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Trump anuncia 'cessar-fogo energético', mas Rússia não confirma e Kiev pede detalhes

Anúncio vem após acordo EUA-Rússia sobre diesel e não traz prazo, alcance nem forma de verificação.

Redação Bairrista · 11 de outubro de 2026 às 15:28 · 3 min de leitura

Trump anuncia 'cessar-fogo energético', mas Rússia não confirma e Kiev pede detalhes
Imagem: Bairrista/IA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (11) um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia. Ele escreveu que a medida estava em vigor com efeito imediato e que as duas partes haviam concordado. Até a publicação, o anúncio não era um acordo confirmado pelos dois lados.

Para o RS, o assunto pesa no preço do diesel, combustível central para o transporte de cargas e para o agro gaúcho, e se liga à alta global do produto. Moscou não comentou o anúncio, e a Casa Branca não esclareceu a publicação do presidente. Kiev diz que apoia a trégua, mas que soube dela pelo próprio anúncio.

O que Kiev diz e o que falta saber

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ao site Axios que não sabia de acordo algum. Pediu que informassem quando a trégua começa e afirmou que a Ucrânia está pronta para aceitá-la. Em publicação no X, escreveu que a Ucrânia apoia o cessar-fogo, que é importante a Rússia apoiá-lo também e que Kiev aguarda detalhes do lado americano.

Em entrevista exibida no mesmo dia, Zelensky disse que Kiev está pronta para parar de atacar refinarias russas se Moscou interromper os ataques ao sistema de energia ucraniano. Ele pediu que Trump pressione o Kremlin a concordar.

Duração, alvos incluídos e mecanismo de verificação não foram divulgados. A Casa Branca não detalhou o cessar-fogo, e a resposta dos EUA às dúvidas de Kiev não foi confirmada até a publicação.

Rússia atacou duas usinas depois do anúncio

Segundo autoridades ucranianas, a Rússia atacou neste domingo uma usina termelétrica em Kharkiv, a CHP-5, que foi atingida ao menos duas vezes e pegou fogo. Zelensky confirmou em comunicado o ataque a essa usina e a outra em Kiev, e disse que ocorreram depois do anúncio de Trump. A versão russa sobre esses ataques não foi confirmada até a publicação.

Não é a primeira vez. Trump fez um anúncio semelhante cerca de um mês atrás, e os dois lados seguiram atacando instalações de energia um do outro.

Sobre a posição de Moscou, o registro público mais recente é anterior ao anúncio. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse em 8 de outubro que a Rússia não via sentido em negociar um cessar-fogo setorial, segundo o Kyiv Independent.

Anúncio vem dois dias depois do acordo do diesel

Na sexta-feira (9), Trump disse que Vladimir Putin aceitou fornecer de imediato mais de 300 mil toneladas de diesel, seguidas de 500 mil em novembro e 1 milhão em seguida. O Tesouro americano, por meio da OFAC, emitiu uma licença geral temporária que autoriza a venda e a importação de diesel de origem russa até 7 de abril de 2027.

Autoridades ucranianas e europeias reagiram ao acordo com desalento, dizendo que ele ajuda a financiar a guerra russa. Nos últimos dias, Trump tem pressionado Zelensky a parar de atacar a infraestrutura energética russa e tenta atribuir o diesel recorde nos EUA à Ucrânia, e não à guerra no Irã, que elevou os preços mundiais de energia.

Diesel S-10 está a R$ 7,35 no Brasil; não há projeção para o RS

Até a publicação, não foi encontrada projeção oficial de efeito do anúncio sobre os preços no Brasil ou no RS. Segundo o site CoinDesk, os mercados ainda não tinham reagido de forma relevante.

Entre 27 de setembro e 3 de outubro, o preço médio do diesel S-10 no Brasil foi de R$ 7,35 por litro, segundo painel da Petrobras com dados da ANP. Em 17 de setembro, a Petrobras elevou em R$ 1 por litro o preço do diesel vendido às distribuidoras, mas uma subvenção federal de mesmo valor anulou o reajuste, e o preço líquido cobrado pela estatal ficou inalterado. A estatal afirma que sua estratégia comercial parte da premissa de não repassar a volatilidade dos preços internacionais.

O Bairrista acompanha a resposta de Moscou e os próximos levantamentos semanais da ANP.

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