Hubbard, libertado pela Rússia, já está nos EUA; Putin sinaliza retomar negociações de paz
O professor aposentado de 74 anos, preso desde 2022, pousou nesta quinta (22), segundo seu advogado; Trump nega que tenha havido troca.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura
Atualizada 22/10, 13:01 · Hubbard já está nos EUA, segundo seu advogado; Trump publicou fotos dele com Witkoff, Putin sinalizou retomar as negociações e um ucraniano preso com ele disse à AFP que ele foi torturado.

O americano Stephen Hubbard, de 74 anos, voltou aos Estados Unidos um dia depois de ser libertado pela Rússia. "Ele já pousou", disse à agência AFP nesta quinta (22) o advogado Martin De Luca, sem dar mais detalhes. Hubbard cumpria pena de quase sete anos por supostamente lutar como mercenário pela Ucrânia. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a soltura veio após pedido dele ao presidente russo, Vladimir Putin, em telefonema na semana anterior.
A soltura entrou no centro das negociações de paz para a guerra na Ucrânia, que mexem com o preço de energia, grãos e fertilizantes no mundo todo. O enviado especial americano Steve Witkoff agradeceu a Putin pela libertação durante reunião em São Petersburgo, e Putin respondeu que Hubbard já estava no aeroporto de Pulkovo. Após o encontro, o líder russo sinalizou a disposição de Moscou de retomar as conversas com Kiev e Washington para encerrar a guerra.
Trump nega troca e liga soltura às sanções
Em publicação na rede Truth Social, Trump disse que os EUA não precisaram dar nada em troca e que não houve "swap" para a libertação. Ele também afirmou que, se sanções tivessem sido impostas, as negociações teriam parado por completo.
Na manhã desta quinta, Trump publicou fotos de Hubbard sorridente ao lado de Witkoff. Em outra imagem, o professor posa a bordo de uma aeronave de pequeno porte com várias pessoas e segura uma bandeira americana junto com dois integrantes do grupo.
Na semana passada, a Casa Branca impediu que novas sanções contra a Rússia entrassem em vigor e, no início do mês, concordou em comprar diesel de Moscou.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que Putin libertou Hubbard por razões humanitárias, sem dar mais detalhes.
Condenação, tortura e família
Hubbard, professor aposentado nascido em Michigan, vivia em Izium, na Ucrânia, quando forças russas o capturaram em 2022, segundo familiares e advogados. Ele foi condenado, após julgamento fechado em 2024, por supostamente servir como mercenário no Exército ucraniano. Ele nega as acusações. Era o último americano que o Departamento de Estado classificava como detido ilegalmente na Rússia.
Um ucraniano que esteve preso com Hubbard disse à AFP que o americano sofreu torturas durante a detenção.
A família agradeceu a Trump e à sua equipe por abrirem o diálogo com a Rússia, o que levou a esse "dia de alegria". Até dez outros americanos, incluindo pessoas com dupla nacionalidade, seguem sob custódia russa.
Hubbard tem a saúde fragilizada. A irmã dele disse que o voo seguiria para San Antonio, no Texas, onde um hospital militar costuma receber americanos libertados. O advogado não informou onde ele pousou, e a Casa Branca e o Departamento de Estado não divulgaram a agenda de tratamento.
Atualização: em 22/10, o advogado de Hubbard confirmou à AFP que ele já está nos EUA. Entraram também as fotos publicadas por Trump, a sinalização de Putin de retomar as negociações com Kiev e Washington, o local onde Hubbard vivia na Ucrânia e o relato de tortura feito por um ex-companheiro de cela.
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