Irã diz que nova guerra com os EUA seria mais longa, e conversas seguem em Doha
Teerã responde a Trump com ameaça de reação sem limite geográfico, enquanto negociadores iranianos tratam do fim do conflito com mediação do Catar.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

O porta-voz do Exército do Irã, Mohammad Akraminia, afirmou neste domingo (1º) que uma eventual nova guerra com os Estados Unidos pode durar mais que a anterior. Segundo ele, o presidente Donald Trump não definirá quando nem em que condições ela termina. A fala foi divulgada pela televisão estatal iraniana.
O alerta responde ao que Trump disse no sábado (31), a jornalistas, na Flórida: os EUA ainda precisam "cuidar" de um ou dois alvos no Irã, o que levaria "10 minutos". Ele citou Pickaxe Mountain, local associado a uma suposta instalação nuclear subterrânea, e disse que as forças americanas já neutralizaram boa parte da capacidade militar iraniana. Não há confirmação independente sobre os alvos mencionados, e nenhuma fonte indica que um novo ataque tenha sido decidido.
Teerã fala em resposta "decisiva" e sem limite geográfico
O ministro da Defesa, Mehrdad Akhlaghi, disse que qualquer ataque terá resposta proporcional, decisiva e de grande impacto, e que os adversários não definirão alcance, momento ou consequências. O porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebbi, declarou que, em um conflito com os EUA, não há limitações geográficas.
O líder supremo, Mojtaba Khamenei, divulgou mensagem no sábado (31) pedindo resposta imediata e contundente a qualquer ameaça. Ele ordenou que os comandantes atualizem a lista de alvos iranianos.
Negociações continuam, com versões diferentes
Uma fonte ouvida pela Reuters disse que negociadores iranianos estavam em Doha neste domingo pelo terceiro dia seguido, em conversas mediadas pelo Catar para encerrar a guerra. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que não há plano de reunião direta com representantes dos EUA, mas que as consultas com mediadores seguem.
Segundo a Al Jazeera, Araghchi disse que as tratativas incluem um plano para reabrir o Estreito de Ormuz em dois dias e retomar as negociações de paz. O Irã condiciona isso ao fim de sanções, à volta das dispensas para exportar petróleo, à redução da presença militar americana na região e ao fim do conflito em todas as frentes. Os EUA não se manifestaram publicamente sobre essas condições.
O que muda para o Brasil e para o RS
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, afeta o abastecimento global de petróleo e a navegação em Ormuz. É por esse canal que o conflito chega ao preço internacional da energia, que serve de referência para combustíveis e fretes no Brasil. Nenhum órgão oficial divulgou até agora estimativa de efeito sobre o preço nas bombas gaúchas.
O Itamaraty condenou os ataques no dia em que a guerra começou. A nota afirmou que a negociação é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região. O texto pediu que todas as partes exerçam máxima contenção para evitar a escalada.
As conversas mediadas pelo Catar podem prosseguir em Doha. Não há prazo informado para um acordo.
Perguntas frequentes
O que o Irã disse sobre uma nova guerra com os EUA?
Segundo o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, uma eventual nova guerra pode durar mais que a anterior, e o Irã promete resposta sem limite geográfico.
As negociações para encerrar o conflito seguem?
Sim. Negociadores iranianos estavam em Doha pelo terceiro dia seguido, em conversas mediadas pelo Catar, mas não há reunião direta com os EUA nem prazo para acordo.
Como o conflito afeta o preço dos combustíveis no Brasil?
A guerra afeta o abastecimento global de petróleo e a navegação em Ormuz, canal que influencia o preço internacional da energia, usado como referência para combustíveis e fretes. Nenhum órgão oficial divulgou estimativa para as bombas gaúchas.
O que o Irã pede para reabrir o Estreito de Ormuz?
O Irã condiciona a reabertura ao fim de sanções, à volta das dispensas para exportar petróleo, à redução da presença militar americana na região e ao fim do conflito em todas as frentes.
Saber mais: fontes consultadas (6)
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