🔍
Urgente Chuva leva Justiça Eleitoral a mudar local de votação em Itapevi (SP) no 2º turno
Domingo, 25 de outubro de 2026 · Edição para POADólar R$ 4,97 ▼ 1,93%Euro R$ 5,56 ▼ 2,10%Ibov 205,1 mil ▼ 0,17%Nasdaq 26,0 mil ▼ 0,71%18°C 🌧
Agro
ClimaMundo

Israel desloca cerca de 2 mil palestinos em Hebron e esvazia bairro de Ein Deir Baha

Ordens de evacuação vieram de madrugada, após ataque que matou dois soldados, e o ministro da Defesa diz que ninguém volta até o fim da operação.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 3 min de leitura

Foto: Israel desloca cerca de 2 mil palestinos em Hebron e esvazia bairro de Ein Deir Baha
Foto: Yacob Elbaz / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Forças israelenses entraram em Hebron, na Cisjordânia ocupada, no sábado (24) e mandaram famílias saírem de casa em bairros como Ein Deir Baha. O ministro da Defesa, Israel Katz, disse que cerca de 2.000 palestinos tinham sido deslocados até a noite de sábado. A operação começou um dia depois de um ataque a um posto militar perto da cidade.

A ação ocorre a três dias da eleição em Israel, marcada para esta terça (27). O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que planeja uma operação em escala nunca vista desde 1967, quando Israel passou a ocupar a Cisjordânia. Quem vive em Hebron, a cidade mais populosa do território, enfrenta bloqueio, e quem foi retirado não sabe quando poderá voltar para casa.

Madrugada de evacuação em Ein Deir Baha

Higazi Shawer al-Tamimi, de 70 anos, comerciante e figura de liderança no bairro, contou à AFP que soldados e um oficial graduado o acordaram à 1h e mandaram que saísse. Ele perguntou quanto tempo duraria a evacuação e ouviu: "Até novo aviso". Entre os moradores retirados estava a sogra dele, de 90 anos, que está doente e teve de ser carregada.

Moradores relataram que os soldados anunciaram as evacuações por alto-falantes, tarde da noite, e que cada família levou o que conseguiu carregar. Os militares marcaram com um X os prédios já esvaziados em Ein Deir Baha, e as ruas ficaram quase desertas, com blindados patrulhando.

Al-Tamimi disse que a operação só acontece porque Netanyahu quer vencer a eleição "com o sangue do povo palestino". Ele contou que ficou surpreso ao saber que os atacantes eram do bairro, que descreveu como de classe média e pacífico.

Números divergem; Katz diz que não há data para volta

Não há contagem única de famílias. O prefeito de Hebron, Youssef al-Jaabari, e o ativista local Issa Amro estimaram cerca de 250 famílias retiradas. O governador, Khaled Dudin, falou em 150. Em outro balanço, no sábado, o prefeito disse que 2.200 pessoas foram forçadas a deixar suas casas.

Katz afirmou à emissora pública Kan que os moradores só poderão voltar quando os militares terminarem de "lidar com todas as questões do Hamas" em Hebron. O Exército diz que a ação mira a área de onde saíram os dois atacantes. Segundo avaliações militares, cerca de 2.000 moradores da região pertencem ao clã dos atacantes, que o Exército diz ter ligação com o Hamas.

Os militares descrevem a ação como uma operação para barrar o terrorismo, feita em coordenação com o Shin Bet (serviço de segurança interna) e a Polícia de Fronteira. Dizem que as buscas são "precisas, direcionadas e completas" e que devem durar vários dias. Quem sai da área passa por três pontos de saída definidos, onde há perguntas e revista.

Bloqueio, demolições e reação internacional

Netanyahu ordenou um "bloqueio total" da Cisjordânia, e o prefeito disse que ninguém entra nem sai de Hebron. O Exército anunciou que trabalhadores palestinos não poderão entrar na maior parte da Cisjordânia no domingo (25) e na segunda (26). Na terça, dia da votação, todas as passagens ficam fechadas.

A prefeitura de Hebron calcula que 35 hectares foram destruídos ou marcados para demolição. Forças israelenses também fizeram operações em ao menos 15 áreas da Cisjordânia e prenderam cerca de 70 palestinos.

A Autoridade Palestina pediu pressão internacional sobre Israel para proteger os moradores. O vice-presidente palestino, Hussein al-Sheikh, falou em "punição coletiva". O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que as restrições limitam o movimento, o acesso a serviços e o sustento dos palestinos. A ONG israelense B'Tselem afirmou que as ações podem configurar crimes de guerra.

Serviço: o que vem a seguir

A operação em Hebron segue em andamento, e o Exército prevê que dure vários dias. As passagens da Cisjordânia ficam totalmente fechadas na terça-feira (27), dia da eleição israelense.

📱 As principais do dia, do teu jeito

Escolhe os assuntos e a região. Chega no WhatsApp, no e-mail ou nos dois. Sai quando quiser.

Sem spam e de graça, como tem que ser 🧉 · privacidade

Saber mais

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Leia também