Farsul prevê safra cheia no RS em 2027, a primeira desde 2021, e preço melhor da soja
Economista-chefe falou à indústria na Mercopar, em Caxias do Sul; a Emater/RS já projeta 35,6 milhões de toneladas na safra de verão 2026/27.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

O economista-chefe da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Antonio da Luz, afirmou na Mercopar, em Caxias do Sul, que espera uma safra cheia no Estado em 2027. Ele também prevê preços melhores para o agronegócio gaúcho. Ele citou a soja como o grão com perspectiva de preço melhor.

Para o produtor, a conta é de alívio no bolso. Segundo Da Luz, a combinação de colheita volumosa e preço melhor "reduzirá a alavancagem (endividamento) do produtor rural pelos próximos dois ou três anos". A previsão veio sem tabela de cálculo na fala à plateia da indústria.
Da Luz brincou com o hábito das perdas: "Não sabemos o que vamos fazer com ela, já que nem lembramos como é ter uma safra inteira". Disse ainda que "os silos chegam a estar enferrujados no topo porque o grão não chegava mais lá". A safra de verão, a mais importante do RS, vem sendo reduzida por estiagens e outros problemas climáticos.
A fala aconteceu no painel "Projeções econômicas para 2027: perspectivas para o RS e o Brasil", com Patrícia Palermo, da Fecomércio-RS, e Giovani Baggio, da Fiergs. No mesmo debate, Da Luz afirmou que o ajuste fiscal é a prioridade do país em 2027.
O que a Emater já estima para a safra de verão
Os números oficiais vêm da Emater/RS-Ascar. A estimativa inicial prevê 35,639 milhões de toneladas na safra de verão 2026/27, alta de 8,64% sobre as 32,804 milhões de toneladas do ciclo anterior. O levantamento foi apresentado em 1º de setembro, na Expointer, em Esteio.
Para a soja, a projeção é de 21,151 milhões de toneladas, 15,32% acima das 18,342 milhões da temporada passada. A produtividade deve subir de 2.735 para 3.183 quilos por hectare, mesmo com área 0,92% menor. O milho deve chegar a cerca de 6,912 milhões de toneladas, alta de 7,2%.
O El Niño, já em atuação, não costuma pesar tanto sobre o agro gaúcho. A previsão apresentada pela Emater indica temperaturas acima do normal e maior probabilidade de chuva no RS nos próximos meses.
A dívida do campo segue em outro patamar
Em avaliação anterior sobre a medida provisória 1.376/2026, a Farsul apontou que a dívida rural gaúcha vinha em escalada. Da Luz disse que o universo de dívida "não para de crescer, dobrando a cada 12 meses". Um estudo da federação com contratos reais de produtores concluiu que a MP alcançaria pouco mais de 11% do valor estimado.
Em outra apresentação, o economista já havia dito que o endividamento do produtor continuaria mesmo com uma eventual boa safra, pela combinação de juros altos, inflação e desequilíbrio fiscal.
O plantio já começou: os gaúchos iniciaram a semeadura de milho, enquanto a da soja começa mais tarde no Estado. A Emater avalia que o El Niño deve permanecer até o primeiro trimestre de 2027.
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