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Ataque houthi em Shabwa sobe para 73 mortos; Reino Unido fará patrulhas na Arábia Saudita

Mísseis também atingiram Taiz, onde duas adolescentes morreram, a cólera triplicou e a água de 3 milhões está em risco; Acnur contabiliza 250 mil deslocados desde julho.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 6 min de leitura

Atualizada 23/10, 07:33 · O Parlamento do Egito vota na segunda (26) uma autorização para as Forças Armadas apoiarem a Arábia Saudita contra os houthis, o presidente Sisi limitou o apoio à defesa do território saudita e o chanceler Abdelatty defendeu uma saída diplomática.

Ilustração: paisagem desértica desbotada sob um céu pálido e nebuloso, com terreno árido e sem vegetação.
Ilustração: Bairrista

Três mísseis balísticos atingiram na segunda (19) o campo militar de al-Alam, no distrito de Jardan, na província de Shabwa, no sul do Iêmen. O saldo subiu para 73 mortos, segundo o Democracy Now nesta quarta (21), ante 60 divulgados pela agência Associated Press na terça (20). O governador da província já falava em mais de 200 feridos, muitos em estado crítico. Os houthis assumiram o ataque.

A guerra civil iemenita havia perdido força após a trégua de 2022, mas voltou a escalar em julho. O Acnur, agência da ONU para refugiados, informa que mais de 250 mil iemenitas foram deslocados desde então. O impacto regional da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã reacendeu as hostilidades. Shabwa é uma das principais regiões produtoras de petróleo e gás do país.

Vítimas eram recrutas em treinamento

Os mísseis caíram quando os recém-incorporados se preparavam para uma sessão de treinamento. Eles se formavam para integrar as forças de segurança interna. O governo provincial de Shabwa afirmou que o número de mortos é preliminar e pode subir.

O balanço cresceu ao longo dos dias. Autoridades do governo reconhecido internacionalmente e fontes médicas falavam, de início, em ao menos 18 mortos e mais de 30 feridos. Depois o número passou para 53, em seguida para 58 e 60, até chegar a 73. Em um dos balanços, o de 58 mortos, a Reuters, citando autoridades locais, registrou ainda 14 pessoas desaparecidas.

Os hospitais de Shabwa não deram conta, e os feridos mais graves foram levados para Hadramout e Aden. As autoridades locais disseram que os mortos serão reconhecidos como caídos em serviço, com salários mantidos para as famílias.

Em Taiz, míssil mata duas adolescentes e cólera triplica

Em Taiz, um míssil houthi atingiu uma área residencial, matou duas adolescentes e feriu seis pessoas. A ONU afirmou que o cerco houthi à cidade coloca os civis em grave risco. Segundo o órgão, a alta dos preços e a falta de suprimentos agravam a crise.

A UNICEF alertou que o agravamento dos combates e a falta de combustível na província de Taiz ameaçam sistemas de abastecimento de água que atendem cerca de 3 milhões de pessoas, entre elas 1,6 milhão de crianças. O representante da agência no Iêmen, Akhil Iyer, disse que interrupções em rotas como a Taiz-Aden provocaram escassez de alimentos e de combustível. Segundo ele, o preço da água transportada por caminhões triplicou.

Agências da ONU e grupos de ajuda, citados pela Reuters nesta quarta (21), dizem que os combates renovados entre forças do governo e houthis cortaram rotas de abastecimento e o fornecimento de água e combustível. A falta de combustível afeta bombas de água e hospitais, e o lixo se acumula nas ruas.

O risco de doenças já aparece nos números. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os casos de cólera subiram de 221 no início de setembro para 683 em outubro. Doze unidades de saúde têm combustível para cerca de quatro dias.

