Brent fecha a US$ 109,86, maior valor desde maio, e põe diesel do RS no radar
Petróleo subiu 3,7% na sexta por temor no Oriente Médio e ataques a refinarias russas; a Agência Internacional de Energia acelera a liberação de mais de 20 milhões de barris de diesel.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 05:52 · 3 min de leitura

O petróleo Brent, referência internacional, fechou nesta sexta-feira (16) a US$ 109,86 por barril, alta de US$ 3,94 (3,7%) e o maior valor desde 19 de maio. O WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 3,5%, a US$ 101,41, segundo a Reuters. Os investidores reagiram ao temor de que as tensões no Oriente Médio reduzam a oferta. Também pesaram as dúvidas sobre quanto diesel a Rússia conseguirá vender depois de ataques ucranianos a refinarias do país.

A alta lá fora não vira preço de bomba de um dia para o outro. Quem decide o repasse nas refinarias é a Petrobras, que disse à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em abril, que faz os reajustes sem periodicidade definida . O assunto interessa ao RS porque o diesel move caminhões e máquinas agrícolas, e porque o preço dele chega ao frete.
Diesel já subia nos postos gaúchos
Na semana de 27 de setembro a 3 de outubro, o diesel S-10 custava em média R$ 6,97 o litro em Porto Alegre, alta de 3,26% sobre a semana anterior , segundo a ANP. A média do Rio Grande do Sul ficou em R$ 7,187, abaixo da nacional (R$ 7,375) . A gasolina comum gaúcha está em R$ 6,356, R$ 0,231 abaixo da média do país , conforme a pesquisa da ANP de outubro.
Defasagem é disputada
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calculou que, em 28 de setembro, com o Brent acima de US$ 105, o diesel da Petrobras estava 102com defasagem de 102% em relação à paridade de importação, ou R$ 3,34 por litro . Na gasolina, a diferença era de 32%, ou R$ 0,95 por litro . A Petrobras já afirmou que não reconhece os valores calculados pela Abicom .
O Brasil também depende do mercado externo: segundo a ANP, o país importa cerca de 25% a 30% do diesel que consome . Na gasolina, a dependência é menor, de menos de 10% .
O que AIE e EUA anunciaram
A Agência Internacional de Energia (AIE) informou na quinta-feira (15) que vai acelerar a liberação de mais de 20 milhões de barris de diesel. O volume integra a ação coletiva de estoques iniciada em março, que já soltou cerca de 330 milhões de barris e tem aproximadamente 100 milhões ainda por liberar.
Os Estados Unidos abriram, na sexta, uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo, segundo o Departamento de Energia, conforme relatou a Reuters. É uma troca de petróleo, não uma venda direta de combustível.
Tensão no Oriente Médio
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado contra Yanbu, porto no Mar Vermelho. A consultoria Rapidan Energy Group disse à Reuters que, pelas primeiras informações, não houve danos. Relatos da imprensa israelense sobre um possível ataque preventivo do Irã não foram confirmados, segundo a consultoria Energy Aspects.
Serviço
A ANP costuma publicar o resultado no início da semana seguinte . A pesquisa que inclui o dia da alta do Brent deve sair no começo da próxima semana. Ela mostra se o diesel e a gasolina gaúchos já responderam ao petróleo mais caro.
Saber mais
- Reuters, via Yahoo Finance (fechamento do petróleo em 16/10/2026)
- Agência Internacional de Energia (comunicado do Conselho de Administração, 15/10/2026)
- Combustíveis ANP (dados da ANP para Porto Alegre e RS, semana de 27/09 a 03/10/2026)
- Combustíveis ANP (média da gasolina por estado, outubro/2026)
- BM&C News (defasagem calculada pela Abicom em 28/09)
- Portal 6 / Folhapress (resposta da Petrobras à CVM)
- Brasil Postos (dependência de importação de diesel, segundo a ANP)
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