🔍
Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição para POA18°C ⛅Redação em operação
GeralMundo

Argentina perde 32,3 mil empregadores no cadastro oficial desde a posse de Milei

Queda de 6,3% no registro da SRT não equivale a fechamentos definitivos; país foi o 4º destino das exportações do RS em 2025.

Redação Bairrista · 11 de outubro de 2026 às 16:43 · 4 min de leitura

Ilustração: Bairrista/IA sobre a queda no número de empregadores da Argentina e o impacto nas exportações do RS
Ilustração: Bairrista/IA

O cadastro de empregadores da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) da Argentina perdeu 32.290 unidades desde a posse do presidente Javier Milei. O número caiu de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026, uma baixa de 6,3%. A imprensa argentina divulgou os dados no sábado (10).

Argentina foi o 4º destino das exportações gaúchas em 2025

Em 2025, o país vizinho foi o quarto principal destino das vendas do RS ao exterior, com US$ 1,5 bilhão, alta de 36,4% sobre 2024. A participação da Argentina passou de 5% para 7% do total exportado pelo estado, segundo o Departamento de Economia e Estatística (DEE) do governo estadual. No terceiro trimestre de 2025, ficou atrás apenas de China e União Europeia.

Em 2026, o cenário mudou. No primeiro semestre, a Argentina esteve entre os destinos com as maiores quedas de compras do RS, com recuo de US$ 71,7 milhões, segundo o DEE. Em 2024, o órgão já havia atribuído a queda das vendas à Argentina sobretudo à indústria metalmecânica.

SRT diz que número não mede fechamentos definitivos

Em junho, o cadastro tinha 481.015 unidades. Em julho, chegou a 480.067, ou seja, 948 a menos. É a 18ª queda mensal seguida da série. A data exata em que a SRT publicou os números não foi confirmada até o fechamento desta reportagem.

O indicador conta empregadores com pelo menos um trabalhador declarado no sistema de riscos do trabalho. A própria SRT afirma que um número menor pode refletir fechamentos. Também pode refletir reorganizações, mudanças de CUIT (o cadastro fiscal), alterações na folha, fim de contratos ou mudanças na organização do trabalho. O órgão diz que a estatística não permite atribuir uma causa específica a cada baixa. Por isso, não há como dizer quantas das 32.290 baixas são fechamentos definitivos.

Outros números da série ajudam a dimensionar a queda:

  • Em julho de 2026, havia 15.475 empregadores a menos que um ano antes, queda de 3,1%.
  • Segundo a imprensa argentina, o estoque é o menor desde julho de 2007.
  • Segundo a SRT, a tendência de queda já dura mais de 12 anos, com uma recuperação passageira depois da pandemia.

Nos postos formais, julho registrou 3.485 trabalhadores a menos que junho. Entre novembro de 2023 e julho de 2026, o total passou de 9.857.173 para 9.419.562, queda de 4,4%. Pelo cálculo da reportagem, o número de empregadores caiu proporcionalmente mais que o de empregos. Isso é compatível com a saída de empresas pequenas, mas os dados não provam essa leitura.

Por setor, os dados detalhados disponíveis vão até junho. Eles apontam comércio, indústria e agropecuária entre as maiores baixas, com mais de 15 mil unidades a menos somadas. A divisão por província não foi confirmada.

Dados de CAME e CEPA não são comparáveis com os da SRT

Os números citados para explicar a queda têm períodos e indicadores diferentes:

  • SRT: estoque de empregadores, de novembro de 2023 a julho de 2026.
  • CAME: as vendas do varejo de pequenas e médias empresas subiram 0,3% em setembro na comparação com setembro de 2025 e caíram 1,2% em relação a agosto. No acumulado do ano, a retração é de 2,1%. O relatório saiu em 4 de outubro e compara 2026 com 2025, não com 2023.
  • CEPA: as importações de bens de consumo somaram US$ 5,362 bilhões no primeiro semestre de 2026, 34,7% acima do primeiro semestre de 2023. No mesmo intervalo, a produção industrial (IPI do Indec) caiu 12%. Em relação ao primeiro semestre de 2025, a alta das importações é de 1,8%.

A CEPA relaciona a alta dos importados à queda da indústria. Os dados da SRT, sozinhos, não apontam causas. Números da União Industrial Argentina sobre custos de energia e crédito, citados na pauta, não foram confirmados em fonte primária.

Milei diz que empresas que fecham têm um só empregado

Segundo o Infobae, Milei afirmou em entrevista que muitas das empresas que fecham têm um só empregado, que o emprego subiu em sua gestão e que o consumo está em nível recorde. A reportagem não checou essas afirmações. Até a publicação, não foi encontrada resposta oficial do governo ao relatório da SRT.

O que ainda falta para medir o efeito no RS

Não foram confirmados até a publicação os dados de 2026 por produto (máquinas, veículos, arroz, calçados) nem posições da Fiergs e da Federasul sobre o tema. Para medir o impacto no estado, é preciso consultar os números mais recentes do Comex Stat.

Perguntas frequentes

Quantos empregadores a Argentina perdeu desde a posse de Milei?

O cadastro da SRT caiu de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho de 2026: 32.290 unidades a menos, queda de 6,3%.

A queda no cadastro da SRT significa que 32 mil empresas fecharam?

Não. A SRT diz que o número pode refletir fechamentos, reorganizações, mudanças de CUIT, alterações na folha ou fim de contratos, e não permite atribuir causa específica.

Qual a posição da Argentina nas exportações do RS?

Em 2025, foi o 4º principal destino das vendas gaúchas, com US$ 1,5 bilhão, alta de 36,4% sobre 2024, segundo o DEE.

O que mudou nas exportações do RS para a Argentina em 2026?

No primeiro semestre, a Argentina esteve entre os destinos com as maiores quedas de compras do RS, com recuo de US$ 71,7 milhões, segundo o DEE.

📱 As principais do dia, do teu jeito

Escolhe os assuntos e a região. Chega no WhatsApp, no e-mail ou nos dois. Sai quando quiser.

Sem spam e de graça, como tem que ser 🧉 · privacidade

Saber mais

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Leia também