos houthis contra Riad. A coalizão não informou danos nem vítimas. No mesmo dia, disse ter destruído outros dois mísseis balísticos houthis lançados em direção a Taif e Yanbu, cidade onde fica a instalação da Aramco que os houthis haviam reivindicado.

A escalada segue ao ataque ao aeroporto King Khalid, em Riad, que, segundo reportagens, matou cerca de 13 pessoas e feriu mais de 300.

A Arábia Saudita usa o Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, como alternativa para exportar petróleo desde que o Irã praticamente fechou o Estreito de Hormuz. Os novos ataques a instalações de energia do reino e a petroleiros perto de Ormuz aumentaram o temor de interrupção no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

Em Teerã, o chanceler russo, Sergei Lavrov, elogiou os laços entre Rússia e Irã. Um dia antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia dito que Moscou faz "muito pouco" pelo Irã.

Aeroporto de Dammam tem um morto e oito feridos

Um ataque ao Aeroporto Internacional King Fahd, em Dammam, matou um morador e feriu outras oito pessoas na noite de quarta (21). Os feridos foram levados a hospitais. A Autoridade Geral de Aviação Civil saudita informou que os danos materiais ainda estão sendo avaliados.

EUA mandam diplomatas saírem

O governo dos Estados Unidos ordenou que funcionários diplomáticos não essenciais e familiares deixem a Arábia Saudita. A medida veio com a escalada dos ataques a aeroportos e instalações de petróleo do reino. Com o Brent a US$ 112,96, o diesel e os fertilizantes tendem a ficar mais caros para o produtor e o transportador gaúcho.

Typhoon não vão atacar alvos no Iêmen

Segundo o governo britânico, os Typhoon vão operar em papel defensivo e não farão ataques contra os houthis. Um porta-voz de Downing Street afirmou que os jatos vão interceptar mísseis e drones lançados contra a Arábia Saudita e não atuarão dentro do Iêmen.

O ministro da Defesa, Wes Streeting, classificou os ataques houthis como desprezíveis. Ele citou o alvo no aeroporto de Riad como sinal de que os houthis tentam escalar a situação na região.

Apoio britânico já existia

O envio amplia a contribuição defensiva que o Reino Unido já mantém na Arábia Saudita, que inclui equipamento de defesa antiaérea contra mísseis e drones. Londres também prorrogou o reabastecimento em voo para operações aéreas defensivas sauditas. A nota oficial diz que esse apoio inclui ações para degradar alvos militares houthis no Iêmen que ameacem sauditas e iemenitas.

Ataque no Iêmen matou 73

O anúncio britânico veio um dia depois de um dos ataques mais letais da escalada. Um míssil balístico houthi atingiu na segunda (19) o campo de treinamento de al-Alam, em Shabwa, no sul do Iêmen. Morreram 73 recrutas, e mais de 200 ficaram feridos. Os mortos tinham de 18 a 20 anos, segundo o governador de Shabwa, Awad Ibn al-Wazir. O governo da província informou que 14 pessoas seguem desaparecidas.

Saree disse que o campo era administrado por forças sauditas. As autoridades de Shabwa afirmam que os recrutas eram treinados para garantir a segurança na província, e não para combate.

A escalada se intensificou nas últimas semanas. Os houthis lançaram mísseis e drones contra o reino, incluindo instalações de petróleo e o principal aeroporto de Riad. A coalizão liderada pela Arábia Saudita respondeu com ataques aéreos a posições houthis.

Atualização: a coalizão liderada pela Arábia Saudita informou neste sábado (24) que, além do míssil contra Riad, destruiu dois mísseis balísticos houthis lançados em direção a Taif e Yanbu. O trecho entrou na seção sobre os ataques às instalações sauditas. Os dados anteriores seguem valendo: Brent a US$ 112,96 na abertura asiática de sexta (23) e evacuação da sede da Aramco em Dhahran.

Saber mais: fontes consultadas (24)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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