44% dos corais que formam recifes estão ameaçados; Nordeste brasileiro tem risco alto
Os dados da reavaliação da IUCN vão até 2020, e os autores afirmam que o quadro atual provavelmente é pior, porque o estudo não incorpora o branqueamento global de 2023 a 2025.
Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 05:28 · 2 min de leitura

Um estudo publicado na quinta (15) na revista Nature mostra que 340 das 774 espécies de corais construtores de recifes com dados suficientes estão ameaçadas de extinção, ou 44%. A reavaliação foi conduzida pelo Grupo de Especialistas em Corais da IUCN e atualiza a primeira avaliação global, concluída em 2008.
O Atlântico Sudoeste, que inclui o litoral do Nordeste do Brasil, aparece entre as áreas de risco particularmente alto. Metade das espécies avaliadas no Atlântico está ameaçada, contra 43% no Indo-Pacífico. O Rio Grande do Sul não tem recifes de coral destacados no estudo, mas a causa principal da piora, o aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática, também atinge o Atlântico Sul.
Quadro atual deve ser pior que 44%
Dos 340 classificados como ameaçados, 33 estão criticamente ameaçados, 251 ameaçados e 56 56 vulneráveis, segundo a IUCN. Outras 118 espécies ficaram sem classificação por falta de dados. Na avaliação de 2008, cerca de um terço das espécies estava ameaçado.
Os dados usados vão até 2020. Isso significa que a avaliação foi concluída antes do aumento extraordinário da temperatura dos oceanos e do quarto evento global de branqueamento, de 2023 a 2025. Por isso, os autores afirmam que a proporção de espécies hoje em risco provavelmente é maior que 44%. O estudo não calcula uma nova porcentagem. Segundo a IUCN, o super El Niño de 2026-27, que está se formando, aumenta ainda mais o risco.
A IUCN estima risco relativo de extinção. Ela não prevê se ou quando uma espécie vai desaparecer. Como faltam séries de população para a maioria das espécies, as perdas foram estimadas por indicadores indiretos. Os pesquisadores combinaram tendências de perda de cobertura de coral, projeções de branqueamento severo para três décadas no cenário climático intermediário SSP2-4.5 e características biológicas ligadas à vulnerabilidade.
O Índice da Lista Vermelha dos corais, em que 1 significa nenhuma espécie sob risco alto, caiu de 0,96 antes de 1998 para 0,89 em 2008 e 0,74 em 2024. Francoise Cabada-Blanco, pesquisadora da Universidade de Portsmouth e copresidente do grupo de corais da IUCN, afirma que as respostas dos corais à mudança ambiental variam muito entre espécies e regiões.
O que já se via nos recifes brasileiros
Os recifes do Nordeste já vinham sob pressão. O balanço anual de 2024 do Projeto Coral Vivo registrou o segundo grande episódio de branqueamento no Brasil, com intensa mortalidade, e a parte norte do Nordeste foi a mais afetada. As duas espécies mais atingidas foram o coral-de-fogo (Millepora alcicornis) e o coral-vela (Mussismilia harttii), esta última ameaçada de extinção e encontrada só em águas brasileiras.
Um artigo científico recente aponta que a autoridade ambiental brasileira e a IUCN classificam o coral-vela como ameaçado. Os autores desse trabalho defendem que a espécie passe à categoria criticamente ameaçada.
O artigo completo da Nature está disponível pelo DOI 10.1038/s41586-026-11263-3, e o comunicado da IUCN pode ser lido no site da entidade.
Perguntas frequentes
Quantas espécies de corais estão ameaçadas segundo o estudo?
340 das 774 espécies com dados suficientes, ou 44%, segundo a reavaliação da IUCN publicada na Nature.
O Nordeste brasileiro tem risco para os corais?
Sim. O Atlântico Sudoeste, que inclui o litoral do Nordeste, aparece entre as áreas de risco particularmente alto, com metade das espécies avaliadas ameaçada.
Os dados atuais são mais recentes que o estudo?
Não. Os dados vão até 2020, e os autores afirmam que a proporção atual provavelmente é maior que 44%, pois não incorpora o branqueamento de 2023 a 2025.
Saber mais
- IUCN – Comunicado sobre a reavaliação dos corais construtores de recifes
- Nature – Cabada-Blanco, Obura, Polidoro et al. (2026)
- Universidade de Portsmouth (via Phys.org)
- Nature Asia – Press release
- Scimex – Nearly half of all reef-building coral species under threat
- Projeto Coral Vivo – balanço anual 2024 (via Destaque Notícias)
- ScienceDirect – Colapso de coral endêmico Mussismilia harttii
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