Moraes manda bloquear até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz e suspende suas empresas
Ministro do STF também cancelou os passaportes do advogado, que foi alvo da Operação Sem Desconto em agosto, e quebrou o sigilo de quatro empresas.
Por que afeta o RS: Descontos indevidos no INSS atingem aposentados e pensionistas gaúchos, dependentes de benefícios da Previdência.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou na sexta-feira (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado Willer Tomaz. Ele também ordenou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial, a suspensão dos passaportes e a paralisação das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as empresas do advogado.
A Polícia Federal (PF) investiga Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em negócios com bets. Ele também é alvo, desde agosto, de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, benefício pago a aposentados e pensionistas de todo o Rio Grande do Sul. Nenhuma das informações públicas sobre a decisão aponta empresa ou beneficiário gaúcho específico.
O que a decisão determina
O valor bloqueado se refere a bens móveis, imóveis, aviões e barcos. Moraes mandou os bancos enviarem, em 24 horas, informações sobre as contas do advogado. O Coaf, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) serão comunicados para executar os bloqueios.
A quebra de sigilo atinge nominalmente as empresas Alcazar Brasil Ltda, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral - Holdings SGPS. A decisão tramita sob segredo de Justiça, e o número do processo não foi divulgado.
O ministro também mandou cancelar os passaportes. A PF descobriu que Tomaz viajou para Miami, nos Estados Unidos, depois da busca e apreensão de agosto.
O elo com o INSS e as apostas
Em agosto, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou a busca e apreensão contra Tomaz na Operação Sem Desconto. Segundo a PF, a ação teve como base indícios de que o advogado atuava como "hub financeiro, patrimonial e logístico" de políticos, em lavagem de dinheiro para o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Reportagens indicam que a apuração sobre lavagem por meio de apostas começou na Justiça do Rio Grande do Sul e depois chegou ao STF.
A decisão desta semana ocorreu dias depois da divulgação de uma movimentação financeira bilionária de Tomaz em apostas esportivas. Moraes quer verificar quais correntistas estão vinculados às contas do advogado. A PF encontrou, na nuvem de Tomaz, um e-mail que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária conjunta com o advogado.
O que dizem os citados
A defesa de Tomaz classificou as medidas como desproporcionais e negou qualquer movimentação financeira de Flávio nas contas. Em setembro, depois da busca e apreensão, o advogado havia afirmado em nota que não é investigado na Operação Sem Desconto e não tem vínculo com o esquema de fraudes nos descontos previdenciários.
Flávio Bolsonaro disse em entrevistas que mantém apenas relações pessoais com Tomaz e nega relações comerciais com o advogado. A defesa do senador afirmou, em nota, que a relação se limita à amizade entre as famílias.
Os bancos têm 24 horas, a contar da ordem de sexta-feira (23), para entregar os dados das contas ao STF. Em seguida, Coaf, Banco Central e CVM executam os bloqueios.
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