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Pesquisadores coletam água e sedimentos em 12 pontos da Lagoa Mirim a partir de Pelotas

Coletas preliminares já apontaram coliformes fecais perto de cidades e fósforo perto de lavouras; a expedição de quatro a seis dias também alimenta o debate sobre a hidrovia.

Redação Bairrista · 13 de outubro de 2026 às 05:18 · 2 min de leitura

Ilustração: barco de pesquisa navegando na Lagoa Mirim, com a margem ao fundo, durante coleta de água e sedimentos
Imagem: Bairrista/IA

A primeira campanha embarcada do SOMA-Mirim, o Sistema de Observação e Monitoramento Ambiental da Lagoa Mirim, parte do Iate Clube de Pelotas. O barco vai recolher água e sedimentos em 12 pontos, quatro deles no canal São Gonçalo. O roteiro passa por áreas próximas a Santa Isabel, Jaguarão e Santa Vitória do Palmar. A expedição deve durar de quatro a seis dias, conforme o tempo.

Para quem vive na região, o que está em jogo é a água que abastece a população, irriga as lavouras e sustenta a pesca. A lagoa serve à navegação, à irrigação, principalmente de arroz, e a atividades de pecuária nas margens. Muitas comunidades dependem da bacia para o abastecimento residencial de água e para atividades como agricultura, pesca e aquicultura.

Os professores Osmar Möller, da Furg, e Marcelo Alonso, da UFPel, deram as informações em entrevista.

O que as coletas das margens já mostraram

O SOMA-Mirim é um projeto binacional. Reúne universidades brasileiras e instituições do Uruguai, com colaboração recente da Argentina. Monitora a qualidade da água, a circulação hídrica, a meteorologia e a qualidade do ar. A meta é entender como as mudanças climáticas e as atividades humanas no entorno afetam a resiliência da lagoa.

Hoje as coletas são mensais e feitas nas margens. Nelas, os pesquisadores encontraram índices elevados de coliformes fecais perto de áreas urbanas. Também registraram concentrações altas de fósforo perto de áreas agrícolas.

A campanha embarcada vai levar o diagnóstico para dentro da lagoa. Haverá amostras do centro da Lagoa Mirim e análise de sedimentos, para entender os processos físicos e químicos do sistema.

Segundo Alonso, a Mirim é pouco estudada em relação à sua resiliência. "A campanha embarcada vai justamente ser a cereja do bolo", afirmou.

Hidrovia entra na conta

Os pesquisadores relacionam o trabalho às discussões sobre o uso da lagoa como hidrovia. Möller defende que a hidrovia seja considerada para o transporte de cargas. Ele também cita a aquicultura como possibilidade, desde que o uso dos recursos naturais venha com atenção aos impactos ambientais. "A gente não pode maltratar isso", disse.

O governo federal abriu em 1º de abril as propostas da licitação para a dragagem da hidrovia e a sinalização náutica, com investimento estimado em R$ 52,7 milhões. O trecho previsto soma cerca de 140 quilômetros e liga áreas de Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e Pelotas. Hoje a lagoa não tem condições de navegação comercial.

As coletas mensais nas margens continuam enquanto o barco estiver na água.

Perguntas frequentes

De onde parte a expedição do SOMA-Mirim?

A primeira campanha embarcada parte do Iate Clube de Pelotas.

Quantos pontos da Lagoa Mirim serão coletados?

Serão 12 pontos de coleta de água e sedimentos, quatro deles no canal São Gonçalo.

Quanto tempo dura a expedição na Lagoa Mirim?

Deve durar de quatro a seis dias, conforme o tempo.

O que as coletas nas margens já encontraram?

Índices elevados de coliformes fecais perto de áreas urbanas e concentrações altas de fósforo perto de áreas agrícolas.

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