PF prende 20 em operação contra internet do Comando Vermelho e bloqueia R$ 558 milhões
Mãe e irmão do rapper Oruam e um vereador do Rio estão entre os presos; a PF diz que a cobrança do serviço chegou a render mais de 40% da arrecadação da facção na Penha.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda (19) a Operação Backbone contra um esquema de exploração ilegal de internet atribuído ao Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Foram expedidos 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Rio, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. A ação resultou em 20 prisões preventivas e no bloqueio de bens e valores em até R$ 558 milhões, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o leitor gaúcho, o caso mostra como uma facção de alcance nacional transforma um serviço do dia a dia em fonte de receita e esconde o dinheiro em empresas. Segundo a PF, o grupo lavava o dinheiro por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro e criptoativos. A PF não informou se o modelo se repete em outros estados.
Quem foi preso
Entre os presos estão Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam, além do vereador do Rio Fábio Silva (Podemos). O parlamentar foi localizado em Londrina, no Paraná. A investigação o aponta como dono e beneficiário de provedores de internet ligados ao esquema. Em nota, o vereador negou as acusações e qualquer ligação com práticas ilícitas. Sua defesa disse que ainda não teve acesso aos autos.
Um mandado também foi cumprido contra Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai de Oruam, que já estava preso. Segundo as apurações da PF, mesmo custodiado no Sistema Penitenciário Federal, ele seguia gerenciando atividades financeiras e empresariais com ajuda de parentes e operadores. Não há informação de que Oruam seja investigado no inquérito.
Dos 23 mandados de prisão, três alvos seguiam foragidos, e a PF não divulgou seus nomes.
Como funcionava o monopólio
De acordo com a PF, a facção impõe o monopólio da oferta de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte do Rio, com armas e ameaças contra moradores. Criminosos armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de provedores concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar o serviço controlado pela facção.
Em um único mês, a cobrança respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo no Complexo da Penha, segundo a PF. O esquema também alimentava disputas territoriais, já que cada área conquistada ampliava a base de clientes obrigados a pagar.
Empresas e bloqueio de bens
O bloqueio atinge 40 pessoas físicas e 42 empresas, que tiveram as atividades econômicas suspensas. Entre elas há provedores de internet, produtoras de eventos, firmas de contabilidade e empresas de fachada. De acordo com a PF, as empresas investigadas atuavam na arrecadação e na movimentação do dinheiro obtido com a exploração da internet.
Os investigados poderão responder por domínio social estruturado, extorsão majorada, lavagem de capitais, exploração clandestina de telecomunicações, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública e interrupção de sinal telemático.
O que vem agora
A Anatel será oficiada para cassar as outorgas e interditar os serviços das empresas, e deverá adotar providências para garantir a continuidade da internet aos moradores. A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela PF no Rio. As investigações seguem para esclarecer a participação dos suspeitos e identificar os beneficiários dos recursos.
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