Professores da UPF e da Atitus alertam para deepfake e bullying escolar com IA
Em debate do programa Sem Segredo, a secretária de Inovação de Passo Fundo, Bárbara Fritzen, também apontou o gasto de água e energia por trás da tecnologia.
Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 3 min de leitura

Professores da Universidade de Passo Fundo (UPF) e da Universidade Atitus e a secretária de Inovação de Passo Fundo, Bárbara Fritzen, debateram no sábado (24), no programa Sem Segredo, da Rádio Uirapuru, o avanço da inteligência artificial (IA). Entre os riscos listados estão as deepfakes, o bullying escolar feito com imagens manipuladas e o custo ambiental dos data centers.
Para quem tem filho na escola ou usa o celular todo dia, o recado é direto: a IA já está no bolso, e muita gente nem percebe.
A IA já está no celular, e poucos notam
O professor Marcos Brusso, da UPF, citou o desbloqueio do celular por reconhecimento facial e o algoritmo que escolhe o que aparece no streaming como exemplos de IA. Segundo ele, o conceito é adaptado desde os anos 1940 e ganhou cara nova com os sistemas generativos, como ChatGPT e Gemini.
Natan Klein, professor de Inteligência Artificial e Análise de Dados da Atitus, chamou atenção para os modelos "não censurados", que geram imagens e vídeos sem restrição, e para o avanço do bullying nas escolas por meio de deepfakes. Ele também alertou para aplicativos que editam fotos. Quem não lê os termos de uso pode entregar a própria imagem a desconhecidos, que podem usá-la para treinar uma IA capaz de se passar por essa pessoa em vídeo.
Brusso ligou o tema à eleição. "Estamos no meio de um momento crítico, com campanha acirrada, e está rolando deepfake", disse, ao afirmar que o público comum talvez não saiba distinguir o falso do verdadeiro.
Aprendizado exige erro, diz professor
Na educação, Klein afirmou que o aprendizado é lento e exige errar. Se a IA facilita demais, disse ele, o aluno não aprende. Para o professor, o papel humano passa a ser o de "orquestrador": quem coordena as ferramentas, mas precisa entender como funcionam. Ele citou ainda ganhos na saúde, como transcrição de atendimentos e análise de risco.
Fritzen, que é engenheira ambiental, afirmou que as startups já usam IA em alguma tarefa e citou o Smart Sampa, de São Paulo, que emprega reconhecimento facial para localizar foragidos e apoiar medidas protetivas a mulheres. Ela disse que poucas pessoas conhecem o consumo de água para refrigeração e de energia dos data centers e defendeu "letrar" a população sobre isso.
Data centers já são pauta na Assembleia
O assunto já chegou ao Legislativo gaúcho. O megaprojeto de data centers em Eldorado do Sul, anunciado pelo governador Eduardo Leite em novembro de 2024, levou a Assembleia a criar uma subcomissão. No relatório apresentado em março, o deputado Matheus Gomes (Psol) afirmou que, num sistema fechado, o consumo de água pode chegar a 0,9 piscina olímpica por dia e, num sistema aberto, a até 31. Com base no relatório, Gomes protocolou um projeto de lei para regulamentar a instalação desse tipo de unidade no estado.
Em Brasília, o PL 5.209/2026, apresentado em 28 de agosto, busca prevenir e compensar impactos socioambientais de data centers, com atenção ao consumo de água e energia elétrica.
Perguntas frequentes
Quais são os riscos da deepfake para alunos?
Professores alertam para o uso de imagens manipuladas por IA no bullying escolar, e para aplicativos de edição de fotos que podem ceder a imagem a desconhecidos se os termos de uso não forem lidos.
Quanto de água um data center pode gastar?
Segundo o relatório do deputado Matheus Gomes, um sistema fechado pode consumir até 0,9 piscina olímpica por dia, e um sistema aberto, até 31.
Saber mais
- Rádio Uirapuru – Inteligência artificial: entre o cotidiano invisível e os riscos que exigem reflexão
- Rádio Uirapuru – Sem Segredo pergunta: você acredita que a IA é capaz de agir sozinha e fugir do controle?
- Brasil de Fato – Relatório de subcomissão da Assembleia aponta impactos de data centers no RS
- Rádio Pampa – Deputado gaúcho propõe regras para instalação de data centers no RS
- Cescon Barrieu – Projeto de Lei nº 5209/2026 e o licenciamento ambiental de centros de dados
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