Netanyahu manda evacuar bairro de Hebron e promete operação ampla na Cisjordânia
Cerco atinge Hebron, cidade com mais de 200 mil habitantes, e Halhul; Israel vota na terça (27).
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta (23) uma operação militar de grande escala na Cisjordânia ocupada. Ele disse ter ordenado a retirada dos moradores do bairro de Hebron onde viviam os atacantes, antes de uma varredura casa a casa em busca de armas. O anúncio veio depois de um ataque a tiros que matou dois soldados israelenses.
A medida atinge uma cidade grande. Netanyahu mandou o Exército cercar Hebron, que tem mais de 200 mil habitantes. O cerco vale também para Halhul, e Israel disse que avalia estender o modelo a outras cidades. O governo israelense não divulgou o nome do bairro nem quantas famílias serão removidas.
O ataque e as primeiras demolições
O Exército informou que dois soldados morreram no tiroteio em um posto de controle perto de Hebron. Eles foram identificados como o primeiro-sargento Ron Yonatan Roytman, de 23 anos, de Ashkelon, e o sargento Yuval Shai Svilem, de 20, de Hod Hasharon. Outros três soldados ficaram levemente feridos, e os dois atacantes foram mortos, segundo o Exército.
As forças de segurança israelenses identificaram os atiradores como dois homens de 27 anos, da mesma família. O Hamas elogiou o ataque como "heroico", mas não assumiu a autoria. Os números e a identificação das vítimas e dos agressores partem de autoridades israelenses.
Uma repórter da agência Reuters viu escavadeiras israelenses começarem a demolir casas em Hebron, perto do local do tiroteio. Moradores disseram que os imóveis não tinham ligação com os atacantes. As demolições começaram depois de o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, dizer nas redes sociais que ordenara a derrubada imediata de prédios palestinos perto do local do ataque.
Modelo de Jenin e escala inédita desde 1967
O ministro da Defesa, Israel Katz, escreveu no X que o modelo do campo de refugiados de Jenin chegava a Hebron. Segundo ele, todo bairro de clã de onde saíram os atacantes seria esvaziado, e a infraestrutura "terrorista" seria desmontada.
Netanyahu disse que ele e Katz acompanharam o planejamento de uma operação mais ampla na Cisjordânia, em escala nunca vista desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Segundo ele, Israel definirá o momento, "mas ela vai acontecer".
O precedente são as operações no norte da Cisjordânia. A ofensiva "Muralha de Ferro", lançada em janeiro de 2025, deslocou à força dezenas de milhares de pessoas em vários campos de refugiados, segundo o escritório de direitos humanos da ONU. Em julho deste ano, 33.362 refugiados palestinos dos três campos (Jenin e dois em Tulkarem) ainda não tinham permissão para voltar, de acordo com a ONU.
Eleição na terça (27)
Os israelenses vão às urnas na terça para decidir se dão a Netanyahu mais um mandato como primeiro-ministro. Até a publicação, a Autoridade Palestina, a ONU e o governo brasileiro não tinham divulgado posição sobre o anúncio.
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