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Estudos dos EUA ligam armas em casa de idosos com demência a mais suicídios e acidentes

No Brasil, a arma de fogo respondeu por 11% dos suicídios de idosos entre 2012 e 2016; especialistas americanos defendem armas trancadas, travas e conversa precoce com o médico.

Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Symbolic, non-literal editorial illustration (no reenactment of the event, no people): A quiet, warm-lit home interior with a small wooden c
Ilustração: Bairrista

Pesquisas divulgadas nos Estados Unidos em outubro indicam que idosos com demência ou perda de memória que guardam armas em casa correm mais risco de suicídio e de disparo acidental. Também cresce o risco de atirarem por engano em familiares ou cuidadores. Pesquisadores estimam que pelo menos 30% das pessoas com demência no país têm acesso a armas de fogo.

Para o leitor gaúcho, o recado vale para qualquer família com um idoso que tenha arma em casa e comece a esquecer ou a se confundir. Os especialistas americanos recomendam conversar sobre o tema cedo, enquanto a pessoa ainda pode decidir.

O que os números americanos mostram

Dados do CDC, órgão de saúde dos EUA, apontam que 8.226 pessoas de 65 a 85 anos morreram por arma de fogo no país em 2024, quase 23 por dia. Mais de 90% foram suicídios.

Um levantamento em sete estados americanos encontrou arma em casa em cerca de um terço das pessoas com 65 anos ou mais que relatavam piora subjetiva da memória. Em um quarto desses lares, as armas não estavam guardadas com segurança.

Um artigo publicado em outubro no New England Journal of Medicine informa que só 5% dos cuidadores de pessoas com demência disseram ter ouvido de um profissional de saúde alguma orientação sobre armas.

Redução de danos, não confisco

A estratégia que os estudos apontam como mais eficaz é a redução de danos. Ela prevê discutir os riscos, guardar as armas descarregadas e trancadas e oferecer travas de gatilho e cofres de graça. Retirar a arma à força costuma esbarrar na resistência do dono, que muitas vezes a vê como proteção.

"Permitir que as pessoas façam suas próprias escolhas é uma vitória no meu entendimento", afirmou Kelsey Conrick, pesquisadora da Universidade de Washington e autora do estudo dos sete estados. A geriatra Lena Makaroun, da Universidade de Pittsburgh, propôs no NEJM incluir o assunto na consulta anual de bem-estar do Medicare, o seguro público americano para idosos.

Nos EUA, o programa Pathways 2 Safety distribuiu mais de mil travas desde março. A ferramenta Firearm Life Plan, da Universidade do Colorado Anschutz, ajuda donos de armas a registrar o que fazer quando não puderem mais manuseá-las. Quase 16 mil pessoas a usaram desde 2022.

O retrato brasileiro

No Brasil, a taxa de suicídio entre pessoas com mais de 60 anos subiu de 6,8 por 100 mil habitantes em 2010 para 8,1 em 2018, segundo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. O boletim mostra que as taxas de mortalidade por suicídio são maiores no grupo de 60 anos ou mais do que nas demais faixas etárias.

Um estudo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) contou 8.977 suicídios na população acima de 60 anos entre 2012 e 2016. O principal meio foi o enforcamento (68%), seguido da arma de fogo (11%). Os números não são comparáveis aos americanos, que medem mortes por arma, e não meios de suicídio.

O que a lei exige de quem tem arma

O Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003) estabeleceu a avaliação psicológica como parte essencial do pedido de posse ou porte de arma. O laudo vem de psicólogo credenciado pela Polícia Federal, que centraliza o registro de armas no Sinarm. Pela Resolução 001/2022 do Conselho Federal de Psicologia, o documento resultante dessa avaliação vale por dois anos.

Serviço

Quem sofre com pensamentos de morte, ou conhece alguém nessa situação, pode ligar de graça, a qualquer hora, para o Centro de Valorização da Vida (CVV), no 188, ou conversar por chat no site cvv.org.br. Em risco imediato, o Samu atende pelo 192.

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