Lula quer comprar R$ 150 bi em dívidas; Flávio propõe Caixa como banco de refinanciamento
No debate final da Globo, na sexta-feira (23), os candidatos também divergiram sobre o combate às facções, a dois dias do segundo turno.
Por que afeta o RS: Renegociação de dívidas e crédito público têm efeito direto sobre consumidores e pequenos empreendedores gaúchos.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram, no debate da TV Globo na sexta-feira (23), propostas para dívidas e segurança pública. Lula defendeu um programa federal de compra de dívidas atrasadas com desconto. Flávio prometeu transformar a Caixa em banco de refinanciamento e de crédito a pequenos empreendedores. O segundo turno é neste domingo (25).
Para o gaúcho que está com o nome sujo, a diferença é prática. A proposta de Lula já tem regras escritas em medida provisória e vale para dívidas de cartão, cheque especial, empréstimo pessoal e contas de água, luz, telefone e comércio, em qualquer estado. A de Flávio ainda não tem desenho público.
Os R$ 150 bilhões são a estimativa de dívidas, não o gasto da União
O programa citado por Lula é o Desenrola Brasil 3.0, criado pela Medida Provisória 1.393, de 25 de setembro de 2026. A expectativa do governo é que até R$ 150 bilhões em dívidas sejam elegíveis, com potencial para beneficiar até 15 milhões de pessoas. O valor que a União pode gastar é bem menor: o texto da MP fixa o limite máximo de R$ 15 bilhões para a compra das carteiras.
Funciona assim: a compra é feita em procedimento competitivo organizado pelo Ministério da Fazenda, e as propostas dos credores são classificadas pelo maior percentual de desconto. O piso é de 90% sobre o valor de face de cada carteira.
Quem entra e quando o desconto chega ao devedor
Os 90% valem para quem vende a carteira à União, não para o consumidor. A MP prevê que a dívida comprada poderá ser renegociada com desconto de até o mesmo percentual obtido pela União na compra.
Os critérios da MP, segundo levantamento de portais de serviço, são estes:
dívidas com valor original abaixo de R$ 10 mil;
atraso entre 720 e 1.645 dias, contados em 25 de setembro de 2026;
sem faixa de renda no texto da MP.
As ofertas aos consumidores estão previstas para começar em fevereiro de 2027. Como toda medida provisória, a MP precisa ser aprovada pelo Congresso para virar lei em definitivo.
Caixa de Flávio ainda não tem desenho público
Flávio defendeu que a Caixa seja o que chamou de "Banco da Prosperidade", voltado a refinanciar dívidas e a dar crédito a pequenos empreendedores. Critérios, custo e instrumento legal da proposta ainda não foram detalhados.
Facções: classificação como narcoterroristas x PEC da Segurança
Na segurança, Flávio propôs classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações narcoterroristas. Não há, até aqui, texto legislativo que mostre como a classificação funcionaria. Lula defendeu fortalecer a Polícia Federal e a PRF e aprovar a PEC da Segurança Pública.
A PEC 18/2025 é de iniciativa do governo federal. O texto amplia as atribuições da PRF, que passaria a fazer patrulhamento ostensivo também em ferrovias e hidrovias federais, além das rodovias, e prevê cooperação entre União, estados e municípios.
A proposta já passou pela Câmara. A CCJ do Senado concluiu a votação em 14 de outubro, e o texto ficou pronto para o Plenário. A votação prevista para o dia seguinte foi adiada, e a PEC só deve ser votada depois do segundo turno. Por ser emenda constitucional, a PEC exige cinco sessões de discussão e votação em dois turnos. Se for aprovada sem alterações, vai direto à promulgação.
O eleitor vota neste domingo (25). A MP do Desenrola 3.0 e a PEC da Segurança seguem para decisão do Congresso nas próximas semanas.
Perguntas frequentes
Quem pode aderir ao Desenrola Brasil 3.0?
Dívidas com valor original abaixo de R$ 10 mil e atraso entre 720 e 1.645 dias, contados em 25 de setembro de 2026.
Quando as ofertas aos consumidores começam?
A previsão é fevereiro de 2027, e a MP ainda precisa ser aprovada pelo Congresso para virar lei.
Quanto o governo pode gastar na compra das dívidas?
O texto da MP fixa o limite máximo de R$ 15 bilhões; os R$ 150 bilhões são a estimativa de dívidas elegíveis.
Saber mais
- Medida Provisória nº 1.393, de 25 de setembro de 2026 (texto)
- Desenrola 3.0: como funcionará a compra de dívidas pela União
- Desenrola 3.0: medida provisória abre renegociação com desconto (Jornal do Brasil)
- Desenrola 3.0: quais dívidas entram e quando começa
- Desenrola 3.0: União vai comprar dívidas de até R$ 10 mil (Alerta Gov)
- PEC da Segurança Pública está na pauta do Plenário (Senado Notícias)
- CCJ do Senado conclui votação da PEC da Segurança Pública (CNT)
- PEC da Segurança Pública: CCJ aprova; Senado adia votação
- Em 12 anos, governo Lula priorizou agenda social (Agência Lupa)
- Debate da Globo: Flávio e Lula discutem temas (G1)
- Lula defende fim das bets; Flávio promete transformar Caixa em 'Banco da Prosperidade' (UOL/Estadão)
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