Ficco/RS e BM prendem em hotel de Santo Antônio da Patrulha condenada por matar fotógrafo
Paula Caroline Ferreira Rodrigues foi capturada com Letier Ademir Silva Lopes, apontado como liderança da facção Bala na Cara e procurado por 27 homicídios ou tentativas; a defesa dela pede novo júri.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no RS (Ficco/RS) e a Brigada Militar prenderam Paula Caroline Ferreira Rodrigues, 31 anos, na tarde desta quinta-feira (22). A captura foi em um hotel de Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte. Ela foi condenada a 26 anos e oito meses de reclusão pelo assassinato do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, de 22 anos. Com ela estava Letier Ademir Silva Lopes, 44 anos, também procurado pela Justiça.
A prisão encerra uma fuga que durava desde março, quando Paula, ausente da sessão, foi condenada pelo Tribunal do Júri de Canoas. A defesa quer a anulação do julgamento e um terceiro júri.
Como foi a abordagem
Segundo a Polícia Federal, o casal foi localizado em um hotel do município, e a abordagem ocorreu momentos antes de os dois deixarem o estabelecimento. A PF informou que as diligências permitiram identificar o paradeiro dos procurados e acompanhar a movimentação deles. Depois da prisão, o homem e a mulher foram encaminhados aos procedimentos legais e seguem à disposição da Justiça.
A nota oficial não informa o nome nem o endereço do hotel. Também não diz para qual unidade prisional os dois foram levados.
O nome de Paula havia sido incluído nesta semana na lista de difusão vermelha da Interpol. O pedido partiu da Delegacia de Capturas da Polícia Civil.
Quem é Letier
Letier Ademir Silva Lopes, conhecido como "Lig Lig", é apontado pelas autoridades como liderança da facção Bala na Cara, que atua em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Ele era procurado por envolvimento em 27 homicídios ou tentativas de homicídio, a maioria em Canoas e Cachoeirinha.
O caso Gargioni
Gargioni foi morto em julho de 2015, na Prainha do Paquetá, em Canoas. Pela tese do Ministério Público, Paula atraiu o fotógrafo para uma emboscada. Ela namorava Juliano Biron. O jovem foi torturado e morto com 19 tiros. Biron foi condenado em 2020 a 20 anos e oito meses de prisão e segue preso.
Paula foi presa em 2016 e absolvida pelo júri em dezembro de 2023. O Ministério Público recorreu, o julgamento foi anulado e a nova sessão terminou na condenação por homicídio triplamente qualificado.
O que diz a defesa
Em nota, os advogados Jean Severo e Rodrigo Schmitt afirmam que já negociavam com a Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre a apresentação espontânea de Paula. Segundo eles, ela apenas havia mudado de cidade, e a inclusão na lista da Interpol era desnecessária.
A defesa também alega que faltaram diligências efetivas para localizá-la e intimá-la para o júri, que ocorreu sem a ré e sem os advogados. Para os defensores, isso comprometeu a ampla defesa. Eles esperam que o Tribunal de Justiça revise os atos de primeiro grau e determine um novo julgamento, com Paula sendo ouvida. O Bairrista não localizou, até a publicação, o número do recurso nem manifestação do Ministério Público sobre o pedido.
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