Macron manda proibir protestos não sindicais; Paris libera ato da CGT no sábado (24)
Após o caos de 17 de outubro, que deixou 2.397 detidos e 997 agentes feridos, Lyon vetou qualquer manifestação no fim de semana.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Emmanuel Macron, presidente da França, anunciou nesta quinta-feira (22) que protestos não organizados por sindicatos serão proibidos "onde for possível" nos próximos dias. O anúncio veio após reunião com os serviços de inteligência, na esteira dos tumultos e pilhagens de sábado (17) em várias cidades francesas.
Na prática, a regra já vale para o sábado (24), data de nova mobilização nacional. Segundo Macron, a recomendação geral é que não haja manifestações. Para os atos sindicais, os préfets (representantes do Estado nos departamentos) vão propor trajetos alternativos que protejam centros urbanos, comércio e prédios públicos.
Paris libera ato da CGT; Lyon proíbe tudo
A Prefeitura de Polícia de Paris autorizou o desfile declarado para sábado entre a Praça da Bastilha e a Praça da Nação, organizado, entre outros, pela CGT. Um segundo trajeto, em direção à Ópera, foi vetado.
Em Lyon, a préfecture do Rhône decidiu proibir, por decretos, qualquer manifestação na cidade no sábado. A medida cita o apelo à mobilização e os eventos de 17 de outubro. O préfet do Rhône, Étienne Guyot, já havia vetado um ato de estudantes marcado para esta quinta.
Macron afirmou que pedidos feitos por quem "não tem legitimidade" serão recusados pelos préfets. O presidente não detalhou critérios para definir essa legitimidade. O desenho da medida indica que os grupos sem vínculo sindical, como coletivos independentes, coletes amarelos e organizações jovens, ficam sem amparo para pedir trajeto.
Governo culpa extrema-esquerda
O chefe de Estado classificou os atos de 17 de outubro como políticos e sediciosos e os atribuiu a grupos de ultraesquerda que, segundo ele, querem desestabilizar a República. O dia reuniu entre 550 mil participantes, pelo Ministério do Interior, e 800 mil, pelos organizadores, em protesto contra o custo de vida. Houve danos e pilhagens em Paris, Lille, Rennes, Lyon, Limoges, Marselha e Bordeaux, entre outras cidades. Em Limoges, a prefeitura foi incendiada.
O balanço nacional atualizado do Ministério do Interior aponta 2.397 detenções e 997 policiais e gendarmes feridos, sete deles em estado grave.
O que vem a seguir
Macron convocou um conselho de defesa para a manhã desta sexta-feira (23), quando disse que serão tomadas "decisões adicionais". O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, recebeu os partidos em Matignon na quinta e reunirá na segunda-feira (26) organizações estudantis, sindicais, patronais, parlamentares e representantes de governos locais. O ato da CGT em Paris está autorizado para sábado (24), entre a Bastilha e a Praça da Nação.
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