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BofA projeta US$ 2,1 trilhões em data centers até 2028; retorno da IA segue sem medida

Pesquisa com empresas brasileiras mostra que 88% não medem o ganho financeiro da tecnologia, e sócia da Deloitte diz que o debate no país ainda se concentra no custo.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Interior de data center com fileiras de racks de servidores. Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.
Foto: Cbrasil0 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A BofA Global Research estima que o gasto global com data centers chegue a US$ 1 trilhão em 2026 e passe de US$ 2,1 trilhões em 2028. A projeção consta de uma nota divulgada nesta sexta (23) e é puxada pela demanda e pelo desenvolvimento de serviços de IA. O número vale para data centers em geral, com a IA como motor da expansão, e não só para instalações dedicadas à tecnologia.

Para quem toca uma empresa no RS, a pergunta é outra: quanto essa tecnologia devolve em dinheiro? Uma pesquisa com 583 profissionais de empresas brasileiras mostra que a maioria não sabe responder.

Estimativa cobre o mercado inteiro

Segundo a nota, o mercado deve crescer 37% ao ano, em média, entre 2025 e 2030. A BofA calcula que a construção custa US$ 49 milhões por megawatt, e 78% do gasto é com itens de TI. Os servidores são o componente mais caro, a US$ 31,4 milhões por megawatt, seguidos pelas redes, a US$ 4,8 milhões por megawatt.

Empresas brasileiras usam IA, mas não medem o retorno

Estudo da MIT Sloan Management Review Brasil, encomendado pela TOTVS, ouviu 583 profissionais de empresas de todos os portes e regiões. Segundo os resultados, 80% das organizações já usam ou testaram IA, mas 88% não medem o retorno financeiro e 86% não acompanham os custos. A TOTVS vende sistemas de gestão, e só 8% das empresas ouvidas dizem ter a IA integrada de forma ampla a esse tipo de sistema.

A amostra não é estatística nacional. A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, que usa amostra estatística, encontrou IA em 17% das empresas do país. Os dados divulgados do estudo da TOTVS não detalham o Rio Grande do Sul.

"Boom" na bolsa e benefício sem medida

Caroline Yokomizo, sócia da Deloitte Brasil e líder de transformação financeira da consultoria, atribui o temor de bolha a essa lacuna. Em entrevista ao Painel S.A. publicada neste sábado (24), ela afirmou que o benefício da tecnologia ainda não está sendo medido. Para Yokomizo, isso alimenta a ideia de que a conta é alta demais.

No Brasil, afirmou, o debate está em fase embrionária e se fala muito mais do custo do que do benefício. Yokomizo também disse que medir a IA só pela redução de despesas é "muito superficial", porque a tecnologia pode abrir novas fontes de receita e mudar modelos de negócio. A declaração é da executiva de uma consultoria que atua em programas de transformação com tecnologia.

Ela afirmou que estudos do mercado americano indicam que, a partir do primeiro semestre do ano que vem, os Estados Unidos devem mostrar uma captura de benefícios mais clara.

Perguntas frequentes

Quanto o BofA projeta para data centers em 2028?

A BofA Global Research estima que o gasto global com data centers passe de US$ 2,1 trilhões em 2028, após chegar a US$ 1 trilhão em 2026.

Quantas empresas brasileiras medem o retorno financeiro da IA?

Segundo o estudo da MIT Sloan Management Review Brasil com 583 profissionais, 88% não medem o retorno financeiro da tecnologia.

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