Governo vai propor lei para bloquear Orçamento até o centro da meta fiscal de 2027
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, diz que o projeto deve ir ao Congresso nesta semana, mas ainda falta a autorização de Lula e a definição do tipo de proposta.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta terça (27), em Brasília, que o governo vai levar ao Congresso uma mudança legal para que os bloqueios do Orçamento mirem o centro da meta fiscal de 2027, e não apenas o piso. Hoje o bloqueio mira o piso da banda de tolerância; a proposta quer dar base legal para mirar o centro. A mudança depende de aprovação dos parlamentares.

Para quem vive no RS, o efeito é indireto: contingenciar mais significa segurar mais despesas da União ao longo do ano, se a arrecadação ou os gastos exigirem. O governo ainda não disse quanto será bloqueado nem quais programas serão atingidos.
O que muda ao mirar o centro
A meta de 2027 é de superávit primário de R$ 73,2 bilhões, e o piso da banda de tolerância é de R$ 36,6 bilhões. Mirar o centro significa trabalhar por um resultado R$ 36,6 bilhões maior do que o mínimo aceito pela regra fiscal.
Pelo entendimento do governo, a impositividade do Orçamento hoje limita o bloqueio: em tese, não se poderia congelar despesas se o resultado ficar dentro da margem de tolerância. Daí a necessidade de uma lei que dê base jurídica ao contingenciamento maior. "Vamos buscar o centro da meta de maneira formal", disse Durigan a jornalistas, afirmando que as medidas legislativas serão apresentadas para isso.
Projeto de lei ou PEC
Segundo Durigan, a proposta será encaminhada ao Congresso nesta semana, após avaliação técnica e autorização do presidente Lula. A avaliação técnica indica que um projeto de lei complementar pode bastar, mas o formato final depende de análise jurídica e de decisão do presidente. Outros integrantes do governo, porém, citam a necessidade de uma emenda à Constituição.
O ministro também disse que o governo estuda outras medidas de ajuste fiscal, sem detalhá-las, e que elas dependerão da nova equipe econômica do quarto mandato de Lula.
Mercado e transferências
Durigan pediu "racionalidade" ao mercado financeiro. Em encontro com Lula na segunda (26), segundo o ministro, o governo tratou da reação negativa do mercado e da necessidade de sinalizações fiscais. Agências de classificação de risco não se manifestaram sobre o anúncio.
O contingenciamento atinge despesas discricionárias, aquelas que o governo pode adiar. Repasses obrigatórios previstos na Constituição, como os fundos de participação, não entram nessa conta pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Transferências voluntárias, como convênios e obras, dependem do que o texto final permitir. A Secretaria da Fazenda do RS e o Ministério da Fazenda não divulgaram estimativa de impacto sobre o estado.
O texto deve ir ao Congresso ainda nesta semana, depois do aval de Lula.
Leia também
Trump diz que EUA recebem 1 milhão de barris da Venezuela; carga chegou ao Texas

Dólar cai 1,07%, a R$ 5,349, e Ibovespa recua 0,51% um dia após tombo da reeleição de Lula

Pix MEI de até R$ 5 mil não tem inscrição aberta; governo promete edital até o fim de 2026

Endividados de risco chegam a 20,3 milhões, 75% a mais em cinco anos, diz BC

Mais lidas
1Milei compartilha post que compara Lula a Maduro e acusa fraude sem provas no 2º turno2EWZ cai até 19,6% em Nova York após reeleição de Lula; B3 só reabre na segunda3Flávio desiste de pedir anulação da eleição e vai atrás da cassação da chapa de Lula4Focus: mercado mantém Selic em 13,25% no fim de 2026 e vê 11,75% em 20275Mudança de Flávio Bolsonaro para os EUA é hipótese de aliados, sem decisão anunciada