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Arroz em casca sobe a R$ 82,28 no RS e Conab anuncia R$ 300 milhões em opção de venda

Contratos da Conab cobrem cerca de 200 mil toneladas da safra 2025/2026, e a rodada anterior, a cerca de R$ 74 por saca, teve quase tudo vendido; o padrão de 58% acumula baixa de 0,64% em outubro.

Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 4 min de leitura

Atualizada 28/10, 19:41 · A Conab informou que a rodada anterior de opções de venda, com contratos perto de R$ 74 por saca, teve quase todos os lotes vendidos, e que o preço sinalizado na ação preventiva anterior superava R$ 87 por saca.

Arroz em casca, produto cotado no Rio Grande do Sul.
Foto: Divulgação/Agrolink

A saca de arroz em casca com 58% de grãos inteiros subiu pelo segundo dia seguido e fechou a R$ 82,28 na terça (27) no Rio Grande do Sul, segundo o indicador Cepea/Irga-RS. O valor está R$ 0,24 acima do de segunda (26), quando a saca havia encerrado a R$ 82,04, e a baixa acumulada em outubro caiu de 0,93% para 0,64%.

Nesta quarta (28), a Conab anunciou R$ 300 milhões para Contratos de Opção de Venda de arroz da safra 2025/2026. O recurso pode cobrir cerca de 200 mil toneladas, e a estatal diz que o mecanismo sinaliza preços ao produtor. O RS responde por cerca de 70% da produção nacional do cereal, e os arrozeiros gaúchos devem reunir boa parte dos produtores que podem ser alcançados pelos contratos.

Na rodada anterior, a Conab ofertou contratos perto de R$ 74 por saca, e quase todos foram vendidos. O preço sinalizado na ação preventiva anterior superava R$ 87 por saca de 50 quilos.

Quem vende o grão recebe um pouco mais por saca de 50 quilos, em plena semeadura da safra 2026/27, mas o mercado segue travado. Segundo análise do Cepea desta quarta (28), os negócios com arroz em casca no RS estão pontuais, com cotações praticamente estáveis. Indústrias abastecidas e vendas fracas de arroz beneficiado limitam novas compras.

A demanda externa perdeu força depois de compras expressivas nas semanas anteriores, e a queda do dólar reduziu a atratividade dos embarques. Os produtores concentram a atenção no plantio e vendem sobretudo para cobrir despesas da nova safra, o que pressiona a receita dos arrozeiros gaúchos e pode influenciar o ritmo de comercialização. O analista da cadeia do arroz Sergio Cardoso avalia que ainda não é possível afirmar que a correção dos preços terminou.

Duas altas depois de quatro baixas

Na segunda (26), o padrão de 58% subiu 0,15%, a R$ 82,04, e a faixa de 59% a 62% avançou 0,39%, a R$ 82,67. Foi a primeira alta depois de quatro levantamentos seguidos de queda, até quinta-feira (22). Naquele dia, o padrão de 58% encerrou a R$ 81,78, o equivalente a US$ 16,24, com recuo de 0,05% no dia e perda de 1,24% no mês. A faixa de 59% a 62% fechou em R$ 82,36, ou US$ 16,36, com queda de 0,10% no dia e de 1,91% em outubro.

Nos quatro levantamentos, o arroz de 58% passou de R$ 82,06 para R$ 81,78, redução de R$ 0,28 por saca. A faixa de maior rendimento recuou de R$ 83,02 para R$ 82,36, queda de R$ 0,66.

Faixas de qualidade: diferença volta a abrir

Com a queda mais forte no padrão de 59% a 62%, a diferença entre as referências tinha diminuído para R$ 0,58 por saca, ante R$ 0,96 em 16 de outubro, uma redução de quase 40%. Com os fechamentos de segunda, a distância ficou em R$ 0,63. Os números das quedas foram apresentados por Cardoso.

Preço vinha de alta no inverno

Antes da sequência de baixas, o mercado havia reagido. Segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, a cotação do arroz em casca passou de R$ 60,33 por saca em 1º de julho para R$ 73,60 em 13 de agosto. O banco também apontou que os estoques domésticos seguem suficientes para o consumo de curto prazo, o que pode limitar valorizações na entressafra.

O ponto de partida do ano foi bem mais baixo. Em 2025, os preços do arroz em casca no RS caíram quase 40%, pressionados pela alta oferta, pela demanda estável e pelo ritmo fraco de exportações.

Área menor e semeadura em curso

O Irga projeta para 2026/27 semeadura de 861.778,96 hectares, redução de 3,4% ante os 891.908,05 hectares da safra anterior. Juandres Horbe Antunes, diretor comercial do Irga, ligou o encolhimento aos preços: "Se os preços estivessem mais favoráveis, a área definitivamente aumentaria".

No levantamento do Irga de 15 de outubro, 317.405,47 hectares já estavam semeados, 36,83% da intenção de 861.778,96 hectares. A Fronteira Oeste lidera, com 163.165 hectares e 65,90% da intenção regional. O acompanhamento é feito por levantamentos periódicos das equipes regionais, consolidados pela Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Rural do Irga. O Cepea/Irga-RS divulga as próximas cotações a cada dia útil.

Atualização: a matéria foi atualizada em 28 de outubro com o anúncio da Conab de R$ 300 milhões em Contratos de Opção de Venda de arroz da safra 2025/2026, com capacidade para cerca de 200 mil toneladas, e com o fechamento de terça (27), R$ 82,28 no padrão de 58%. Entrou a análise do Cepea do mesmo dia: negócios pontuais, cotações estáveis, procura externa mais fraca com a queda do dólar e produtores vendendo para cobrir despesas da nova safra. Também entrou o histórico das rodadas anteriores da Conab: contratos perto de R$ 74 por saca, quase todos vendidos, e preço sinalizado acima de R$ 87 na ação preventiva anterior.

Saber mais: fontes consultadas (13)

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

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