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Israel vai às urnas nesta terça com Eisenkot à frente de Netanyahu, mas sem maioria

As últimas pesquisas de TV dão 50 cadeiras ao bloco do premiê e de 52 a 56 à oposição; são necessárias 61 das 120 do Knesset.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Benjamin Netanyahu, premiê de Israel, em foto de arquivo (2012).
Foto: U.S. Department of State / Wikimedia Commons (Public domain)

Os israelenses votam nesta terça (27) para renovar o Knesset, o parlamento de 120 cadeiras. É a primeira eleição nacional desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. As seções abriram às 7h no horário local e fecham às 22h, o que corresponde a 2h e 17h em Brasília e no Rio Grande do Sul.

Quem acompanha daqui não deve ter um vencedor definido hoje. Nenhum partido jamais conquistou maioria sozinho no Knesset, e pode levar semanas ou meses até ficar claro quem será indicado para formar o governo. O resultado pesa sobre um Oriente Médio em tensão: a votação ocorre também depois do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro.

Eisenkot lidera pesquisas, mas falta maioria

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do Likud, é o premiê mais longevo de Israel, com mais de 19 anos no cargo em três mandatos. Seu principal desafiante é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, que lidera o Yashar, partido novo de centro.

As três últimas pesquisas das TVs israelenses apontam o mesmo cenário. Todas projetam exatamente 50 cadeiras para o bloco de direita e partidos religiosos de Netanyahu, e entre 52 e 56 para o bloco da oposição. Os partidos árabes, que não integram nenhum dos blocos, aparecem com 14 a 16 cadeiras.

Nas siglas isoladas, o Canal 12 deu 23 cadeiras ao Yashar e 21 ao Likud. Há divergência entre os institutos. No Canal 14, alinhado a Netanyahu, o Likud chega a 30 cadeiras e Eisenkot a cerca de 20. Pesquisa do i24NEWS deu 59 cadeiras ao bloco do premiê, enquanto a da emissora pública Kan projetou 50.

A conta da coalizão decide quem governa

Para governar, um primeiro-ministro precisa de 61 cadeiras. O presidente do país convida o deputado com mais chance de reunir essa maioria a formar o governo. Só entram no Knesset as listas que passam de 3,25% dos votos. Isso torna decisivas as legendas pequenas que ficam perto do piso.

O bloco de Eisenkot reúne Yashar, o B'Yachad do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, os Democratas e o Yisrael Beytenu. A projeção da análise do jornal The Jewish Chronicle para esse grupo é de 54 cadeiras, sete a menos que a maioria. O caminho mais direto seria somar as legendas árabes Lista Conjunta e Ra'am, mas o líder do Yisrael Beytenu, Avigdor Liberman, recusa governar com elas.

Os institutos projetam comparecimento de 60% a 70% entre eleitores árabes, contra 53% em 2022, o que pode ajudar Ra'am e Lista Conjunta a somar de 14 a 16 cadeiras. No lado governista, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, de extrema direita, votou em Kiryat Arba, assentamento na Cisjordânia ocupada. Seu partido, o Otzma Yehudit, pode ser de novo necessário a Netanyahu.

Guerra, Irã e conscrição dominam a campanha

Segurança, as guerras em Gaza e no Irã, o alistamento militar de ultraortodoxos e o custo econômico do conflito prolongado moldam o voto. Netanyahu cita a relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, e diz que a força militar melhorou a posição estratégica de Israel. Eisenkot e aliados afirmam que o isolamento internacional ameaça economia, diplomacia e segurança.

Em um ponto os dois coincidem: nenhum apoia a criação de um Estado palestino em futuro previsível. Eisenkot carrega ainda um fator pessoal. Seu filho Gal, soldado israelense, morreu em Gaza durante a guerra.

Se nenhum dos blocos formar maioria, o impasse pode se prolongar. A eleição pode se decidir por poucos votos ou terminar em empate, o que forçaria nova votação no ano que vem. Nesse caso, Netanyahu continuaria no poder com plenos poderes.

Serviço

As urnas israelenses fecham às 22h locais, 17h no horário de Brasília e do Rio Grande do Sul. As pesquisas de boca de urna das TVs de Israel costumam sair logo após o encerramento, e o resultado oficial vem depois, com a apuração da Comissão Central Eleitoral. A coalizão só deve ser definida nas negociações das próximas semanas.

Perguntas frequentes

A eleição em Israel acontece quando?

A votação ocorre nesta terça-feira (27), das 7h às 22h no horário local, o que corresponde a 2h às 17h em Brasília e no Rio Grande do Sul.

Quantas cadeiras são necessárias para governar em Israel?

São necessárias 61 das 120 cadeiras do Knesset para formar maioria e governar.

Quando o resultado oficial deve sair?

As pesquisas de boca de urna saem logo após o fechamento das urnas, e o resultado oficial vem depois, com a apuração da Comissão Central Eleitoral; a coalizão só deve ser definida nas semanas seguintes.

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