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Fachin recebe da PF na terça relatórios que citam ao menos seis ministros do STF

Material tirado do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro também cita integrantes do STJ e do TST; ser citado não equivale a ser investigado.

Redação Bairrista · 11 de outubro de 2026 às 15:59 · 4 min de leitura

Fachin recebe da PF na terça relatórios que citam ao menos seis ministros do STF
Imagem: Bairrista/IA

O presidente do STF, Edson Fachin, recebe nesta terça (13), da Polícia Federal, relatórios sobre ministros da Corte citados no caso Master. O material reúne menções encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O encontro será com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Ao menos seis dos 10 ministros em exercício, ou parentes deles, aparecem citados, em graus diferentes. A 11ª cadeira está vaga desde a saída de Luís Roberto Barroso. Os relatórios também citam integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas esses nomes não foram confirmados até a publicação.

Ser citado em mensagem não equivale a ser acusado nem investigado, e não é prova de crime. Segundo a imprensa, os citados já negaram irregularidades em manifestações anteriores.

Fachin pediu o material em ofício

A reunião foi pedida pela PF. Fachin solicitou os relatórios a Andrei Rodrigues em ofício enviado na sexta-feira (2). No documento, disse que as informações devem ser apresentadas de forma integral e que "nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração". Depois de receber o material, ele definirá os encaminhamentos.

O horário e a pauta detalhada não foram confirmados. Também não está confirmado quais inquéritos serão retomados depois da reunião. Nas fontes consultadas, o Supremo e a PF não divulgaram nota sobre o encontro além do ofício. A informação de que a PF passou as últimas semanas individualizando as citações vem de relatos de bastidores publicados pela imprensa e não tem confirmação oficial.

Parte das mensagens já era pública

Em 1º de setembro, o relator do caso, ministro André Mendonça, retirou o sigilo de uma ação ligada à investigação. Isso tornou públicas mensagens de Vorcaro a um interlocutor identificado pela imprensa como o ministro Alexandre de Moraes, enviadas às vésperas da prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Nos dias seguintes, a imprensa noticiou mensagens que mencionam Nunes Marques e Luiz Fux ou parentes deles. Mendonça também aparece citado por pessoas ligadas ao ex-banqueiro.

Em fevereiro, a imprensa revelou a ligação entre fundos da rede do Master e um resort no Paraná do qual uma empresa da família do ministro Dias Toffoli foi sócia. Toffoli deixou a relatoria do caso e depois se declarou suspeito em um pedido relacionado ao tema. Ele nega ter recebido valores de Vorcaro.

Nunes Marques e um filho aparecem em mensagens; o filho, ligado a contratações. Um filho de Fux, o advogado Rodrigo Fux, é citado em suposto pedido de ajuda de Vorcaro em um "caso" não identificado. As mensagens divulgadas não comprovam contratação, pagamento ou interferência em decisões, e a assessoria do advogado nega ter atuado para Vorcaro.

As respostas individuais de cada ministro, do STJ e do TST aos novos relatórios não foram localizadas até a publicação. O Bairrista mantém espaço aberto para as manifestações dos citados.

Envio à PGR é a hipótese mais discutida

A hipótese mais discutida é enviar o material à Procuradoria-Geral da República (PGR), que pode pedir a abertura de investigação. A decisão cabe a Fachin e ao STF depois da reunião, e a escolha final não foi anunciada.

O Regimento Interno do STF tem um caminho próprio, mas restrito. O artigo 43 prevê que o presidente instaure inquérito quando houver infração à lei penal na sede ou em dependência do Tribunal envolvendo autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição. Em princípio, citações em mensagens de um celular apreendido não parecem se encaixar nessa hipótese.

Conselho do MPF rejeitou investigar Gonet por 5 a 4

O procurador-geral, Paulo Gonet, também aparece no caso. Em 25 de setembro, o Conselho Superior do Ministério Público Federal rejeitou, por 5 votos a 4, abrir investigação contra ele por sua atuação nos processos do Master. Gonet nega proximidade com Vorcaro e afirma não ter cometido irregularidades.

Segundo relatos reservados de aliados de Moraes e de Mendonça publicados pela imprensa, o material deveria ir à PGR sem que a decisão dependesse de Gonet. Esse desenho não foi confirmado oficialmente.

Relatos apontam divisão sobre esperar as eleições

Segundo os mesmos relatos de bastidores, a ala de Moraes defende que nada avance antes do fim das eleições. Nenhum ministro assumiu essa posição publicamente. Ainda segundo os relatos, o clima melhorou após o primeiro turno, mas Mendonça e Moraes seguem sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.

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