Bolívia e Chile assinam acordos de mineração, tarifas, energia e fibra óptica em La Paz
Kast faz a primeira visita de um presidente chileno à capital boliviana em 71 anos, e Paz mantém a reivindicação por uma saída soberana ao Pacífico.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 05:37 · 2 min de leitura

Os presidentes José Antonio Kast, do Chile, e Rodrigo Paz, da Bolívia, assinaram nesta sexta (16), em La Paz, acordos sobre mineração, comércio, energia e fibra óptica. Foi a primeira visita oficial de um presidente chileno à Bolívia em 71 anos, desde Carlos Ibáñez del Campo. Kast anunciou a assinatura de quatro acordos em comércio, mineração e tecnologia.
Os dois países seguem sem relações diplomáticas plenas, e a disputa boliviana por uma saída ao mar continua aberta. Os governos acordaram avançar rumo à normalização das relações diplomáticas. Os textos divulgados não trazem prazo para isso.
Para o Brasil, o efeito mais concreto está na fibra óptica. Bolívia e Chile estudarão traçados, permissões de fronteira e financiamento multilateral, com possível participação de Brasil e Paraguai. Nenhum compromisso brasileiro foi anunciado, nem há efeito direto previsto para exportadores do Rio Grande do Sul.
O que foi assinado
Comércio. Os chanceleres Héctor Huanca, da Bolívia, e Francisco Pérez Mackenna, do Chile, firmaram os termos de referência que definem o procedimento para negociar a modernização do Acordo de Complementação Econômica nº 22 (ACE-22). O acordo vigora desde 1993.
Uma primeira fase busca ampliar progressivamente as preferências tarifárias , além de regras de origem e facilitação do comércio.
Mineração. O memorando prevê troca de informações e experiências em exploração, minerais críticos, processamento, investimento e geologia. Paz disse que o acordo permitirá aproveitar a experiência chilena para fazer o setor boliviano crescer.
Energia. Kast descreveu a declaração conjunta sobre integração energética como o primeiro passo rumo à interconexão elétrica entre os dois países. Os governos também celebraram os avanços do projeto OSSA II, que prevê reverter o oleoduto entre Sica Sica, no altiplano boliviano, e o porto chileno de Arica.
Fibra óptica. As chancelarias assinaram um memorando para o Corredor Bioceânico de Fibra Óptica Chile-Bolívia , que liga o Pacífico ao Atlântico. A Bolívia busca acesso a cabos submarinos do Pacífico, incluindo o Humboldt, ligado à Ásia e à Oceania. O Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF) manifestou apoio a estudos e projetos de infraestrutura e conectividade.
Saída para o mar fica na mesa
Kast afirmou que as diferenças históricas não podem servir de desculpa para a paralisia. Paz respondeu que a Bolívia continuará reivindicando uma saída soberana ao Pacífico, objetivo que chamou de "permanente e irrenunciável". O boliviano valorizou os gestos de La Moneda e viu com otimismo a nova etapa, apesar da demanda marítima.
A declaração conjunta fixa compromissos em oito áreas, entre elas política, comércio, integração fronteiriça, livre trânsito, segurança e migração. Na segurança, o Chile se comprometeu a fortalecer a cooperação policial contra o crime organizado , com melhorias em passos de fronteira e na conectividade.
Ao fim do encontro, Kast convidou Paz para uma visita oficial ao Chile em 2027, e o boliviano aceitou.
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