Messias defende no STF a MP que proibiu as bets e cita alta de 140% no SUS
Em audiência pública convocada pelo ministro Luiz Fux, o advogado-geral da União disse que a regulamentação anterior não protegeu as famílias, enquanto a ANJL pede a derrubada da medida.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu nesta terça (3), no STF, a constitucionalidade da MP 1.394/26, que proibiu as apostas de quota fixa no país. A fala aconteceu em audiência pública para discutir os impactos da proibição.
A medida vale para todo o território nacional, incluindo o Rio Grande do Sul. Ela mexe com o apostador gaúcho, já que também proíbe a publicidade das bets. Clubes de futebol estão entre os que contestam a proibição. A MP foi editada em 25 de setembro de 2026 e alcança também concessões e autorizações estaduais e distritais, segundo o Conselho Nacional de Saúde. Os dados do impacto específico no RS (patrocínios, empregos, arrecadação) não foram divulgados.

O que a AGU argumentou
Messias sustentou que a regulamentação anterior se mostrou insuficiente para proteger direitos fundamentais, como saúde pública, dignidade humana e proteção das famílias. Para ele, restrição de publicidade, fiscalização e controle não bastaram.
Ele defendeu que o Estado pode interromper uma atividade econômica quando ela compromete direitos fundamentais. "Sim, pode e deve agir quando os instrumentos de proteção se mostram insuficientes", afirmou.
A AGU citou um aumento de 140% nos registros do SUS relacionados ao jogo. O aumento vai de 2018 a 2025, segundo a manifestação do órgão. A AGU estima ainda que as apostas retiraram R$ 62,5 bilhões dos orçamentos familiares em 2025.
Sobre o endividamento, Messias reconheceu que ele tem múltiplas causas. Ele citou sinais de crescimento nas vendas de alimentos depois da proibição, mas ressalvou que os dados não comprovam relação causal.
Mercado clandestino e fiscalização
Messias admitiu o risco de expansão do mercado ilegal, mas disse que legalizar as plataformas não resolve a clandestinidade e que isso não obriga o Estado a manter a atividade autorizada. Ele afirmou que a União pretende combinar a proibição com fiscalização de plataformas, de publicidade e de meios de pagamento.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, também defendeu a MP. Segundo ele, o governo tentou alternativas à proibição, mas os impactos sociais e o avanço de atividades ilegais exigiram uma medida mais severa.
Ações no STF e próximos passos
A audiência foi convocada por Fux, relator da ADI 8.027. A ação foi ajuizada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que pede a declaração de inconstitucionalidade da MP e o reconhecimento da validade da lei das bets. As ADIs 8024, 8028 e 8035 também questionam a medida. O STF não divulgou data para o julgamento.
Ao encerrar, Messias reiterou a defesa integral da MP e pediu nova audiência pública, com representantes da sociedade civil, para discutir os efeitos socioeconômicos e sanitários da proibição. Cabe a Fux, como relator, decidir sobre o pedido.
Perguntas frequentes
A proibição das bets vale no Rio Grande do Sul?
Sim. A medida vale para todo o território nacional, incluindo o Rio Grande do Sul, e também proíbe a publicidade das bets.
Quando o STF deve julgar a MP das bets?
O STF não divulgou data para o julgamento da ADI 8.027.
Quem contesta a proibição das apostas?
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) pede a derrubada da medida, e clubes de futebol também estão entre os que contestam.
O que a AGU diz sobre o aumento de registros no SUS?
A AGU cita alta de 140% nos registros do SUS relacionados ao jogo, de 2018 a 2025.
Saber mais: fontes consultadas (6)
- Advogado-geral da União defende constitucionalidade de MP que proibiu bets (AGU)
- AGU defende no STF manutenção de eficácia da MP das bets (AGU)
- Medida Provisória nº 1.394, de 25 de setembro de 2026 (Diário Oficial da União)
- Volta das Bets é um perigo para a saúde pública (Conselho Nacional de Saúde)
- "Temos de cortar o mal pela raiz", diz Jorge Messias sobre as bets (Migalhas)
- AO VIVO: STF debate proibição das bets em audiência pública (Migalhas)
Do interior do RS
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