Flávio nega que vá acabar com o Bolsa Família após campanha propor transição de 2 anos
Em vídeo, o candidato do PL diz que a família segue recebendo por até dois anos depois de conseguir emprego; o PT fala em "tesouraço" a seis dias do segundo turno.
Por que afeta o RS: O Bolsa Família atende milhares de famílias no Rio Grande do Sul, e qualquer mudança nas regras afetaria diretamente esses beneficiários.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, negou nesta segunda (19), em vídeo nas redes sociais, que pretenda acabar com o Bolsa Família. A resposta veio depois de a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, dizer à CBN Bahia que planeja uma regra de transição de dois anos para beneficiários abrirem negócio ou aceitarem emprego de carteira assinada, com retorno automático ao benefício se não houver oportunidades.

O tema mexe com um programa que, em outubro, teve desembolso total de R$ 15,06 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias no país, entre elas as gaúchas. O piso por domicílio subiu de R$ 600 para R$ 691. O RS já foi alvo de um pagamento especial do MDS: em 2024, o governo unificou os repasses para moradores de 497 municípios gaúchos atingidos pelas enchentes.
O que Daniella Marques disse
Na entrevista, Daniella afirmou que quem está no Bolsa Família terá regra de transição, como na época de Jair Bolsonaro, de dois anos, para abrir negócio ou aceitar emprego de carteira assinada. Ela disse ainda: "As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família."
Pelo que a coordenadora descreveu, o beneficiário seguiria recebendo o Bolsa Família mesmo ao conseguir emprego formal ou abrir empresa, e perderia o auxílio depois de mais de 24 meses nesse cenário. Se houvesse demissão ou a empresa não desse certo nesse período, a pessoa poderia voltar ao programa.
Flávio explica a regra e chama acusação de mentira
No vídeo, Flávio acusou o PT de espalhar informação falsa. "É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira", disse. Ele afirmou que, ao arrumar emprego de carteira assinada ou abrir a própria empresa, a pessoa continua recebendo o Bolsa Família por até dois anos. Segundo o candidato, num governo do PL a retomada seria automática se o beneficiário perdesse o emprego ou não mantivesse o negócio.
A campanha também divulgou nota. "O Bolsa Família seguirá forte e com mais garantias para quem precisa", afirmou o texto.
Sobre o desenho da proposta, Flávio ainda não detalhou claramente como pretende implementar a política. Os critérios da transição e as condições do retorno automático também não foram especificados.
PT reage e cobra posição
O lado de Lula usou a fala para atacar. O senador Camilo Santana (PT), um dos coordenadores da campanha à reeleição, disse que a coordenadora de Flávio externou que os beneficiários seriam desligados em dois anos. Para ele, isso mostra de onde Flávio quer cortar os R$ 200 bilhões: "Esse é o tesouraço que eles falam". O PT também criticou o candidato nas redes na segunda.
A campanha petista ainda resgatou publicações antigas de Flávio contra o programa. A exclusão desses posts foi identificada na terça (20). A campanha do senador foi questionada sobre o motivo, mas não havia respondido até a publicação das reportagens.
Nos bastidores, aliados de Flávio criticaram o momento da declaração de Daniella, feita no mesmo dia em que o governo Lula anunciou a antecipação do calendário do Bolsa Família.
O segundo turno entre Lula e Flávio é no domingo (25). O MDS informou que a unificação do calendário de pagamentos, adotada em outubro, também vale para novembro e dezembro.
Perguntas frequentes
Quem recebe o Bolsa Família pode manter o benefício ao conseguir emprego?
Segundo Flávio Bolsonaro, sim: a família continua recebendo por até dois anos após conseguir emprego de carteira assinada ou abrir empresa.
Quanto é o piso do Bolsa Família hoje?
O piso por domicílio subiu de R$ 600 para R$ 691, segundo a matéria.
Quantas famílias recebem o Bolsa Família?
Em outubro, o programa teve desembolso de R$ 15,06 bilhões para cerca de 19,3 milhões de famílias.
Saber mais
- Correio Braziliense (entrevista à CBN Bahia, 19/10)
- InfoMoney (declarações de Daniella Marques à CBN Bahia)
- Metrópoles (vídeo de Flávio e fala de Daniella)
- Metrópoles (aliados de Flávio criticam timing)
- CNN Brasil (Flávio reforça que não acabará com o programa)
- Poder360 (nota da campanha de Flávio)
- Istoé Dinheiro (proposta sem critérios detalhados)
- Correio Braziliense (Camilo Santana, campanha de Lula)
- BNews (PT critica Flávio nas redes)
- Carta Capital (campanha de Lula resgata publicações)
- Revista Cenarium (posts apagados, 20/10)
- Mixvale (dados do MDS sobre pagamento de outubro)
- Mixvale (piso e calendário até dezembro)
- Mixvale (piso de R$ 691)
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