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Machado volta à Venezuela após 10 meses fora, sem data para eleições sob Delcy Rodríguez

Nobel da Paz reaparece no estado de Lara, e Donald Trump diz não saber do retorno e sinaliza que seguirá apoiando a presidente interina.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

María Corina Machado e Donald Trump posam com placa de homenagem no Salão Oval da Casa Branca.
Foto: The White House / Wikimedia Commons (Public domain)

A líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz María Corina Machado voltou à Venezuela neste domingo (25), depois de mais de 10 meses no exílio. Ela anunciou a chegada no X, com a frase "Estou aqui. Com vocês", e aliados confirmaram o retorno pouco depois, sem dar detalhes.

O país que ela encontra não tem calendário eleitoral. A presidente interina, Delcy Rodríguez, diz que haverá eleições, mas não fixou data. A oposição de Machado pressiona por votação em 2027.

Primeira aparição em Lara

A equipe de imprensa de Machado divulgou imagens dela no estado de Lara, no centro-oeste do país, onde ela esteve em uma igreja. A oposição mostrou a líder sendo recebida por apoiadores. Machado não informou onde está agora nem como voltou ao país.

A volta vinha sendo tentada havia semanas. Um assessor dela disse em setembro que ela tentou voltar sete vezes e foi impedida em todas. Antes, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, avisou que havia uma "surpresa" preparada caso ela voltasse na Semana Santa. Críticos leram o recado como ameaça de prisão.

Trump diz não saber do retorno

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não sabia da volta, mas que esperava que ela estivesse segura. Na Casa Branca, ele sugeriu que os EUA continuarão a apoiar Rodríguez. Sobre Machado, disse que ela é "uma mulher muito simpática", mas que os americanos estão indo muito bem na Venezuela.

Em setembro, Trump disse que era cedo demais para pensar em eleições democráticas no país. A questão do retorno de Machado desgastou a relação dela com o governo americano, que ela cultivava como aliado desde antes da queda de Maduro.

Rodríguez, antiga número 2 de Maduro, promete eleição sem data

Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA em 3 de janeiro. Rodríguez, até então vice-presidente dele, assumiu como presidente interina. Os EUA passaram a trabalhar com o governo interino por uma transição democrática e uma reconciliação política. O processo envolveu opositores de destaque, mas deixou de fora Machado e Edmundo González Urrutia.

Em 23 de setembro, na Assembleia Geral da ONU, Rodríguez disse que o país vive uma transição e que "haverá eleições", sem indicar data. Ela citou um diálogo político iniciado em agosto com setores da oposição, liderados pela ex-deputada Dinorah Figuera.

Oposição pede votação em 2027

Milhares de venezuelanos marcharam na quinta-feira (22) em várias cidades para exigir o retorno de Machado. O partido dela, Vente Venezuela, pede eleições presidenciais em 2027. A legenda apoia a proposta do senador americano Bernie Moreno de fazer a votação em 24 de julho daquele ano.

González Urrutia, ex-candidato presidencial que segue no exílio, celebrou a volta de Machado. "Nossa voz soberana retorna com ela para liderar e orientar este processo!", escreveu. Ele disse que se juntará a ela em breve no país. David Smolansky, assessor de Machado, classificou o retorno como um passo importante rumo a eleições presidenciais livres, justas e verificáveis em um futuro próximo.

O próximo passo é a volta de González Urrutia ao país e a resposta do governo Rodríguez à cobrança por um calendário eleitoral. A Venezuela é vizinha do Brasil, e o rumo dessa transição interessa a toda a América do Sul.

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