Argentina perde 32,3 mil empregadores no cadastro oficial desde a posse de Milei
Queda de 6,3% no registro da SRT não equivale a fechamentos definitivos; país foi o 4º destino das exportações do RS em 2025.
Redação Bairrista · 11 de outubro de 2026 às 16:43 · 4 min de leitura

O cadastro de empregadores da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) da Argentina perdeu 32.290 unidades desde a posse do presidente Javier Milei. O número caiu de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026, uma baixa de 6,3%. A imprensa argentina divulgou os dados no sábado (10).
Argentina foi o 4º destino das exportações gaúchas em 2025
Em 2025, o país vizinho foi o quarto principal destino das vendas do RS ao exterior, com US$ 1,5 bilhão, alta de 36,4% sobre 2024. A participação da Argentina passou de 5% para 7% do total exportado pelo estado, segundo o Departamento de Economia e Estatística (DEE) do governo estadual. No terceiro trimestre de 2025, ficou atrás apenas de China e União Europeia.
Em 2026, o cenário mudou. No primeiro semestre, a Argentina esteve entre os destinos com as maiores quedas de compras do RS, com recuo de US$ 71,7 milhões, segundo o DEE. Em 2024, o órgão já havia atribuído a queda das vendas à Argentina sobretudo à indústria metalmecânica.
SRT diz que número não mede fechamentos definitivos
Em junho, o cadastro tinha 481.015 unidades. Em julho, chegou a 480.067, ou seja, 948 a menos. É a 18ª queda mensal seguida da série. A data exata em que a SRT publicou os números não foi confirmada até o fechamento desta reportagem.
O indicador conta empregadores com pelo menos um trabalhador declarado no sistema de riscos do trabalho. A própria SRT afirma que um número menor pode refletir fechamentos. Também pode refletir reorganizações, mudanças de CUIT (o cadastro fiscal), alterações na folha, fim de contratos ou mudanças na organização do trabalho. O órgão diz que a estatística não permite atribuir uma causa específica a cada baixa. Por isso, não há como dizer quantas das 32.290 baixas são fechamentos definitivos.
Outros números da série ajudam a dimensionar a queda:
- Em julho de 2026, havia 15.475 empregadores a menos que um ano antes, queda de 3,1%.
- Segundo a imprensa argentina, o estoque é o menor desde julho de 2007.
- Segundo a SRT, a tendência de queda já dura mais de 12 anos, com uma recuperação passageira depois da pandemia.
Nos postos formais, julho registrou 3.485 trabalhadores a menos que junho. Entre novembro de 2023 e julho de 2026, o total passou de 9.857.173 para 9.419.562, queda de 4,4%. Pelo cálculo da reportagem, o número de empregadores caiu proporcionalmente mais que o de empregos. Isso é compatível com a saída de empresas pequenas, mas os dados não provam essa leitura.
Por setor, os dados detalhados disponíveis vão até junho. Eles apontam comércio, indústria e agropecuária entre as maiores baixas, com mais de 15 mil unidades a menos somadas. A divisão por província não foi confirmada.
Dados de CAME e CEPA não são comparáveis com os da SRT
Os números citados para explicar a queda têm períodos e indicadores diferentes:
- SRT: estoque de empregadores, de novembro de 2023 a julho de 2026.
- CAME: as vendas do varejo de pequenas e médias empresas subiram 0,3% em setembro na comparação com setembro de 2025 e caíram 1,2% em relação a agosto. No acumulado do ano, a retração é de 2,1%. O relatório saiu em 4 de outubro e compara 2026 com 2025, não com 2023.
- CEPA: as importações de bens de consumo somaram US$ 5,362 bilhões no primeiro semestre de 2026, 34,7% acima do primeiro semestre de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial (IPI do Indec) caiu 12%. Em relação ao primeiro semestre de 2025, a alta das importações é de 1,8%.
A CEPA relaciona a alta dos importados à queda da indústria. Os dados da SRT, sozinhos, não apontam causas. Números da União Industrial Argentina sobre custos de energia e crédito, citados na pauta, não foram confirmados em fonte primária.
Milei diz que empresas que fecham têm um só empregado
Segundo o Infobae, Milei afirmou em entrevista que muitas das empresas que fecham têm um só empregado, que o emprego subiu em sua gestão e que o consumo está em nível recorde. A reportagem não checou essas afirmações. Até a publicação, não foi encontrada resposta oficial do governo ao relatório da SRT.
O que ainda falta para medir o efeito no RS
Não foram confirmados até a publicação os dados de 2026 por produto (máquinas, veículos, arroz, calçados) nem posições da Fiergs e da Federasul sobre o tema. Para medir o impacto no estado, é preciso consultar os números mais recentes do Comex Stat.
Perguntas frequentes
Quantos empregadores a Argentina perdeu desde a posse de Milei?
O cadastro da SRT caiu de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026: 32.290 unidades a menos, queda de 6,3%.
A queda no cadastro da SRT significa que 32 mil empresas fecharam?
Não. A SRT diz que o número pode refletir fechamentos, reorganizações, mudanças de CUIT, alterações na folha ou fim de contratos, e não permite atribuir causa específica.
Qual a posição da Argentina nas exportações do RS?
Em 2025, foi o 4º principal destino das vendas gaúchas, com US$ 1,5 bilhão, alta de 36,4% sobre 2024, segundo o DEE.
O que mudou nas exportações do RS para a Argentina em 2026?
No primeiro semestre, a Argentina esteve entre os destinos com as maiores quedas de compras do RS, com recuo de US$ 71,7 milhões, segundo o DEE.
Saber mais
- Infobae (relato com declaração de Milei e dados da SRT, 10/10/2026)
- The Times (dados SRT e notas metodológicas)
- Urgente24 (dados SRT, comparação interanual)
- La Unión Digital (advertência da SRT)
- Zona Norte Hoy (trabalhadores registrados, SRT)
- Examedia (setores até junho)
- CAME via AER (vendas minoristas pyme, setembro de 2026)
- La Gaceta (relatório do CEPA sobre importações)
- MDZ (CEPA, IPI do Indec)
- Substack Gus Reimon (CEPA, base de comparação)
- Agora RS (Boletim de Exportações do DEE/SPGG)
- DEE/SPGG RS (exportações, primeiro bimestre de 2024)
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