BNDES aprova R$ 150 milhões do Fundo Clima para máquinas da Soli3, em Cruz Alta
Planta das cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal custa R$ 1,25 bilhão, tem obras previstas até maio de 2028 e vai marcar a entrada dos associados no biodiesel.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 12:05 · 2 min de leitura

O BNDES aprovou um limite de crédito de R$ 150 milhões para a Soli3 União Central Cooperativa. O dinheiro é para comprar máquinas e equipamentos da planta de processamento de soja em construção em Cruz Alta, no Planalto Médio. Os recursos vêm do Fundo Clima, na modalidade Máquinas Verdes. A aprovação foi divulgada nesta semana.
Para o produtor, o dinheiro ajuda a tirar do papel a industrialização da soja dentro das próprias cooperativas. A Soli3, fundada em 2024, tem como sócias Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, que reúnem cerca de 35 mil associados em 112 municípios gaúchos. A ideia é agregar valor à soja dos associados com a produção de farelo, óleo e biodiesel, em vez de só vender o grão.
Crédito pode ser usado por até três anos
O limite do BNDES tem prazo de utilização de dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais 12 meses. O banco não divulgou taxa, prazo de pagamento, carência nem garantias.
O projeto total soma R$ 1,25 bilhão. Além do BNDES, já tiveram créditos aprovados o Banrisul e o BRDE, e a cooperativa negocia recursos com a agência de fomento Badesul. O Banrisul entra com R$ 200 milhões.
Segundo a Soli3, o investimento reúne valores aplicados pelas cooperativas, recursos próprios e linhas de crédito para inovação.
Planta terá 1 milhão de toneladas de capacidade
A unidade foi projetada para esmagar 1 milhão de toneladas de soja por ano. Ela terá terminal ferroviário interno para expedir farelo, soja, óleo degomado e biodiesel. A conclusão das obras está prevista para maio de 2028.
A Soli3 projeta produção anual de 225 mil metros cúbicos de biodiesel e emissões evitadas de cerca de 360 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.
Germano Döwich, presidente da Cotripal e da Soli3, disse que o plano diretor já prevê a duplicação da planta de esmagamento. Na segunda fase, a capacidade chegaria a 7,2 mil toneladas de soja por dia, ou 2,6 milhões de toneladas por ano. O terminal ferroviário, segundo Döwich, abre espaço para movimentar fertilizantes aproveitando o frete de retorno.
Obra começou em junho
O governo estadual entregou a Licença de Instalação em 18 de junho, no Palácio Piratini, encerrando o licenciamento ambiental na Fepam. As obras começaram em 30 de junho. As primeiras etapas são terraplanagem e preparação do canteiro, e as obras civis estavam previstas para o segundo semestre de 2026.
Os sistemas de processo industrial, a caldeira, o pátio de biomassa, os transportadores e a subestação de energia já foram contratados e estão em fabricação.
A construção deve gerar cerca de mil postos de trabalho. Depois de pronta, a operação deve manter 150 empregos diretos e gerar 500 indiretos. A expectativa é de faturamento anual de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
Serviço
- Crédito: limite de R$ 150 milhões, Fundo Clima – Máquinas Verdes, BNDES
- Prazo de utilização: dois anos, prorrogáveis por 12 meses
- Obra: Cruz Alta, na Rodovia Luciano Furlan; conclusão prevista para maio de 2028
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