Houthis dizem ter atacado seis alvos sauditas

O porta-voz militar houthi Yahya Sarea anunciou seis operações contra a Arábia Saudita nas últimas 48 horas. Os alvos citados por ele foram a instalação da Aramco em Yanbu e o campo de petróleo de Shaybah. A lista inclui ainda os aeroportos de Riad e Abha, uma base naval e uma instalação de radar. Sarea disse que os ataques responderam a mais de 200 bombardeios sauditas contra Sanaa e outras áreas.

A Arábia Saudita não confirmou nem negou nenhum dos seis ataques, e nenhum dano foi confirmado por fonte independente.

Irã diz que ninguém respondeu à oferta de mediação

O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou em entrevista à TV iraquiana Al Ekhbariya, exibida na terça (20), que Teerã não recebeu resposta da Arábia Saudita nem dos houthis à oferta de mediar conversas para encerrar os combates. Ele alertou que uma intervenção estrangeira poderia complicar o conflito. Não há reação pública de Riad nem dos houthis à proposta.

Egito vota na segunda apoio militar aos sauditas e defende saída diplomática

O Parlamento do Egito adiou para segunda (26) a votação sobre uma autorização para as Forças Armadas apoiarem a Arábia Saudita contra os houthis. O presidente Abdel Fattah al-Sisi indicou que eventual apoio egípcio ficaria limitado à defesa do território e das fronteiras sauditas.

O ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, afirmou na quinta (22) que o Egito defende explorar uma solução diplomática para o conflito no Iêmen. Uma participação militar egípcia poderia elevar a escala regional da guerra, perto do estreito de Bab el-Mandeb e da rota do canal de Suez, segundo a Reuters.

Reino Unido anuncia patrulhas; Shabwa pede defesa aérea

O Reino Unido anunciou patrulhas aéreas defensivas para proteger a Arábia Saudita de ataques houthis, o que amplia o envolvimento militar externo no conflito.

O presidente do Conselho de Liderança Presidencial, Rashad al-Alimi, condenou o ataque e prometeu resposta firme. Não há registro de ação militar da coalizão liderada pela Arábia Saudita nem dos Estados Unidos em resposta específica a al-Alam.

O governo provincial pediu ao governo central e à coalizão que forneçam com urgência sistemas de defesa aérea e de alerta antecipado para Shabwa.

Sete países levam o Iêmen à mesa em Istambul

Ministros e representantes de Turquia, Egito, Paquistão, Arábia Saudita, Reino Unido, Alemanha e França se reúnem nesta sexta (23) em Istambul. O encontro combina os formatos R4 e E3 e, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores turco, é a primeira vez que os dois grupos se reúnem juntos.

A pauta inclui o Iêmen, a questão palestina, a situação no Estreito de Ormuz e os esforços para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia. Arábia Saudita e Reino Unido, alvo e fiador da nova proteção aérea no conflito iemenita, estão entre os participantes.

EUA mandam diplomatas saírem da Arábia Saudita

O Departamento de Estado dos EUA ordenou a saída de alguns diplomatas e familiares de postos na Arábia Saudita, informou a AP nesta quinta (22).

China e Djibuti pedem navegação livre no Mar Vermelho

China e Djibuti divulgaram nesta quinta (22) uma declaração conjunta em defesa do direito de navios mercantes de todos os países à navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb. Os dois governos manifestaram preocupação com a deterioração da segurança na região, marcada pelo conflito no Iêmen e pela atuação dos houthis.

A declaração vem em meio à escalada regional e a interrupções no tráfego marítimo. Para o RS, o efeito possível está no frete: interrupções em rotas marítimas importantes, como o Mar Vermelho e Ormuz, podem encarecer o transporte de mercadorias que chegam ao Brasil e ao estado, além de pressionar o preço da energia.

Atualização: entrou o detalhe da votação do Parlamento egípcio, marcada para segunda (26): o texto autoriza apoio militar à Arábia Saudita contra os houthis, Sisi o limita à defesa do território saudita e o chanceler Abdelatty defende uma saída diplomática.

Saber mais: fontes consultadas (27)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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