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ONU alerta que El Niño pode agravar a fome de 50 milhões; RS já planta soja sob chuva

Tom Fletcher fez o alerta em Genebra ao lado da OMM, que prevê anomalia de 3,8°C no Pacífico entre novembro e janeiro, acima do recorde anterior de 2,6°C.

Por que afeta o RS: O El Niño costuma afetar a safra e o regime de chuvas no Sul do Brasil, com possível reflexo na produção agrícola e nos preços de alimentos no estado.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Foto: ONU alerta que El Niño pode agravar a fome de 50 milhões; RS já planta soja sob chuva
Foto: Thorkild Tylleskar / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, alertou nesta quarta (21), em Genebra, que cerca de 50 milhões de pessoas podem enfrentar fome mais intensa por causa do El Niño. Ele falou ao lado da secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo. Fletcher citou também conflitos e deslocamentos, alta de combustíveis, fertilizantes e alimentos e cortes na ajuda humanitária.

No Rio Grande do Sul, a safra de verão 2026/27 já começa com excesso de chuva, e o El Niño pode prolongar o cenário. No informativo conjuntural de 15 de outubro, a Emater/RS-Ascar informou que, na região de Santa Rosa, cerca de 6% dos 786.234 hectares projetados de soja tinham sido semeados. Chuvas frequentes, solo encharcado e dificuldade de entrar com máquinas atrasam o trabalho. No arroz irrigado, cerca de um terço da área prevista no estado estava semeada, com mais avanço na Fronteira Oeste e no Sul.

O que a ONU e a OMM projetam

Fletcher chamou o El Niño de "wrecking ball" (bola de demolição) e disse que ele vai atingir América Latina, leste e sul da África, Ásia e Pacífico. Ele afirmou que o dano não ficará restrito aos países na linha de frente. Segundo ele, o fenômeno vai gerar choques econômicos para a economia global e alimentar conflitos, deslocamentos e migração.

A OMM prevê que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical suba até 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O recorde anterior é de 2,6°C, registrado entre novembro de 2015 e janeiro de 2016. O pico deve ocorrer em dezembro, com efeitos que podem se estender por 2027. Para a América Latina, a OMM aponta possibilidade de mais chuva.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) avalia que o excesso de chuva e a umidade elevada no Sul aumentam o risco de encharcamento do solo, doenças fúngicas, perda de qualidade dos grãos e dificuldade nas operações de manejo e colheita. O órgão cita o primeiro levantamento da safra 2026/27 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab): a produção brasileira de trigo é estimada em cerca de 5,73 milhões de toneladas, queda de 27,2% sobre a safra 2025/26.

Dinheiro de emergência e o prazo de duas semanas

Fletcher disse que as próximas duas semanas são a janela crítica para agir. Segundo ele, Somália, Etiópia e Quênia precisam de suprimentos antes das chuvas fortes, e o sul da África precisa de sementes e apoio à pecuária. A América Central precisa de ajuda para proteger meios de vida. O Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU liberou mais de US$ 50 milhões para preparação em 11 países, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul. Ele pediu que governos e bancos de desenvolvimento liberem recursos antes que o estrago aconteça.

Para a safra gaúcha, a Emater/RS-Ascar projeta colheita de 21,1 milhões de toneladas de soja em 2026/27. Para o milho, a estimativa é de 6,9 milhões de toneladas, ante 6,4 milhões em 2025/26. A Emater atualiza o andamento do plantio em informativos conjunturais semanais.

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