Justiça nega remédio de R$ 2,8 milhões a bebê de Roque Gonzales; Defensoria recorre
Antony, de 1 ano e 3 meses, está internado desde janeiro em Passo Fundo e faz hemodiálise; a lumasirana tem registro na Anvisa, mas a Conitec decidiu não incorporá-la ao SUS.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A Justiça negou em junho de 2026 o pedido da família de Antony Miguel Sturm do Nascimento, de 1 ano e 3 meses, por um remédio de R$ 2,8 milhões. A família quer que a União e o Estado paguem a lumasirana. O bebê, de Roque Gonzales, no noroeste gaúcho, está internado no Hospital de Clínicas de Passo Fundo desde janeiro. A Defensoria Pública recorreu da decisão.

Para a família, o que está em jogo é o transplante. A equipe médica afirma que, sem controlar a doença, Antony não poderá receber o transplante combinado de rim e fígado de que precisa.
O que diz a Justiça e o que dizem os médicos
Antony foi diagnosticado aos cinco meses com Hiperoxalúria Primária Tipo 1 (HP1), doença rara e hereditária que levou o bebê à falência renal crônica. A ação foi proposta pela Defensoria Pública da União (DPU). O juiz Gabriel Von Gehlen entendeu que não há evidência direta de que o remédio reduza a doença renal em fase final. Também escreveu que o medicamento não está no SUS, o que impede o fornecimento, "independente do custo".
A nefrologista Natália Schuch, que atende o menino, reconhece que a lumasirana não recupera um rim em estágio final. Mas afirma que ela é "indispensável porque a doença é sistêmica". Segundo a médica, o oxalato acumulado pode atingir coração, fígado, cérebro, olhos e medula. Sem o remédio, diz, o oxalato continuaria circulando e destruiria qualquer rim transplantado.
A Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS) informou que o medicamento não foi incorporado ao SUS. Segundo a pasta, também não estão presentes os requisitos que o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou em repercussão geral para obrigar o poder público a custear o remédio.
Registro na Anvisa, mas fora do SUS
A lumasirana, vendida como Oxlumo, foi aprovada pela Anvisa para reduzir os níveis de oxalato urinário em pacientes pediátricos e adultos com HP1. O anúncio da farmacêutica é de junho de 2021. Já a Conitec, comissão que avalia o que entra no SUS, recomendou no Relatório nº 1016 não incorporar a lumasirana. O Ministério da Saúde confirmou a decisão na Portaria SECTICS/MS nº 63, de 21 de agosto de 2025. Os membros reconheceram a eficácia na redução do oxalato, mas apontaram o custo de oportunidade e os desafios de financiamento público.
O STF decidiu que, como regra, a falta de um remédio nas listas do SUS impede o fornecimento por decisão judicial, independentemente do custo. Há exceção para medicamento registrado na Anvisa, desde que o paciente cumpra todos os requisitos juntos. Entre eles, ter o pedido negado na via administrativa e não haver substituto no SUS. Também precisa mostrar que a Conitec recusou o remédio de forma ilegal ou que nunca houve pedido de incorporação. Entram na lista ainda a comprovação científica de eficácia e segurança, a necessidade essencial do tratamento e a insuficiência financeira do paciente. O ônus de provar tudo isso é de quem move a ação.
Rotina de hemodiálise em Passo Fundo
Antony completou dois meses de hemodiálise depois que uma peritonite infecciosa o impediu de seguir com o tratamento menos severo. Ele deve continuar na hemodiálise por tempo indeterminado.
A mãe, Gisele Sturm, deixou o emprego de monitora de educação infantil para ficar com o filho em Passo Fundo. A família alugou um apartamento na cidade, mantido com ajuda de parentes. A filha mais velha do casal, Anna Liz, de oito anos, mora com o pai. Gisele também busca o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Não há data divulgada para o julgamento do recurso da Defensoria Pública, que representa a família e pede que o custeio da lumasirana seja determinado.
Perguntas frequentes
Quanto custa o remédio lumasirana?
O remédio custa R$ 2,8 milhões, segundo a reportagem.
A Justiça decidiu fornecer o remédio ao bebê?
Não. A Justiça negou o pedido em junho de 2026, e a Defensoria Pública recorreu.
A lumasirana está no SUS?
Não. A Conitec decidiu não incorporá-la ao SUS, e o Ministério da Saúde confirmou a decisão em agosto de 2025.
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