Bangladesh cria conselho para rever salário do vestuário; operários pedem 30 mil takas
Colegiado de seis integrantes reúne governo, trabalhadores e fábricas, mas os protestos continuaram em Daca e Gazipur, com 25 a 30 fábricas fechadas.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O governo de Bangladesh formou neste domingo (1º) um conselho de seis integrantes para rever o salário mínimo dos trabalhadores da indústria do vestuário. O ministro do Trabalho, Ariful Haque Chowdhury, pediu que os empregados voltassem ao trabalho, mas os protestos por reajuste seguiram nas principais áreas industriais.
Bangladesh é um dos grandes fornecedores mundiais de roupas, e a paralisação mexe com uma cadeia que abastece marcas de vários países. A indústria de vestuário do país é a maior do mundo depois da chinesa e responde por cerca de 10% do PIB. O setor emprega cerca de 4 milhões de pessoas, gera mais de 80% das exportações de Bangladesh e fornece roupas a grandes marcas ocidentais.
O que pedem os trabalhadores
Os trabalhadores querem um mínimo mensal de 30 mil takas (cerca de US$ 242), mais que o dobro dos atuais 12.500 takas (US$ 101). Eles dizem que a alta dos custos de comida, moradia, transporte e saúde corroeu o poder de compra.
O conselho terá representantes do governo, dos trabalhadores e dos donos de fábricas, e deve definir o novo piso. O colegiado é presidido pelo juiz Sheikh Ashfakur Rahman, e ABM Shamsuddin e Asif Ayub representam os empregadores. O representante dos trabalhadores Babul Akhter disse esperar que o conselho comece logo a funcionar.
Gás lacrimogêneo em Daca e rodovia bloqueada
Em Daca, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar operários que bloqueavam um cruzamento movimentado. Centenas de trabalhadores também interditaram uma rodovia importante em Gazipur, na periferia da capital.
Os atos levaram os donos a fechar de 25 a 30 fábricas, segundo a Polícia Industrial de Gazipur.
Na véspera, os protestos começaram em Ashulia, outro polo têxtil perto de Daca. Cerca de 30 fábricas declararam feriado, segundo a polícia industrial local, e os confrontos deixaram feridos, inclusive policiais.
O piso de 12.500 takas foi definido em 2023. Naquele ano, sindicatos recusaram o reajuste oferecido, e protestos de até 25.000 trabalhadores fecharam ao menos 100 fábricas fora de Daca.
Perguntas frequentes
O que está em jogo para os trabalhadores de Bangladesh?
Eles pedem um salário mínimo mensal de 30 mil takas (cerca de US$ 242), contra os atuais 12.500 takas (US$ 101).
Quem faz parte do conselho que vai rever o salário?
Governo, trabalhadores e donos de fábricas, presidido pelo juiz Sheikh Ashfakur Rahman.
Por que os protestos afetam outros países?
Bangladesh é um grande fornecedor de roupas para marcas ocidentais, e a paralisação atinge essa cadeia de abastecimento.
Quando o piso atual foi definido?
O piso de 12.500 takas foi definido em 2023, após protestos que fecharam ao menos 100 fábricas fora de Daca.
Saber mais: fontes consultadas (5)
- Al Jazeera, Bangladesh forms wage board as garment workers protest
- Ada Derana, Bangladesh garment workers defy Wage Board (com base em despacho da Reuters)
- Earth News, Bangladesh garment workers protest over low wages
- Business Recorder, Bangladesh to form wage board after garment protests shut factories
- Al Jazeera, Bangladesh police clash with protesting garment workers (2023)
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