Vitória democrata nos EUA não derruba tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros
A sobretaxa foi aplicada em julho com base na Seção 301, instrumento que o Executivo americano usa sem aval do Congresso.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos, na terça-feira (3), não derruba as tarifas que o governo de Donald Trump cobra sobre produtos brasileiros. O USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) aplicou, com base na Seção 301, tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A medida continua em vigor.
Para o exportador gaúcho, o que pesa é o enquadramento de cada produto nas listas do USTR. O custo final varia conforme o item vendido aos EUA, e algumas fontes citam taxa total de até 37,5% para certos produtos.
Por que o resultado eleitoral não muda a tarifa
A Seção 301 é um instrumento do Executivo. O presidente e o USTR têm instrumentos delegados para aplicar barreiras e tarifas sem consulta prévia aos parlamentares. Por isso, a maioria democrata não revoga a sobretaxa de forma automática.
O Brasil está sujeito a tarifas de 25% pela Seção 301, com justificativas como supostas restrições a big techs americanas, favorecimento ao Pix e barreiras ao etanol. O país também recebeu sobretaxa de 12,5% pelo mesmo instrumento, por suposto descumprimento de compromissos de combate ao trabalho forçado. Aço e alumínio ainda são alvo de tarifas pela Seção 232, que alega proteção à segurança nacional.
A Suprema Corte dos EUA anulou em 20 de fevereiro as tarifas apoiadas na lei IEEPA, mas a decisão não alcançou as medidas baseadas nas Seções 232 e 301.
O que os analistas dizem
Ricardo Zúniga, sócio-fundador da consultoria Dinámica Americas e ex-integrante do Departamento de Estado e do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, disse à Folha: "No curto prazo, Trump manterá um forte controle sobre a política comercial e as tarifas".
No médio prazo, segundo analistas ouvidos pela Folha, os democratas podem reduzir a autonomia de Trump na política comercial. Eles teriam como instrumentos audiências, investigações e mudanças na legislação. Já há projetos de lei que exigem autorização do Congresso para aplicar a Seção 301. O novo Congresso só toma posse em janeiro de 2027.
Negociação está parada
Analistas ouvidos pela Reuters e pela BBC não veem alívio imediato das tarifas com a mudança no Congresso americano.
Serviço para o exportador
Quem vende aos EUA deve conferir o código NCM do produto na lista tarifária do USTR para saber quais sobretaxas se aplicam.
Perguntas frequentes
A vitória democrata nos EUA derruba o tarifaço de 25%?
Não. A medida segue em vigor, pois é aplicada pela Seção 301, instrumento do Executivo que não depende de aval do Congresso.
Quando o Congresso americano pode mudar essa situação?
O novo Congresso só toma posse em janeiro de 2027, e já há projetos de lei que exigem autorização do Congresso para aplicar a Seção 301.
O que o exportador gaúcho deve fazer?
Conferir o código NCM do produto na lista tarifária do USTR para saber quais sobretaxas se aplicam ao seu item.
Qual a taxa máxima que pode incidir sobre alguns produtos?
Algumas fontes citam taxa total de até 37,5% para certos produtos, dependendo do enquadramento de cada item.
Saber mais: fontes consultadas (5)
- Poder360, Planalto conta com novo Congresso dos EUA como freio a Trump
- Gazeta do Povo, Vitória democrata nos EUA: os impactos e riscos para o Brasil
- Folha de S.Paulo (via Jornal de Brasília), Vitória democrata no Senado amplia pressão sobre tarifas de Trump ao Brasil
- Times Brasil, Vitória democrata nos EUA não acaba com tarifaço de Trump sobre o Brasil
- SpaceMoney, Vitória democrata limita novos tarifaços contra o Brasil
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