EUA e Israel preparam novos ataques ao Irã após eleição de 3 de novembro, dizem fontes
Analistas ouvidos pela AFP veem sinais de nova ofensiva, mas descartam solução militar para uma guerra que encareceu o combustível e pesa sobre os iranianos.
Por que afeta o RS: A alta dos combustíveis causada pela guerra e pelo bloqueio no estreito de Ormuz pesa no preço da gasolina e do diesel no estado.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Estados Unidos e Israel prepararam planos para retomar ataques contra o Irã nas semanas seguintes às eleições americanas de meio de mandato, em 3 de novembro. A informação é de fontes israelenses ouvidas pela rede ABC News. A Casa Branca disse na quinta-feira (22) que os EUA não atacarão antes da votação. A guerra, iniciada no fim de fevereiro, não tem fim à vista.
A conta chega ao posto de combustível. Uma nova rodada de bombardeios mexe com o petróleo e, por tabela, com o diesel que move caminhões, ônibus e tratores, inclusive nas estradas e lavouras do RS. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em abril. A estatal resistiu a reajustar a gasolina após o início da guerra e só anunciou aumento no fim de maio, depois de o governo criar uma subvenção de R$ 0,44 por litro.
O que indica nova ofensiva
Suzanne Maloney, diretora do programa de política externa da Brookings Institution, disse à AFP que aposta em ataques "pouco depois das eleições". Entre os sinais que ela cita estão mais tropas americanas no Oriente Médio, alertas a cidadãos dos EUA na região e o alto nível de alerta das forças israelenses.
Jason Campbell, pesquisador do Middle East Institute, apontou o envio previsto do porta-aviões USS Theodore Roosevelt e de mais uma Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais. Com o navio, a região pode chegar a três porta-aviões de ataque. Também mencionou uma "demonstração de força" de caças israelenses que reproduziu ataques anteriores ao Irã. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, discutiu a possibilidade de novos ataques com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em Israel, nesta semana. Campbell diz que "é impossível prever o momento".
Os planos teriam foco em usinas de energia, instalações nucleares e arsenais de mísseis e drones, segundo o New York Times. Alguns oficiais disseram ao jornal que Trump desviaria os ataques da infraestrutura petrolífera do Irã, para evitar nova alta na gasolina. O jornal também registra que ele pode decidir não autorizar ação alguma, como já fez outras vezes.
Perguntado sobre as negociações, Trump disse na quarta (21) que as conversas seguem "um pouco", mas logo depois afirmou que não estão negociando. Na sexta (23), segundo a AFP, ele disse que os EUA "poderiam acabar com isso muito rapidamente", mas que falta decidir se darão "o golpe final" ou deixarão a situação se deteriorar.
Ormuz segue sob ataque
Segundo a AFP, forças dos dois lados atacam embarcações comerciais no estreito de Ormuz. Washington mira navios que tentam retirar petróleo bruto iraniano. Teerã atinge os que não seguem suas exigências sobre a rota de trânsito. Nenhum dos países fez ataques importantes a alvos em terra desde o início de setembro.
Sem solução militar à vista
Para os dois especialistas, nova escalada dificilmente encerra o conflito. Maloney afirma que a maioria das instalações militares convencionais do Irã já foi severamente degradada, e uma nova campanha tende a atingir mais infraestrutura civil. Ela diz que essa tem sido uma guerra que nenhum lado pode encerrar por escalada decisiva. O bloqueio americano, na avaliação dela, aumenta o sofrimento dos iranianos.
Campbell diz que o Irã mostrou disposição de absorver muitos danos e que mudar alvos não alteraria isso. Segundo ele, os danos às bases americanas na região também dificultam uma operação terrestre, pois não há lugar seguro para concentrar milhares de tropas.
A Guarda Revolucionária iraniana ameaçou atingir centros de dados e cabos submarinos de internet no Golfo se EUA e Israel retomarem os ataques. Os americanos votam nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro. Israel realiza eleições em 27 de outubro.
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