Protestos contra a vida cara reúnem 410 mil na França; quase mil são detidos
A CGT fala em 800 mil nas ruas e convoca nova greve para 5 de novembro, enquanto o governo vê cortejos "bem passados" apesar dos confrontos à noite.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Centenas de milhares de pessoas foram às ruas da França no sábado (24) contra a carestia e a desigualdade. O Ministério do Interior calculou 410 mil participantes no país, e a central sindical CGT estimou quase 800 mil. À noite, os atos pacíficos deram lugar a conflitos. Houve choques em Paris e Marselha, apesar de uma grande operação de segurança para evitar a repetição da violência da semana anterior.

Não há efeito direto conhecido sobre o Rio Grande do Sul. O protesto mostra como o custo de vida pressiona o governo de uma das maiores economias da Europa.
Paris reuniu 110 mil, segundo o governo
Na capital, a CGT contou 250 mil manifestantes, e as autoridades, 110 mil. O Ministério do Interior registrou 289 ações em todo o território. No sábado anterior (17), mais de meio milhão de pessoas foram às ruas. A CGT diz que o total de sábado igualou o da semana anterior.
Os atos reuniram sindicatos e estudantes. Entre as demandas dos estudantes estão 200 euros a mais por mês em bolsas e o congelamento dos aluguéis em moradias estudantis públicas. Os manifestantes também protestam contra o financiamento das escolas e a alta do custo de vida.
Gás lacrimogêneo e canhões d'água em Paris
Perto do ponto final da marcha parisiense, na Porte de Vincennes, alguns manifestantes lançaram projéteis, e a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões d'água. O governo mobilizou cerca de 70 mil policiais e gendarmes.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que os cortejos "se passaram bem", mas informou perto de mil detenções em balanço oficial divulgado no fim da tarde. Ele avisou que o número deve aumentar de forma significativa. Em Paris, a Prefeitura de Polícia contabilizou 142 detenções e 120 pessoas em custódia até a manhã de domingo.
Nuñez também informou que duas pessoas ficaram gravemente feridas, uma em Toulouse e outra em Clermont-Ferrand.
Semana anterior teve saques
O sábado anterior foi mais tenso. Cerca de 3 mil lojas pelo país foram danificadas ou saqueadas no fim de semana, em uma onda de violência de rua que a França não via havia anos.
A CGT convocou nova jornada de greve e manifestações para 5 de novembro.
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