Médicos de UTI dão nota máxima a protocolos em 40,2% dos casos no privado e 23,1% no SUS
Inquérito da Amib com 2.338 médicos aponta notas negativas até quatro vezes mais frequentes nas UTIs públicas e cobra estruturação além de mais leitos.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

Médicos de UTI de todo o país dão notas mais altas ao setor privado do que à rede pública. É o que mostra o Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras, da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM). Foram ouvidos 2.338 médicos que atuam na assistência de alta complexidade.
Para quem depende do SUS, inclusive no RS, o recado é que a falta de leito é só parte do problema. A Amib defende políticas públicas que tratem a estruturação das UTIs como prioridade em vários aspectos, e não só na expansão do número de leitos.

Nota máxima é mais comum no privado
Os médicos deram notas de 0 a 5 para itens como infraestrutura, disponibilidade de leitos e medicamentos, nível de especialização da equipe, fluxos de paciente e protocolos. Na maioria dos itens, a nota positiva é duas vezes mais frequente nas UTIs privadas. As notas negativas chegam a ser quatro vezes mais frequentes nas públicas.
Um exemplo é o acesso a protocolos de atendimento e de conduta clínica. A rede SUS recebeu nota máxima de 23,1% dos participantes, e o setor privado, de 40,2%.
Na presença de equipe multiprofissional especializada, a nota máxima foi de 39,2% no privado e 23% no público. As notas mínimas foram de 24,8% no SUS e 13,8% no particular. O padrão se repetiu em 12 dos 13 aspectos avaliados. A exceção foi o de tarefas administrativas e burocráticas, com percepções próximas entre os dois setores.
Sul tem mais especialistas em UTI do que Norte e Nordeste
A distribuição dos profissionais também pesa. O Sul, onde está o RS, e o Sudeste têm maior concentração de médicos com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em Medicina Intensiva. Norte e Nordeste têm proporcionalmente mais profissionais sem RQE específico. O inquérito reúne médicos em 26 estados e no Distrito Federal.
Segundo a Amib, os profissionais do privado relatam melhores condições estruturais, mais insumos e processos assistenciais mais padronizados. Em nota, a entidade afirmou que as respostas, vistas em conjunto, mostram os problemas do atendimento pela ótica de quem cuida de pacientes graves.
O que a Amib fará com os dados
A associação informou que pretende levar o diagnóstico a gestores públicos e privados e a autoridades de fiscalização e controle. O país tem 43.901 leitos de UTI: 34.927 para adultos e 8.974 de pediatria e neonatologia.
Perguntas frequentes
Quantos médicos participaram do inquérito da Amib?
Foram ouvidos 2.338 médicos que atuam na assistência de alta complexidade.
Quantos leitos de UTI existem no país?
O país tem 43.901 leitos de UTI: 34.927 para adultos e 8.974 de pediatria e neonatologia.
Qual setor recebeu mais notas máximas para protocolos?
O setor privado, com 40,2% de notas máximas, contra 23,1% no SUS.
Saber mais: fontes consultadas (4)
- Agência Brasil – UTIs no Brasil: médicos pedem estruturação que vá além de mais leitos
- Amib (regional SC) – AMIB apresenta Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras
- Brasil em Folhas – Médicos de UTI dão notas maiores para serviços privados que para o SUS
- Agência Brasil – Estudo aponta esgotamento emocional e burnout de médicos de UTI
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