Avaliação de PM acusado de matar ex e sogros segue sem data; expulsão da BM depende dela
Cristiano Domingues Francisco está afastado, preso em Porto Alegre e ainda recebe vencimentos, enquanto os corpos de Silvana de Aguiar e dos pais dela seguem sem ser localizados.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A avaliação da Junta Policial-Militar de Saúde que decide se o soldado Cristiano Domingues Francisco pode responder ao processo disciplinar na Brigada Militar foi adiada. Estava marcada para 18 de setembro e ainda não recebeu nova data. Ele é acusado dos feminicídios da ex-mulher, Silvana de Aguiar, e da mãe dela, além do homicídio do pai.

Sem a avaliação, o Conselho de Disciplina da BM não avança, e é esse colegiado que pode expulsar o policial. Enquanto isso, o militar está afastado das funções, mas segue recebendo vencimentos e vantagens. Ele permanece detido no Presídio Policial Militar, em Porto Alegre.
Conselho de Disciplina só entra em cena se ele for considerado apto
Segundo a Corregedoria da BM, Cristiano responde a um Conselho de Disciplina em "processo disciplinar de natureza demissionária". Se for considerado apto na avaliação, poderá ser julgado pelo conselho, que pode determinar a expulsão. A BM não informou data para a sessão nem o motivo do adiamento da avaliação.
Em nota, a corporação afirmou que o processo está em regular tramitação, com oportunidades de contraditório e ampla defesa. A avaliação psicológica não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade criminal do investigado.
Corpos seguem desaparecidos desde janeiro
Silvana, 48 anos, e os pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, desapareceram em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Os desaparecimentos ocorreram entre 24 e 25 de janeiro de 2026. Os corpos não foram encontrados.
O delegado Anderson Spier, da Polícia Civil, disse que não houve novas buscas porque não surgiram novas informações. Segundo ele, toda denúncia que aponta um local é avaliada, com esforço para eliminar a suspeita sobre a área. O Ministério Público do RS (MPRS) garantiu, ao encerrar o caso na esfera policial, que as buscas seguiriam enquanto os corpos não fossem achados. A promotora Carla Feijó afirmou na ocasião que o MP não desistiria de localizá-los.
Denúncia atinge também irmão e companheira
O MPRS denunciou Cristiano por homicídio, duplo feminicídio e desaparecimento da família. Também foram denunciados Milena Ruppenthal Domingues, companheira dele, e Wagner Domingues Francisco, irmão do policial. As defesas dos investigados questionam aspectos da investigação e dizem aguardar laudos e perícias.
A investigação aponta que a motivação dos crimes está ligada a conflitos sobre a guarda e a convivência do filho de Silvana com o PM. A Brigada Militar não informou quando a Junta de Saúde fará a nova avaliação.
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