PNUD vê 130 milhões em risco de pobreza em 2026 com energia e comida mais caras
Chefe do órgão da ONU diz que países em desenvolvimento já gastam 9,5% da receita com juros e que o El Niño ainda pode agravar o quadro até o início de 2027.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 03:38 · 2 min de leitura

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) calcula que cerca de 130 milhões de pessoas podem cair na pobreza em 2026 se os aumentos de energia e alimentos forem repassados integralmente à população, sem subsídios. O alerta consta de um novo relatório do órgão. O administrador do PNUD, Alexander De Croo, repetiu a estimativa em entrevista à AFP nesta quinta (15), à margem das reuniões do FMI e do Banco Mundial em Bangkok.
O número é um cenário, não uma contagem de pobres novos. Até agora, os países em desenvolvimento seguraram parte do impacto com subsídios a combustíveis fósseis, tetos de preço, desonerações e controle de demanda.
Segundo o PNUD, essas medidas estão ficando mais difíceis de sustentar.
Juros altos tiram margem dos governos
Os combustíveis ficaram mais caros desde que os Estados Unidos iniciaram a guerra contra o Irã, no fim de fevereiro. Os ataques iranianos a aliados de Washington no Golfo afetaram a oferta de petróleo e gás. Para De Croo, os governos não tiveram tempo de se recuperar de uma crise antes de enfrentar outra. "É preciso consertar o telhado enquanto a casa pega fogo", disse à AFP.
O PNUD afirma que o país em desenvolvimento mediano gasta cerca de 9,5% da receita com juros. É o maior nível em 25 anos e mais de três vezes o de países ricos.
O órgão aponta consequências particularmente graves na África subsaariana e no Sul e Leste da Ásia.
El Niño pode piorar o cenário
O PNUD também alerta para o El Niño deste ano. Segundo o órgão, o fenômeno deve ser o mais intenso já registrado e ameaça colheitas e sistemas alimentares na África, na Ásia e na América Latina.
A previsão é de enchentes, secas e outros eventos extremos, com pico estimado para o início de 2027.
A América Latina, onde fica o Rio Grande do Sul, está entre as regiões citadas. O relatório não traz estimativa para o Brasil nem para o estado. Para quem vive aqui, o efeito mais direto deve vir pelos preços de energia, transporte e insumos, que dependem do mercado internacional.
O que vem a seguir
De Croo pediu "solidariedade e ação global" antes das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangkok. Ele afirmou que muitos países estão mudando suas políticas e deixando os aumentos chegarem ao consumidor por falta de espaço fiscal.
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