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Aos 85, Rosa segue dando reforço em Pelotas; aos 24, Kethlen teme a primeira turma

Com 44 anos de magistério de um lado e a graduação em Pedagogia da UFPel do outro, duas professoras veem a aprendizagem por ângulos diferentes e pedem mais valorização da profissão.

Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 09:07 · 2 min de leitura

Ilustração: uma professora idosa e uma jovem estudante de Pedagogia conversam em uma sala de aula em Pelotas
Imagem: Bairrista/IA

Rosa Nachtigal, de 85 anos, começou a trabalhar em escolas de Pelotas em 1982. Já aposentada, continua dando reforço escolar individual. Kethlen Bohm Oliveira, de 24, estuda Pedagogia na UFPel e se prepara para começar a carreira. Os relatos das duas foram publicados na quinta-feira (15) pelo jornal A Hora do Sul.

Para quem vive no Sul do RS, a conversa das duas passa pelo contracheque e pela sala de aula. Passa também pelo aprendizado das crianças da rede pública.

Quatro décadas e nenhuma pressa de parar

Nachtigal começou a ensinar em casa, alfabetizando os irmãos mais novos, depois os sobrinhos, os filhos e os netos. A partir de 1982, levou a vocação para a escola e sempre atuou com turmas dos primeiros anos do Ensino Fundamental.

Hoje atende alunos um a um. Ela diz que não faz isso por dinheiro, mas por prazer, e não pensa em largar a atividade. Antigos alunos, já adultos, aparecem para mostrar os filhos e contar da vida profissional.

Na avaliação dela, o nível de aprendizagem caiu desde o início da carreira. Nachtigal aponta a aprovação facilitada como um dos motivos e lembra que antes havia mais avaliações. "As crianças estão passando sem saber", afirma.

O medo de quem está começando

Oliveira entrou no curso em 2023. Fez estágio e passou a pesquisar infâncias em situação de vulnerabilidade e a formação continuada de professores. Agora pretende tentar uma vaga no mestrado e prestar concurso para a educação infantil.

O maior desafio, diz ela, é o medo de não saber conduzir a turma nem lidar com as situações do dia a dia. Oliveira defende que o professor aprenda com a própria prática e que o ensino não depende só da relação entre docente e aluno. Para ela, pesam também a falta de comida em casa, o impacto de eventos climáticos nas famílias e as particularidades de cada criança.

Nachtigal também menciona a desigualdade dentro da sala de aula e a influência dela na aprendizagem.

Piso sobe 5,4% e Ideb de Pelotas fica em 4,9 nos anos iniciais

O piso nacional do magistério em 2026 é de R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais, conforme o Ministério da Educação. É uma alta de 5,4% sobre os R$ 4.867,77 de 2025. O valor foi fixado pela Lei 15.437/2026, com efeito retroativo a janeiro. A lei também inclui os professores contratados temporariamente entre os beneficiários.

Sobre aprendizagem, o Ideb de 2023 da rede municipal de Pelotas foi de 4,9 nos anos iniciais e 4,0 nos anos finais, segundo a prefeitura. O índice combina as notas do Saeb em português e matemática com as taxas de aprovação, de acordo com o Inep.

No país, a nota padronizada do Saeb mede o que os estudantes aprendem. Em 2023, ela seguia abaixo do patamar de 2019 em todas as etap

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