Segunda dose da vacina do sarampo está abaixo da meta em 344 dos 497 municípios do RS
Cobertura estadual é de 76,36%, contra 92,37% da primeira dose; o RS não registrou casos em 2026, mas as Américas passam de 55 mil.
Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 3 min de leitura

Dos 497 municípios gaúchos, 344 não chegam à meta de 95% de cobertura da segunda dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Os dados são do Ministério da Saúde e vão até agosto de 2026. No Estado, a segunda dose está em 76,36%. A primeira chega a 92,37%.

A diferença entre as duas doses é de 16 pontos percentuais. Com cobertura abaixo de 95%, o vírus que chega de fora encontra mais gente desprotegida para circular.
Primeira dose vai bem, segunda fica para trás
A chefe substituta da seção de imunizações do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Isabela Castro, atribui a queda a um conjunto de fatores. Ela cita a desinformação e a ideia de que a criança já está protegida com uma dose só. Cita também a necessidade de os profissionais de saúde falarem de vacina em qualquer consulta.
Segundo Isabela, o Cevs orienta as equipes a conferir a caderneta em todo atendimento e a procurar quem não se vacinou. A busca deve ser reforçada no fim do ano, quando aumenta o trânsito de pessoas entre regiões. Ela afirma que o Estado tem doses suficientes para completar o esquema.
O Cevs também alerta que, em alguns municípios, a cobertura real pode ser maior do que a mostrada na plataforma federal, por falhas de registro ou referências incorretas. O problema aparece nos extremos: um levantamento com dados do Ministério da Saúde de janeiro a agosto aponta Capela de Santana, no Rio Grande do Sul, com a menor taxa nacional da segunda dose, 1,98%.
O quadro não é só gaúcho. No país, 3.589 das 5.570 cidades ficaram abaixo de 95% na segunda dose. A cobertura nacional é de 94,66% na primeira dose e 79,78% na segunda.
RS não tem casos em 2026, mas o vírus circula nas Américas
A Secretaria Estadual da Saúde informou que o RS não registrou casos de sarampo em 2026. Os últimos casos confirmados no Estado foram em 2024 e 2025, ambos importados, sem transmissão a outras pessoas e sem óbitos.
Fora daqui, o cenário é de alerta: as Américas somavam mais de 47 mil casos e 44 mortes até julho de 2026, segundo a Secretaria Estadual da Saúde.
O Brasil teve 52 casos importados até 5 de outubro, segundo o Ministério da Saúde: 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro. Na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, o ministério informou vacinação, busca ativa, investigação de suspeitas, coleta de amostras, acompanhamento de contatos e bloqueio vacinal.
O pediatra João Paulo Capelari, do setor de Controle de Infecção e Infectologia Pediátrica da Santa Casa de Porto Alegre, diz que a cobertura abaixo do ideal mantém o risco de surtos. Capelari afirma que o objetivo é impedir que um caso importado transmita o vírus na comunidade. O sarampo é transmitido pelo ar e não tem tratamento específico. Crianças menores de cinco anos e pessoas com imunidade comprometida estão no grupo de maior risco.
Serviço: como atualizar a vacina
A primeira dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses, e a segunda, aos 15 meses. A vacina é gratuita no SUS, nas unidades básicas de saúde. Basta levar a caderneta de vacinação. Adolescentes e adultos com esquema incompleto também devem procurar a unidade para completar as doses. Quem tiver febre e manchas vermelhas pelo corpo deve evitar contato com outras pessoas e procurar atendimento. A suspeita de sarampo é de notificação obrigatória à vigilância municipal em até 24 horas.
Perguntas frequentes
Quando tomar a segunda dose da tríplice viral?
A segunda dose é aplicada aos 15 meses, e a primeira, aos 12 meses. A vacina é gratuita no SUS, nas unidades básicas de saúde, basta levar a caderneta.
Qual a meta de cobertura da segunda dose?
A meta é de 95% de cobertura. No RS, a segunda dose está em 76,36%, e 344 dos 497 municípios estão abaixo da meta.
Adultos com esquema incompleto podem se vacinar?
Sim. Adolescentes e adultos com esquema incompleto também devem procurar a unidade básica de saúde para completar as doses.
O que fazer diante de suspeita de sarampo?
Evitar contato com outras pessoas e procurar atendimento. A suspeita é de notificação obrigatória à vigilância municipal em até 24 horas.
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