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PolíticaBrasilAfeta o RS

47 bispos pedem voto no 2º turno e apontam 'antagonismo' de candidatura com a Igreja

Carta de quinta (22) não cita nomes, mas critica posições de Flávio Bolsonaro sobre armas, escala 6x1, meio ambiente e democracia; três signatários são gaúchos.

Por que afeta o RS: Dom Itacir Brassiani (Santa Cruz do Sul), Dom Silvio Guterres Dutra (Vacaria) e Dom Jose Mario Stroeher (Rio Grande) estão entre os signatários gaúchos.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Catedral de Santa Cruz do Sul (RS), templo da Igreja Católica no Rio Grande do Sul.
Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Um grupo de 47 bispos, arcebispos e bispos eméritos católicos divulgou nesta quinta (22) uma carta aberta sobre o segundo turno da eleição presidencial. A carta pede aos fiéis que votem no domingo (25). O texto não cita o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas afirma que a candidatura dele ameaça a democracia, a soberania nacional e o bem comum. A outra candidatura, a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também não é nomeada.

Três signatários são do Rio Grande do Sul: Dom Itacir Brassiani, bispo de Santa Cruz do Sul; Dom José Mário Stroeher, bispo de Rio Grande; e Dom Silvio Guterres Dutra, bispo de Vacaria. A carta chega ao eleitor católico do Vale do Rio Pardo, do Sul e dos Campos de Cima da Serra a três dias da votação.

O que os bispos criticam

A carta se apoia na Doutrina Social da Igreja e na encíclica Magnifica Humanitas, do papa Leão XIV. Os signatários dizem querer ajudar os católicos a decidir, apontando "pontos de antagonismo" entre o ensino social da Igreja e uma das candidaturas.

Entre os pontos, o texto afirma que o candidato sempre foi contra o fim da escala 6x1 e promete submissão do Brasil aos Estados Unidos. Segundo a carta, ele também quer liberar o acesso amplo às armas, como fez o pai no governo, e não reconhece a crise climática. A carta também diz que ele é favorável à tortura, que sua família homenageou o coronel Brilhante Ustra e que seu partido sempre foi contrário a programas sociais. Cita ainda a Lei 15.190/2025, que chama de "Lei da Devastação".

Sobre democracia, o documento lembra que o candidato é filho de um presidente condenado e preso por atentar contra a ordem democrática. Essas são avaliações dos bispos, e o texto não traz documentos que as sustentem.

Sobre a outra candidatura, a carta diz que, embora sujeita a críticas, ela sempre mostrou responsabilidade com os pobres e atuou dentro dos limites da ordem democrática.

Carta é diferente da mensagem da CNBB

Os signatários se dizem "em comunhão com a CNBB" e alinhados à mensagem do Conselho Permanente da entidade, datada de 21 de outubro. Os dois textos, porém, são distintos. O Conselho Permanente divulgou uma mensagem ao povo brasileiro em defesa da participação consciente, da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito ao resultado das urnas. A CNBB pediu que os eleitores avaliem a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo. A mensagem do Conselho Permanente não aponta candidato.

Até as 6h20 desta sexta (23), a carta reunia 47 assinaturas. Os signatários são de diferentes regiões do país.

Serviço

O segundo turno é neste domingo (25), e disputam o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A íntegra da carta e a lista de signatários estão publicadas na página do Poder360. A mensagem do Conselho Permanente está no site da CNBB.

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