Vast prepara a Haven-1 para 2027; brasileiro quer levar minicérebros à estação privada
Neurocientista Alysson Muotri, da UC San Diego, é cotado para a missão, que ainda não tem data e depende de equipamentos de análise a bordo.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 12:13 · 2 min de leitura

A Vast, empresa espacial dos Estados Unidos, trabalha para lançar em 2027 a Haven-1, a primeira estação espacial comercial do mundo. Um dos cientistas cotados para embarcar é o brasileiro Alysson Muotri, professor da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD). Ele quer estudar o Alzheimer com minicérebros humanos em órbita. Muotri deu a informação nesta sexta (16), em vídeo mostrando um protótipo do laboratório, que fica em San Diego.
Muotri não tem vaga confirmada, e a missão que poderia levá-lo ainda está sendo desenhada. Segundo ele, o embarque depende de quando ficarem prontos os equipamentos de análise necessários a bordo.
Meta é lançar no primeiro trimestre de 2027
A Vast atualizou a meta: a Haven-1 deve estar pronta para lançar no primeiro trimestre de 2027.
O foguete contratado é o Falcon 9, da SpaceX, a partir de Cabo Canaveral, na Flórida.
A Vast ainda precisa concluir a integração e fazer testes ambientais no Neil Armstrong Test Facility, da Nasa, até o fim de 2026.
A estação é um módulo único, com 45 m³ de volume habitável, capacidade para quatro tripulantes e missões de duas semanas. A tripulação chega em uma cápsula Dragon, também da SpaceX. A primeira missão, chamada Vast-1, deve levar quatro astronautas por 30 dias. O astronauta francês Arnaud Prost, da Agência Espacial Europeia (ESA), já tem vaga confirmada em uma missão à Haven-1.
Diferentemente da Estação Espacial Internacional (ISS), mantida por um consórcio de países, a Haven-1 é privada. Laboratórios e empresas poderão contratar espaço para seus experimentos, em compartimentos lado a lado. Dentro, a estação tem camas infláveis que prendem o corpo durante o sono, paredes lisas e barras de apoio para circular flutuando.
O que Muotri quer estudar
Muotri dirige o programa de células-tronco da UCSD. Seu laboratório cria organoides cerebrais, os minicérebros, a partir de células adultas reprogramadas. Essas estruturas reproduzem parte do desenvolvimento do cérebro de um bebê em formação. O plano é cultivá-las, amadurecê-las e envelhecê-las na estação e depois trazê-las de volta à Terra para análise.
Segundo o pesquisador, o ambiente espacial acelera o envelhecimento dos minicérebros. Um estudo sobre isso deve sair nas próximas semanas. A primeira leva de experimentos deve mirar doenças neurodegenerativas, sobretudo o Alzheimer.
Também irão para a órbita moléculas da biodiversidade amazônica selecionadas por povos originários. A hipótese é que algumas ajudem a tratar essas doenças ou protejam os neurônios.
A Vast tem como próximo passo a campanha de testes ambientais da Haven-1 na instalação da Nasa, em Ohio, prevista até o fim de 2026. A data do lançamento em 2027 e a definição da tripulação da Vast-1 dependem do resultado dessa etapa.
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