Apuração em Israel projeta 56 cadeiras a Netanyahu e 49 à oposição; partidos árabes podem decidir
Eisenkot admite negociar com os partidos árabes, que somam 15 cadeiras, e Netanyahu rejeita; o Likud tem 21,70% e o Yashar, 15,72%, e a participação foi de 77,7%.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 5 min de leitura
Atualizada 28/10, 16:22 · Eisenkot admite negociar com partidos árabes para formar maioria, e Netanyahu rejeita a hipótese, o que coloca esses partidos como possível fiel da balança.

A apuração da eleição em Israel avançava na manhã desta quarta (28) sem que o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o do ex-chefe militar Gadi Eisenkot chegassem aos 61 assentos necessários para a maioria na Knesset, de 120 cadeiras. Com 49,7% dos votos apurados, a imprensa israelense projetava 56 cadeiras para o bloco de Netanyahu, 49 para a oposição de Eisenkot e 15 para os partidos árabes, segundo compilação da agência Anadolu. Com cerca de 40% apurados, o Likud, de Netanyahu, tinha 21,70%, e o Yashar, de Eisenkot, 15,72%. Os percentuais são de cada partido, não dos blocos.
O resultado define quem governa Israel em meio à guerra com o Irã e à tensão na Cisjordânia ocupada. A decisão pesa sobre segurança, relações com os palestinos e diplomacia numa região que segue instável. Netanyahu permanece como chefe interino, e a formação de um governo pode levar semanas ou terminar em nova eleição. Investidores também acompanham o impacto econômico de anos de guerra e instabilidade política, e uma escalada com o Irã pode afetar os mercados de energia.

Partidos árabes viram peça central
O Likud segue como maior partido, mas perdeu cadeiras. Com isso, a formação do governo pode depender de negociações com os partidos árabes. Eisenkot admite essa possibilidade. Netanyahu a rejeita.
Pelas projeções, as 49 cadeiras da oposição somadas às 15 dos partidos árabes chegariam a 64, acima dos 61 necessários. Sem acordo entre os lados, o país pode enfrentar semanas de negociações ou uma nova eleição.
Boca de urna já indicava impasse
As pesquisas de boca de urna divulgadas após a votação de terça (27) apontaram vantagem do bloco de Eisenkot, mas sem maioria clara. As projeções atualizadas deram 52 cadeiras ao bloco de Eisenkot e 50 ao campo liderado pelo Likud. Os partidos árabes não alinhados ficariam com as 18 restantes.
Na projeção com metade dos votos contados, o quadro mudou: o bloco de Netanyahu subiu de 50 para 56 cadeiras, a oposição caiu de 52 para 49 e os partidos árabes, de 18 para 15. Ainda assim, nenhum dos lados chega aos 61.
A participação foi de 77,7%, a maior em mais de duas décadas, segundo a comissão eleitoral. Cerca de 7,3 milhões de pessoas estavam aptas a votar, segundo a Comissão Eleitoral Central, e as urnas fecharam às 22h, no horário local. A apuração oficial deve ficar pronta até sexta (30).
Eisenkot afirmou que o resultado reflete a falta de confiança da população no governo e prometeu agir para substituí-lo. Antes da votação, as pesquisas já indicavam que nenhum dos lados alcançaria os 61 assentos.
Governo negou ataque ao Irã antes da votação
Às vésperas da eleição, o gabinete de Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, negaram que o governo pretendesse iniciar um ataque ao Irã antes da votação. A negativa veio depois de relatos de divergências entre o premiê e a cúpula militar sobre uma possível ação contra os iranianos.
Katz afirmou que Israel responderia com força caso o Irã atacasse primeiro. A oposição pediu explicações ao governo e alertou para riscos à segurança nacional.
Protesto cobrou investigação do 7 de Outubro
Milhares de israelenses fizeram em Tel Aviv, no sábado (24), o último grande ato contra Netanyahu antes da votação. A manifestação ocorreu na Praça dos Reféns e foi organizada pelo Conselho de Outubro, grupo criado por famílias de pessoas sequestradas para Gaza.
O público ouviu pedidos de uma comissão de inquérito sobre as falhas de segurança que levaram ao ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Netanyahu recusa a investigação.
Eisenkot, principal rival do premiê, esteve no ato, que lembrou os protestos semanais pela libertação dos reféns. Ele lidera o partido Yashar. Também compareceram Avigdor Liberman, Yair Lapid e Yair Golan. Líderes da oposição prometem abrir o inquérito.
Ataque em Hebron marcou a reta final
A campanha terminou sob a tensão na Cisjordânia. Na sexta (23), dois atiradores palestinos abriram fogo contra um posto militar israelense em Hebron e mataram dois soldados. Outros três ficaram levemente feridos, segundo as Forças de Defesa de Israel.
Netanyahu mandou fechar Hebron e preparar o bloqueio de toda a Cisjordânia. As Forças Armadas mantiveram a operação no domingo (25), com prisões e demolições em várias áreas do território. Os militares afirmam ter atuado em mais de 400 locais e prendido 40 pessoas que, segundo eles, têm ligação com o Hamas ou a Jihad Islâmica.
O município de Hebron estima que cerca de 2.200 pessoas deixaram suas casas.
As restrições de circulação atingem também quem trabalha em Israel. A maioria dos palestinos com autorização foi impedida de entrar em comunidades israelenses para trabalhar. Israel anunciou ainda restrições aos palestinos empregados em assentamentos e fechou passagens.
Israel também iniciou exercícios militares com forças na Cisjordânia e outras três divisões, previstos até domingo (25).
O ataque ocorreu a poucos dias da primeira eleição desde 7 de outubro de 2023, um teste para Netanyahu, que busca se apresentar como linha-dura em segurança.
Como funciona a apuração
Os eleitores escolheram partidos para as 120 cadeiras da Knesset. Para governar, um bloco precisa reunir ao menos 61 deputados. A apuração final é esperada até sexta (30). A formação da coalizão depende das negociações depois da contagem. Se a contagem oficial confirmar o cenário atual e nenhum lado chegar a 61, essas conversas podem se arrastar por semanas ou terminar em nova eleição.
Atualização: entrou a posição dos dois líderes sobre os partidos árabes: Eisenkot admite negociar com eles para formar maioria, e Netanyahu rejeita. O Likud segue como maior partido, mas perdeu cadeiras.
Saber mais: fontes consultadas (24)
- Associated Press (via Durango Herald)
- Associated Press (via AOL)
- Associated Press (via Fortune)
- Al Jazeera
- ABC News (Austrália)
- CNN
- AP News Summary (via Cadillac News)
- Al Jazeera (cobertura ao vivo da guerra com o Irã)
- AP News Summary (via BDT Online)
- Associated Press (via ClickOnDetroit)
- Associated Press
- Reuters
- WPXI (negativa de Netanyahu sobre ataque ao Irã)
- Associated Press
- Reuters
- Reuters
- Investing.com
- Associated Press (vídeo)
- NAMPA
- ClickOrlando (AP)
- The Straits Times
- Israeli exit polls show deadlock, setback for Netanyahu (GMA Network)
- Anadolu Agency
- National and International News in Focus, Oct. 28 (WKTV)
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