The Economist diz que mercado tem razão e cobra de Lula ministro da Fazenda crível
Revista britânica aponta dívida alta, gastos e promessas sem fonte de receita como motivos da queda da Bolsa, e o dólar a R$ 5,44 já pesa em viagens, importados e insumos.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

A revista britânica The Economist publicou, depois da eleição, uma análise em que afirma que os investidores têm motivos para temer o novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto, reproduzido pelo Estadão e divulgado neste sábado (31), diz que o Brasil corre risco de crise fiscal e recessão se o presidente reeleito não mudar a condução da política econômica. O alerta é da revista britânica, em análise publicada após a vitória do petista e reproduzida pelo Estadão.
O recado chega com a Bolsa no vermelho. O Ibovespa fechou a semana encerrada na sexta (30) com queda de 18,12%, aos 167.921,80 pontos, e o dólar comercial subiu cerca de 9% no período, a R$ 5,446.

O que a revista cobra de Lula
Para a The Economist, Lula precisará demonstrar compromisso com a disciplina fiscal, começando pela escolha de um ministro da Fazenda que transmita confiança ao mercado e por um plano consistente para controlar as contas públicas. Entre as medidas apontadas estão limites para os gastos, revisão de benefícios tributários a empresas e controle das despesas previdenciárias, em especial com aposentadorias de servidores e militares.
A publicação também aponta receio de gastos públicos excessivos e dúvidas sobre a disciplina fiscal. Lula ainda não anunciou quem comandará a Fazenda.
Por que o mercado reagiu com tanta força
Os investidores estavam posicionados para outro resultado. Lula venceu o segundo turno, em 25 de outubro, com 51,8% dos votos, segundo o TSE.
No primeiro pregão depois do resultado, na segunda (26), o Ibovespa despencou mais de 13%, enquanto o dólar e os juros futuros dispararam. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em quedas bruscas, algo que não ocorria desde o início da pandemia.
O temor central é a dívida. A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, somando R$ 11,1 trilhões. O mercado teme que o governo amplie gastos sem apresentar receitas para compensar.
O que muda no bolso do gaúcho
Dólar mais caro tende a encarecer o que depende de moeda estrangeira. Isso vale para viagens internacionais e produtos importados vendidos no RS.
Juros futuros em alta podem encarecer o crédito para famílias e empresas. Exportadores gaúchos, como os de soja e carne, recebem mais reais por dólar vendido, mas enfrentam custos também dolarizados. Não há, até aqui, estimativa oficial do impacto sobre preços no Rio Grande do Sul.
Recuperação depende de sinais do governo
Analistas ouvidos pela imprensa financeira não veem alívio automático. Rajeev De Mello, diretor de investimentos da Gama Asset Management, disse que as expectativas frustradas devem pressionar ações, títulos e o real. Em outra avaliação reproduzida pelo InfoMoney, é improvável que o mercado dê a Lula o benefício da dúvida.
Os próximos marcos são a definição da equipe econômica e a apresentação de um plano fiscal. Não há data para nenhum dos dois.
Serviço: o dólar e o Ibovespa podem ser acompanhados diariamente nos sites do Banco Central e da B3. O BC divulga o boletim Focus, com as projeções do mercado, toda segunda-feira.
Saber mais: fontes consultadas (3)
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