EUA acusam políticos do Canadá de tentar influenciar eleição de meio de mandato
Embaixada americana em Ottawa cita a ministra Mélanie Joly e o premiê de Ontário, Doug Ford; Carney e Ford negam, e um cientista político chama a tese de absurda.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

A Embaixada dos Estados Unidos no Canadá publicou nesta quarta (21) uma ficha que acusa políticos canadenses de tentar influenciar a política americana. A acusação mira as eleições legislativas de meio de mandato, em 3 de novembro. O primeiro-ministro Mark Carney e o premiê de Ontário, Doug Ford, rejeitaram a acusação.
A disputa joga a guerra tarifária entre os dois países para dentro do calendário eleitoral americano.
O que a embaixada aponta
O documento se chama "Monitoring Canadian Activities in U.S. Politics". Segundo a embaixada, o governo canadense minimiza o risco de interferência, enquanto ministros e premiês descrevem em público planos para influenciar a política americana. A ministra da Indústria, Mélanie Joly, aparece várias vezes na lista.
A ficha lembra que, em 25 de agosto, Joly falou em mirar produtos que atingem estados americanos para fazer pressão política. Em setembro, ela também se reuniu com autoridades democratas em Boston e Chicago. Perguntada sobre as tarifas caso os democratas vençam, ela respondeu que era "exatamente por isso" que se reunia com governadores e possíveis candidatos à presidência.
Sobre Ford, a embaixada cita o anúncio exibido nos EUA com o ex-presidente Ronald Reagan criticando tarifas. A campanha publicitária de Ontário custou 75 milhões de dólares canadenses. Ford disse que ela repetiria a mensagem em todos os distritos republicanos.
O texto menciona ainda o deputado liberal Anthony Housefather, que fez campanha para uma democrata na Flórida, e a cônsul-geral em Boston, Bernadette Jordan, presente em uma mesa-redonda com parlamentares democratas. O documento termina com a frase "Americans decide America's elections" (os americanos decidem as eleições dos EUA).
Casos de voto ilegal não têm ligação com Ottawa
A ficha também lista 11 canadenses acusados ou condenados por votar nos EUA entre 2012 e 2024. A embaixada não ligou nenhum deles a plano do governo canadense. Segundo a Associated Press, o Departamento de Justiça dos EUA afirma ter prendido mais de 200 pessoas desde o início de 2026 por voto ilegal de não cidadãos em eleições passadas.
Respostas de Carney, Joly e Ford
Carney respondeu em entrevista coletiva em Ottawa, ao lado de Joly. Ele lembrou que os Estados Unidos começaram as ações comerciais contra o Canadá. "Todas as nossas ações são no interesse dos trabalhadores canadenses, das famílias canadenses e do futuro desta economia", disse.
Joly já havia rejeitado a acusação em 14 de outubro. Ela afirmou que o Canadá jamais se meteria em eleições americanas e que as reuniões com políticos democratas e republicanos serviam para construir a economia canadense.
Ford disse não ter "nenhum interesse" em interferir nas eleições dos EUA. Segundo ele, o povo americano é quem vai decidir nas urnas.
Especialista vê tese sem base
O cientista político Daniel Béland, da Universidade McGill, disse que os itens da ficha não são exemplos genuínos de interferência estrangeira. Para ele, supor que o Canadá poderia alterar de forma significativa o resultado das eleições é absurdo. A própria Associated Press observou que a embaixada não demonstrou que as falas de Joly ou o anúncio de Ford configurem interferência indevida.
O embaixador americano, Pete Hoekstra, afirmou que os EUA responderão se ações de canadenses configurarem interferência eleitoral. As eleições legislativas de meio de mandato dos EUA acontecem em 3 de novembro.
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