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Bangladesh cria conselho para rever salário do vestuário; operários pedem 30 mil takas

Colegiado de seis integrantes reúne governo, trabalhadores e fábricas, mas os protestos continuaram em Daca e Gazipur, com 25 a 30 fábricas fechadas.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Ariful Haque Chowdhury concede entrevista a jornalistas no Labour Welfare Centre, em Bandar, em 13 de outubro.
Foto: Press Information Department / Wikimedia Commons (Public domain)

O governo de Bangladesh formou neste domingo (1º) um conselho de seis integrantes para rever o salário mínimo dos trabalhadores da indústria do vestuário. O ministro do Trabalho, Ariful Haque Chowdhury, pediu que os empregados voltassem ao trabalho, mas os protestos por reajuste seguiram nas principais áreas industriais.

Bangladesh é um dos grandes fornecedores mundiais de roupas, e a paralisação mexe com uma cadeia que abastece marcas de vários países. A indústria de vestuário do país é a maior do mundo depois da chinesa e responde por cerca de 10% do PIB. O setor emprega cerca de 4 milhões de pessoas, gera mais de 80% das exportações de Bangladesh e fornece roupas a grandes marcas ocidentais.

O que pedem os trabalhadores

Os trabalhadores querem um mínimo mensal de 30 mil takas (cerca de US$ 242), mais que o dobro dos atuais 12.500 takas (US$ 101). Eles dizem que a alta dos custos de comida, moradia, transporte e saúde corroeu o poder de compra.

O conselho terá representantes do governo, dos trabalhadores e dos donos de fábricas, e deve definir o novo piso. O colegiado é presidido pelo juiz Sheikh Ashfakur Rahman, e ABM Shamsuddin e Asif Ayub representam os empregadores. O representante dos trabalhadores Babul Akhter disse esperar que o conselho comece logo a funcionar.

Gás lacrimogêneo em Daca e rodovia bloqueada

Em Daca, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar operários que bloqueavam um cruzamento movimentado. Centenas de trabalhadores também interditaram uma rodovia importante em Gazipur, na periferia da capital.

Os atos levaram os donos a fechar de 25 a 30 fábricas, segundo a Polícia Industrial de Gazipur.

Na véspera, os protestos começaram em Ashulia, outro polo têxtil perto de Daca. Cerca de 30 fábricas declararam feriado, segundo a polícia industrial local, e os confrontos deixaram feridos, inclusive policiais.

O piso de 12.500 takas foi definido em 2023. Naquele ano, sindicatos recusaram o reajuste oferecido, e protestos de até 25.000 trabalhadores fecharam ao menos 100 fábricas fora de Daca.

Perguntas frequentes

O que está em jogo para os trabalhadores de Bangladesh?

Eles pedem um salário mínimo mensal de 30 mil takas (cerca de US$ 242), contra os atuais 12.500 takas (US$ 101).

Quem faz parte do conselho que vai rever o salário?

Governo, trabalhadores e donos de fábricas, presidido pelo juiz Sheikh Ashfakur Rahman.

Por que os protestos afetam outros países?

Bangladesh é um grande fornecedor de roupas para marcas ocidentais, e a paralisação atinge essa cadeia de abastecimento.

Quando o piso atual foi definido?

O piso de 12.500 takas foi definido em 2023, após protestos que fecharam ao menos 100 fábricas fora de Daca.

Saber mais: fontes consultadas (5)

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