Ouvidoria pede afastamento de PMs acusados de fazer presos vestirem camisa de Lula
Mãe de adolescente apreendido em Piracicaba diz que os jovens foram vestidos pelos policiais; a defesa dos PMs nega uso político, e a PM abriu investigação preliminar.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Ouvidoria da Polícia de SP pediu nesta quinta (22) o afastamento de PMs acusados de obrigar três jovens detidos em Piracicaba a vestir camisetas de apoio a Lula (PT). O órgão enviou ofício à Corregedoria da PM e cobrou informações sobre os procedimentos da ação. A abordagem ocorreu na manhã de quarta (21), na Comunidade Vitória Pantanal.
A acusação ainda não foi comprovada, e a versão dos policiais é outra. A Ouvidoria quer os PMs fora do serviço operacional até o fim das apurações. Não havia confirmação, até a última atualização consultada, de que o pedido tivesse sido atendido.
Mãe diz que PMs vestiram os jovens depois de rendidos
A PM prendeu dois adultos, de 21 e 24 anos, e apreendeu um adolescente de 17, sob suspeita de tráfico de drogas e posse de arma. O senador eleito Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança, publicou nas redes um vídeo com os três jovens. Os detidos aparecem com camisetas idênticas de apoio a Lula.
A mãe do adolescente disse a uma emissora de TV local que os jovens não vestiam aquelas roupas na abordagem. Segundo ela, os próprios PMs os obrigaram a vesti-las depois de rendidos. Duas mulheres da mesma comunidade também acusam policiais de intimidação na manhã daquele dia. Elas contam que um PM as coagiu a tirar camisetas parecidas com as dos detidos.
SSP abre investigação preliminar; defesa nega uso político
A advogada Joice Vanessa dos Santos, CEO da JV Advocacia Militar, de Bauru, defende os policiais. Ela afirma que a intervenção decorreu de denúncia ao 190 sobre tráfico e porte ilegal de arma, que resultou em apreensões oficiais. Santos repudia o que chama de uso político-eleitoral do caso e pede apuração imparcial, com presunção de inocência e devido processo legal.
Em nota, a Polícia Militar declarou que o caso será analisado em procedimentos oficiais de apuração. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que não compactua com desvios de conduta e pune com rigor os casos comprovados. Disse ainda que o Comando de Policiamento de Área 9, responsável pela região de Piracicaba, abriu investigação preliminar. Segundo a SSP, nenhuma delegacia da região recebeu registro ou relato formal das mulheres sobre os fatos.
PT aciona Procuradoria-Geral Eleitoral e ministério cobra SP
O PT acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral para investigar suposta manipulação política e abuso de autoridade por parte da PM paulista e de Derrite. A deputada estadual Professora Bebel (PT) esteve na comunidade e confirmou o envio do caso à Corregedoria e à Ouvidoria da PM.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu informações aos órgãos de segurança paulistas e a preservação de imagens e registros que ajudem a esclarecer o caso. A Defensoria Pública acompanha as audiências de custódia dos detidos.
Os próximos passos estão com a Corregedoria da PM, que deve responder ao ofício da Ouvidoria, e com a investigação preliminar do CPA-9. A Procuradoria-Geral Eleitoral ainda não informou se vai abrir apuração a partir do pedido do PT.
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